FIC dá início aos Sábados no Iberê

Primeira programação acontece neste sábado, 27 de maio, e nessa edição contempla sessões de cinema, seminário, performance e música ao pôr do sol

Neste sábado, 27 de maio, a Fundação Iberê Camargo (FIC) promove a primeira edição do programa Sábados no Iberê, inspirado nos encontros que o artista promovia em sua própria casa aos finais de semana. Com atividades gratuitas, a programação busca estabelecer diálogo com diferentes manifestações culturais e campos do conhecimento, como a música, o cinema, a performance, a literatura, a filosofia, a antropologia, a psicanálise, entre outras disciplinas, ampliando a intensidade das relações que a FIC busca manter com os diversos públicos. Neste sábado acontece o primeiro encontro do seminário A Forma das Coisas Por Vir, com aula inaugural de Rodrigo Nunes: Exoperspectiva e Xenoperspectiva: Ficção Científica como Pensamento. Para as próximas edições do projeto, já estão confirmados Suely Rolnik, Moysés Pinto Neto, Edson Souza e Peter Pál Pelbart. Confira a programação completa:

13h-19h | Visitação aberta ao público
14h30-16h | Cine Iberê
Gabriel Abrantes – Too many mommies, daddies and babies, 2009 (Duração: 25’)

Um casal homossexual abandona suas tentativas de salvar o mundo através de pesquisas sobre mudanças climáticas na floresta amazônica, volta para Lisboa e decide ter um bebê.

 

 

 

Ana Vaz – A idade da pedra, 2013 (Duração: 29’)

A Idade da Pedra é composta por uma profusão de retratos líricos e detalhados de animais, astros, plantas, pessoas e de uma pedreira monumental localizada no meio da paisagem do Planalto Central brasileiro. Inspirada pela construção da modernista cidade de Brasília, a obra investiga os contornos geológicos da região e joga com temporalidades indefinidas. Estruturas de concreto 3D sobrepostas digitalmente ao registro em película da paisagem instauram um campo difuso na intersecção do natural e do histórico, que nos convida a uma reflexão sobre as utopias modernistas e ideais civilizatórios do passado, abrindo novas possibilidades para o futuro.

Yuri Firmeza – Nada é, 2014 (Duração 32’)

O tempo no quilombo, nas ruínas, na Festa do Divino, ouvindo as senhoras caixeiras cantarem e tocarem, a ilha do Cajual ali vizinha, onde foram encontrados fósseis de dinossauros e hoje funciona um centro de lançamento de foguetes, um festival de música barroca que aconteceu dentro de uma igreja que só os brancos frequentavam antigamente… Aquele lugar é um mundo de portais, cada um mais fantástico do que o outro.

16h – 18h | Seminário A Forma das Coisas Por Vir: Aula Inaugural com Rodrigo Nunes
Exoperspectiva e Xenoperspectiva: Ficção Científica como Pensamento
# Inscrições através do e-mail cultural@iberecamargo.org.br

Estamos vivendo uma crise de futuro. Se a queda do bloco soviético pôs em suspenso as utopias de um futuro radicalmente igualitário, a ideia de um capitalismo autorregulado em permanente e virtuosa expansão igualmente naufragou diante do colapso do sistema financeiro global há já quase uma década. A esta crise da capacidade de projetar um futuro melhor, soma-se, hoje, a crise da capacidade de projetar qualquer futuro: a consciência crescente do ritmo cada vez mais acelerado das mudanças climáticas suscita expectativas sempre mais desastrosas e a sensação de que podemos estar testemunhando não só o eventual desaparecimento de nossa civilização, mas também, tal qual extras num filme de ficção científica, a própria extinção da espécie humana. Incapazes de divisar cenários promissores para a humanidade, vivemos em meio à imobilidade política, envoltos em uma atmosfera de conservadorismo, ao sabor das vicissitudes do tempo presente.

Este seminário busca especular sobre o conjunto de fatores que nos levou a tal situação-limite, bem como sobre as estratégias políticas e cognitivas possíveis para fazer face ao fim de uma civilização forjada sob os auspícios da ciência, das noções de progresso indefinido e da cisão entre cultura e natureza. Como a arte e a filosofia respondem a este cenário? De que maneira o pensamento contemporâneo lida com o estreitamento progressivo de nossa perspectiva moderna e tenta situar-se em outras perspectivas que permitam um mirada diferente sobre tempo passado, presente e futuro? De quais ferramentas dispomos, sejam elas artísticas, científicas, políticas ou filosóficas, para tentar escapar a nossos atuais limites? Em que medida a filosofia, a arte, a política, a ciência e a ficção científica desempenhar a tarefa de prospectar/imaginar novos futuros para o planeta e a humanidade?
Rodrigo Guimarães Nunes é PhD em Filosofia pelo Goldsmiths College, Universidade de Londres e professor de filosofia moderna e contemporânea no Departamento de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), tendo antes sido professor visitante em diversas universidades do Brasil e do exterior. É autor do livro Organisation of the Organisationless. Collective Action After Networks (Mute/PML Books, 2014) e colaborador de diversas publicações nacionais e internacionais, como Radical Philosophy, Les Temps Modernes, Historical Materialism, Le Monde Diplomatique, Serrote, Nueva Sociedad, The Guardian, Al Jazeera, Jacobin e Folha de São Paulo. Em 2014, editou um dossiê sobre o quadro político brasileiro pós-junho de 2013 para a revista francesa Les Temps Modernes. Foi membro do coletivo editorial da revista Turbulence e atualmente coordena o grupo de pesquisas Materialismos: Ontologia, Ciência e Política na Filosofia Contemporânea (CNPq). Como curador, organizou o programa de filmes e debates ‘Stronger Are the Powers of the People’: Politics, Poeticsand Popular Education in Brazilian Cinema, 1962-1979, apresentado em Londres (No.w.here, 2009) e Berlim (EiszeitKino, 2011).

18h: Performance Autæikon, de Alexandre Moreira.
17h30-21h: Música ao Pôr do Sol | Dj Kahara e convidados

SERVIÇO
O QUE | Sábados no Iberê
QUANDO | 27 de maio, das 13h às 21h.
ONDE | Fundação Iberê Camargo. Avenida Padre Cacique, 2000.
ENTRADA FRANCA