PIB gaúcho para de cair depois de quase três anos

No primeiro trimestre de 2017, a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi nula em comparação com o mesmo período de 2016 e o Valor Adicionado Bruto variou positivamente em 0,2%. O resultado interrompe uma série de 11 trimestres consecutivos de queda e foi melhor que o obtido no País, que apresentou uma variação negativa de 0,4%, completando 12 trimestres de quedas consecutivas.  Quando comparada com o trimestre imediatamente anterior, o crescimento da economia gaúcha no primeiro trimestre de 2017 foi de 0,6%, e o do Brasil, 1,0 %. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (13), pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).

Os destaques do trimestre foram o crescimento da agropecuária (3,5%), da indústria de transformação (0,7%) e dos transportes (3,4%). As atividades que mais contribuíram com o crescimento foram a lavoura de arroz, graças a recuperação de perdas decorrentes de problemas climáticos em 2016, e a fabricação de veículos, direcionada para a exportação. Os impostos sobre produtos diminuíram 1,7%, influenciados pela queda do refino de petróleo, distribuição de energia e serviços de informação.

Segundo Roberto Rocha, coordenador do Núcleo de Contas Regionais, “como os principais fatores que influenciaram os números positivos das Contas Nacionais, a agricultura e as exportações, eram ainda mais importantes aqui no Estado, já era esperado um desempenho superior de nossas Contas também”. Mas complementa: “acho que o mais significativo é o desempenho da indústria de transformação gaúcha, pois é o segundo trimestre que ele cresce sobre o mesmo trimestre do ano anterior e também sobre o imediatamente anterior.”

Depois de quatro reduções consecutivas das taxas trimestrais negativas em 2016, a variação nula do PIB do primeiro trimestre de 2017 seguiu a tendência de pequenas melhoras que vem ocorrendo após a fase mais aguda de queda da atividade econômica em 2015.

Com relação ao trimestre imediatamente anterior, as grandes três atividades apresentaram taxas positivas nesse tipo de comparação, agropecuária com crescimento de 4,7%, indústria 1,0% e serviços 0,7%. Delas, apenas a agropecuária apresentou crescimento em relação ao trimestre anterior inferior ao nacional (4,7% e 13,4%), respectivamente, o que decorre da colheita de lavouras de maior rendimento se concentrar no primeiro trimestre no restante do País.

O Diretor Técnico da FEE, Martinho Lazzari, destaca que, com o peso maior da agropecuária no segundo trimestre, a questão é ver se a indústria de transformação continuará sua recuperação> “A safra da soja certamente dará um forte impulso para o crescimento  da economia no segundo trimestre, mas para a indústria de transformação é necessário ver se se confirmará o incremento das exportações”, analisa.

Observando a evolução da economia desde o início da crise, o nível médio em quatro trimestres do produto da economia gaúcha retornou a um patamar próximo ao do segundo trimestre de 2013. Enquanto o nível do produto da agropecuária não indica ter sido prejudicado significativamente pela crise, o nível do produto da indústria recrudesceu ao que era no terceiro trimestre de 2006.