28/5 é o Dia Internacional do Brincar

Mães, pais e cuidadores devem preservar a inocência dos pequenos e proporcionar o livre brincar como atividade essencial para o desenvolvimento deles

A primeira infância, período que vai desde o nascimento até os seis anos, é decisiva na formação da personalidade e caráter da criança, com reflexos na adolescência e até o indivíduo tornar-se adulto. A partir dos dois anos de idade, o bebê começa a ser visto como uma pequena criança que, naturalmente, passa por diversas transformações. Durante esse período de dois a cinco anos, a criança desenvolve as suas próprias formas de interagir com o mundo a sua volta.

Essa fase que é cheia de novidades é repleta de descobertas tanto para as crianças, como para os pais. É quando os pequenos descobrem coisas como: a amizade e a convivência com os amiguinhos, começam a transitar entre o real e o imaginário, devido à curiosidade que surge, junto com os “porquês” que tornam-se cada vez mais comuns, o que aumenta o próprio desenvolvimento cognitivo. Neste contexto, o brincar das crianças não pode ser considerado uma simples forma de aprendizado e deve ser compreendido por mães, pais e cuidadores como um fim em si mesmo.

De acordo com a Dra. Sabrina Battistella, pediatra da Johnson & Johnson, brincar é, por definição, todo comportamento liderado pela criança, com mínima ou nenhuma interferência do adulto, sem resultados ou com resultados definidos pela criança e sem material específico. Ou seja, a criança decide e controla a brincadeira, havendo a possibilidade de trocas afetivas, transmissão de valores éticos e sociais – multigeracionais e multiculturais. Deve, ainda, ser um momento em que exista a liberação de emoções e que a criança possa se expressar livremente.

Brincar desenvolve a aceitação incondicional, a descoberta do significado, as habilidades sociais, o humor e a autoestima da criança. A autoconfiança também fica cada vez mais evidente, por exemplo, quando começam a fazer algumas atividades diárias sozinhos, mas com supervisão dos pais. Essa é uma fase em que as pequenas descobertas e independências passam a ser celebradas quase todos os dias. Durante esses momentos, os cuidados diários, como o banho e o se vestir, ganham um novo protagonista, a criança, que começa a descobrir o que quer e o que gosta levando-o naturalmente a desenvolver os seus primeiros traços de personalidade.

No convívio social, o cabelo também passa a ser um passaporte para a descoberta da própria personalidade. Nesta fase da vida, o cabelo é tão puro e livre de preconceitos assim como a criança. Mas, esse cuidado está na responsabilidade dos pais que, muitas vezes sem perceber, acabam transferindo seus complexos e preconceitos para as cabeças dos pequenos.

“A criança vive em um universo lúdico e puro. Não sabe, por exemplo, o significado de muitas palavras que os adultos falam e é assim mesmo que deve ser. Os pequenos não conhecem conceitos como as diferenças sociais, físicas e raciais entre as pessoas e realmente esses assuntos não devem ser uma preocupação nesta fase. Temos casos recentes e interessantes que ilustram bem isso, como o dos colegas de classe, um negro e o outro branco, que fizeram o mesmo corte de cabelo para enganar a professora e também o do menino com vitiligo que fez amizade com um cachorro que tem a mesma doença. Para eles só o que importa é brincar e se relacionar bem com os outros ao redor”, diz Dra Sabrina.

Portanto, é importante que mães, pais e cuidadores garantam que as crianças brinquem e sejam crianças. O melhor da infância é justamente ser livre da preocupação de adultos. Antecipar qualquer atitude que não seja natural nesta fase interfere no desenvolvimento saudável.

Para o melhor aproveitamento da infância e do brincar, a mãe, pai ou cuidador deve propor um ambiente multiestimulador onde seja possível encontrar afeto, aceitação e estímulos a atividade estruturada ou não, além do reconhecimento da individualidade da criança desde o nascimento.

A pediatra afirma, ainda, que brincar com as crianças é a melhor forma de mãe, pai e cuidador exercer seu papel fundamental no desenvolvimento e aprendizado do pequeno contribuindo com a formação de vínculos afetivos positivos que tornam possível: transmitir sentimento de afeto e segurança, ajudar a perceber o mundo, manter as crianças saudáveis e ativas, oferecer a oportunidade de experiências e aprendizado, proporcionar sensação de prazer e bem-estar para todos que cercam o dia a dia e desenvolvimento dos pequenos.

Mães, pais e cuidadores devem entender que o brincar é a única preocupação que a criança deve ter durante seu desenvolvimento e fazer dessa atividade um momento para construir laços, estreitar o relacionamento e entender as individualidades do pequeno.