Crianças também perdem cabelos?

Se você observa que a cama do seu filho amanhece cheia de cabelos ou o ralo do banheiro está sempre cheio de fios, saiba que não são apenas os adultos que perdem cabelos

Embora menos comum do que nos adultos, as crianças também perdem muitos fios. Este problema pode representar queixa frequente em consultas pediátricas. Normalmente traz grande preocupação para os pais, podendo incomodar também as crianças maiores, deixando-as com a autoestima alterada.

Já nas primeiras semanas de vida, o bebê pode ter queda de cabelos difusa ou localizada. É um quadro transitório, que não precisa de qualquer tratamento. Muitos bebês podem inclusive ficar carequinhas por até vários meses. Normalmente, o bebê perde o cabelo quando o atrita contra o colchão, principalmente na parte de trás do couro cabeludo.

As causas mais comuns de queda de cabelos em crianças são: alopecia areata, micoses no couro cabeludo, eflúvio telógeno, alterações hormonais, deficiências nutricionais, tração (tricotilomania) ou infecções.

A alopecia areata caracteriza- se pela queda súbita e geralmente rápida de cabelo do couro cabeludo, podendo também acometer qualquer outra região do corpo. Acomete principalmente crianças maiores e adolescentes, provocando frequentemente lesões redondas ou ovaladas. Pode decorrer de alterações imunológicas, sendo comumente desencadeada por fatores como estresse por alguma perda ou transtornos familiares. Pode ser necessário o tratamento com cremes ou até injeções a base de corticóides.

Os fungos podem atingir crianças de todas as idades, principalmente entre 5 e 10 anos. Ocorrem geralmente em condições sócio-econômicas menos favorecidas por viverem aglomeradas e em moradias de higiene precária, favorecendo a contaminação pelo fungo de outra pessoa ou do ambiente. Nesses casos, áreas esparsas com cabelos ralos e quebradiços se formam. O tratamento normalmente é feito com shampoos com antifúngicos mas em algumas situações o uso de medicamentos orais pode ser necessário.

A queda de cabelo pode ocorrer por traumas frequentes no folículo piloso pela ação de quem cuida da criança ou por um transtorno psicológico, a tricotilomania. O exemplo clássico é a mãe que sempre faz a mesma trança na filha, forçando seus cabelos. De tanto tracionar, o folículo piloso se inflama e atrofia. Já a tricotilomania, é a perda de cabelo causada pelo ato da criança puxar, torcer, ou esfregar seu cabelo. A perda de cabelo é irregular e caracterizada por cabelos quebrados e de comprimento variável. Tipicamente, ocorrem áreas mais acometidas do lado dominante da mão da criança. Pode ser desencadeada por algum estresse ou ansiedade na vida do seu filho.

O eflúvio telógeno é uma condição em que uma situação de estresse físico ou emocional como febre alta, cirurgias ou traumas psicológicos interrompe o ciclo normal de crescimento do cabelo. Os folículos pilosos param de crescer prematuramente e entram numa fase de repouso, chamada de fase telógena. Não existem testes conclusivos para confirmá-lo e também não há tratamento específico. Pode ocorrer até alguns meses após o fator estressante. De qualquer forma, o crescimento do cabelo cheio geralmente retorna no prazo de seis meses a um ano.

Outras causas raras podem ser por conta de alterações nutricionais relacionadas a algumas vitaminas ou minerais como as deficiências de ferro, zinco e vitamina B, assim como o excesso de vitamina A. Doenças da tireóide também podem ser causa de queda de cabelo.

Seja qual for a situação, sempre que a queda de cabelos ocorrer de forma excessiva após os 6 meses de idade, consulte o pediatra que saberá identificar o problema, realizando exames se julgar necessário ou encaminhando a um dermatologista pediátrico.

O conteúdo foi desenvolvido pelo Dr. Marco Aurélio Safadi (CRM: 54792), parceiro da NUK e professor de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e coordenador da Equipe de Infectologia Pediátrica do Hospital.