OMS inclui sepse nas prioridades de saúde mundial

Países membros serão incentivados a adotarem medidas aprovadas em Genebra
A Assembleia Mundial de Saúde (AMS), órgão decisório da Organização Mundial de Saúde (OMS), acaba de aprovar a Resolução apresentada pelo Conselho Executivo da OMS para melhorar a prevenção, diagnóstico e controlar a sepse por meio de uma série de ações dirigidas a países desenvolvidos e em desenvolvimento em todo o mundo. A resolução foi aprovada durante a 70ª Assembleia Mundial da Saúde, que acontece até 31 de maio, em Genebra.
A elaboração do documento, intitulado “Melhora da prevenção, diagnóstico e tratamento da sepse” (leia aqui na integra) e sua aprovação na 70ª AMS, é resultado da força-tarefa da Global Sepsis Alliance – GSA, que há dois anos iniciou esse trabalho junto à Organização Mundial de Saúde. “A resolução enfatiza a falta de reconhecimento e tratamento adequado da sepse com um dos maiores problemas de saúde mundial resultando em milhões de mortes preveníveis a cada ano. A aprovação das recomendações é uma vitória não só para a GSA e todas as entidades envolvidas nesse processo, mas, principalmente, para os países menos favorecidos, como o Brasil, que são carentes de políticas públicas destinadas à prevenção, diagnóstico precoce e ao combate à sepse. Com isso, teremos maior envolvimento das diferentes esferas governamentais em ações que auxiliem na diminuição dos índices brasileiros, que são alarmantes, como mortalidade superior a 50%”, disse a médica Dra. Flavia Machado, membro da Força-Tarefa da GSA.
A sepse, conhecida como infecção generalizada, surge quando a resposta do corpo à infecção resulta em disfunção de órgãos. Muitas vezes é confundida com outras condições em seus estágios iniciais, com o atraso no reconhecimento dos sinais e sintomas rapidamente levando à disfunção múltipla de órgãos e, finalmente, à morte. Somente no Brasil, estima-se cerca de 400 mil casos por ano, com mais de 240 mil óbitos.
A resolução recomenda aos 194 Países-Membros das Nações Unidas, entre eles o Brasil, a implementarem medidas adequadas para reduzir o ônus da sepse tanto em termos de vidas perdidas como em termos de gastos despendidos para seu tratamento.
A OMS destinará US$ 4,6 milhões para ajudar na implantação da resolução. “A sepse, tanto adquirida na comunidade como associada a assistência à saúde, representa um enorme fardo global estimado em 31 milhões de casos por ano, dos quais seis milhões resultam em morte”, disse Dra. Margaret Chan, diretora-geral da OMS, no evento satélite promovido em Genebra pela GSA. ” Felicito os Países-Membros pelo conteúdo da resolução sobre a sepse que aponta para ações que precisam ser tomadas para reverter as estatísticas chocantes “. A resolução requer da diretora geral medida práticas no sentido de sua implementação efetiva tais como:
– publicação de relatório sobre a sepse e suas consequências globais até o final de 2018;
– apoio adequado os Países-Membros;
– colaboração com outras organizações das Nações Unidas;
– informe à Assembleia Mundial de Saúde (MAS) de 2020 sobre o andamento da implementação desta resolução.
O presidente do Instituto Latino Americano de Sepse – ILAS, Dr. Luciano Azevedo, parabeniza o trabalho da GSA e a OMS e reforça a importância da aprovação das resoluções na Assembleia Mundial de Saúde. “A inclusão da sepse como prioridade de saúde pública na OMS, assim como já o é câncer, AIDS, entre outras, é muito importante para o nosso trabalho diário de conscientização sobre a síndrome entre os profissionais de saúde e a população, bem como no desenvolvimento de mais ações que contribuam com a investigação mais precoce de sepse, levando, assim, ao início do tratamento adequado mais rapidamente, o que ajudará na queda de mortalidade por sepse em nosso país”.
A resolução sobre a sepse demanda que os países membros, entre outras medidas:
– incluam prevenção, diagnóstico e tratamento da sepse nas políticas e processos sanitários nacionais de fortalecimento, na comunidade e no ambiente dos cuidados à saúde, segundo diretrizes internacionais;
– implementem e promovam medidas de prevenção, tais como: práticas limpas de parto, práticas de prevenção de infecções em cirurgia, melhorias no saneamento, nutrição e fornecimento de água limpa;
– continuem seus esforços para reduzir a resistência a antimicrobianos, e promover o uso apropriado de antimicrobianos em conformidade com o plano global de ação quanto a resistência a antimicrobianos, inclusive o desenvolvimento e implantação de atividades abrangentes quanto ao uso progressivo de antimicrobianos
– aumentem a conscientização pública sobre o risco de que doenças infecciosas progridam para sepse, por meio de educação em saúde, incluindo a segurança do paciente, para assegurar um pronto contato inicial entre pessoas afetadas e o sistema de atenção à saúde;
– desenvolvam treinamento para todos os profissionais de saúde a respeito de prevenção de infecção e segurança do paciente e importância do reconhecimento da sepse como uma condição passível de prevenção e relacionamento crítico com o tempo, com necessidades terapêuticas urgentes
– comuniquem-se com pacientes, parentes e outros usando o termo “sepse” para aumentar a conscientização pública e incentivo para envolver-se ainda mais em esforços para aumentar a conscientização sobre a sepse, em particular apoiando atividades existentes realizadas todos os anos em 13 de setembro (Dia Mundial da Sepse) nos Países-Membros.