Colesterol ruim: quanto mais cedo baixar, melhor

Sociedade Europeia de Aterosclerose reuniu evidências cientificas que comprovam que o controle do colesterol ruim, o LDL-C, deve ser precoce e prolongado para trazer mais benefícios aos pacientes


Na cardiologia, muito se debate sobre o controle do nível de LDL-C, o conhecido colesterol ruim. Há os que defendem que é somente um biomarcador – indicador a ser monitorado -, enquanto outros entendem que o LDL é realmente uma das causas das doenças cardiovasculares. Porém, uma apresentação recente da Sociedade Europeia de Aterosclerose (EAS) traz uma conclusão para esta discussão ao evidenciar cientificamente que o LDL-C é, de fato, um fator que causa o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O parecer conclui também que o acúmulo de LDL-C ao longo do tempo e a falta de tratamento determina o início e a progressão dessas doenças, como infarto e AVC isquêmico.

“Levando em consideração essas informações, podemos afirmar que quanto mais cedo nos preocuparmos e tentarmos baixar os níveis de LDL-C, maior será o benefício na redução do risco de um infarto ou um AVC ao longo da vida, principalmente, em pacientes de alto risco cardiovascular ou com o colesterol alto de origem genética, a Hipercolesterolemia Familiar, por acumularem colesterol ruim desde a infância, muitos acabam tendo um infarto ou AVC antes dos 50 anos de idade”, diz José Francisco Kerr Saraiva, professor da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas).

O parecer, que resultou do Painel realizado em abril de 2017 no Congresso da EAS, foi publicado no European Heart Journal na mesma data e analisou a base total de evidências cientificas para chegar à conclusão de causalidade, incluindo estudos genéticos, epidemiológicos e randomizados com terapias que ajudam a baixar os níveis de LDL-C, como os estudos GLAGOV e FOURIER, ambos da biofarmacêutica Amgen, que avaliaram os benefícios do medicamento Repatha® (evolocumabe) para esses pacientes.

O estudo GLAGOV avaliou os efeitos do medicamento em pacientes de alto risco ou com Hipercolesterolemia Familiar (HF) e mostrou que 90% dos pacientes conseguiram diminuir os níveis de LDL-C abaixo de 70mg/dL, índice considerado saudável e recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e 64% dos pacientes tiveram regressão nas placas ateroscleróticas, duas vezes mais que a estatina, o tratamento padrão.

Já o estudo de desfechos cardiovasculares, FOURIER, apresentado no início de 2017, avaliou 27.564 pacientes, 693 deles brasileiros, com doenças cardiovasculares clinicamente evidentes e quebrou um paradigma ao estabelecer pela primeira vez uma redução intensa dos níveis de LDL-C com Repatha®, além do que é possível com a melhor terapia atual isolada, a uma redução adicional de eventos cardiovasculares de 20%. Ou seja, 1 evento evitado a cada 5, nos eventos cardiovasculares principais, que incluem infarto do miocárdio, AVC isquêmico ou revascularização coronariana. Segundo o estudo, cada um desses eventos teve redução de 27%, 21% e 22%, respectivamente. O estudo Fourier demonstrou ainda uma redução de LDL-c para níveis abaixo de 25 mg/dl em 42% dos pacientes, com resultados ainda mais significativos do que os índices atuais recomendados pelos especialistas com a mesma segurança para os pacientes.