Estados do Sul instituem comitê para garantir controle sanitário de maçãs

Comitê Interestadual de Sanidade de Pomáceas foi instituído por secretários da Agricultura do RS, PR e SC – Foto: Eduardo Oliveira/Seapi

Os secretários da Agricultura dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina instituíram, nesta terça-feira (13), o Comitê Interestadual de Sanidade de Pomáceas (Cisp). A ideia é subsidiar tecnicamente as secretarias de estado da Agricultura e os órgãos de defesa agropecuária para o estabelecimento de procedimentos e atos complementares que garantam a segurança sanitária de pomáceas, protegendo as espécies envolvidas.

Segundo o documento, a pomicultura é uma das cadeias de produção agrícola mais importantes para os referidos estados. A praga Neonectria galligena está classificada como quarentenária para o Brasil. Cita ainda que a manutenção da erradicação da Cydia pomonella é de extrema importância para a sustentabilidade da produção. E que, portanto, há necessidade da atuação conjunta dos três estados na vigilância sobre pragas e doenças quarentenárias que acometem as pomáceas.

Segundo o secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação do RS, Ernani Polo, a demanda veio do setor, da Associação dos Produtores de Maçã do Estado e da Associação Brasileira de Produtores de Maçã. “Isso fortalece cada vez mais essa integração do setor público com o privado e é uma forma de nós discutirmos conjuntamente os estados que produzem maçã no Brasil. Essa é uma iniciativa importante para mantermos e avançarmos quanto ao status sanitário”, explicou.

De acordo com Polo, o Brasil é o único país livre de Cydia pomonella na maçã do mundo. “É o único inseto-praga do país que está erradicado, e isso foi um trabalho de muito tempo dos produtores, da Embrapa, das instituições de pesquisa. E, agora, esse comitê nos dá também a possibilidade de conjuntamente avançarmos para mantermos o status sanitário e discutirmos os problemas que ainda existem e que devem ser superados”.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, disse que na Região Sul é onde se concentra a produção de maçãs no Brasil. “É uma atividade muito importante para os três estados. E toda a ameaça que se apresente em desfavor da produção, seja de qualidade na produtividade, seja em restrições comerciais, deve ser enfrentada com estratégias adequadas, como a de unir forças”, salientou.

Para Ortigara, é muito importante essa iniciativa de não olhar barreiras físicas, como as divisas estaduais, e sim de olhar a sanidade num contexto mais amplo e somar esforços, estabelecendo estratégias adequadas para a superação dessa dificuldade. “Queremos contribuir para que o agricultor, o fruticultor, tenha o máximo de eficiência no seu processo de produção”.

Para o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã, Moisés de Albuquerque, o comitê tem uma importância maiúscula, porque tratará das principais ameaças que o setor sofre, que são as ameaças fitossanitárias. “O Brasil é um país exportador de frutas de clima tropical e importador de frutas de clima temperado. Essa importação já trouxe várias ameaças que estão aí. Uma é a Cydia pomonella, que a gente conseguiu erradicar. Outra é o Cancro europeu, que é uma doença, não é um inseto-praga, que se alastrou, extremamente complexo de erradicar”.

Ele contou que no RS o produtor está tendo uma média de custo com essa praga ao redor de R$ 2 mil por hectare. “Isso não é pouco. Então, quando a gente une três estados onde a fruticultura de clima temperado é importante, para tratar de questões fitossanitárias, é extremamente gratificante. Tanto pelo caráter técnico, de qualificação e padronização das discussões, quanto também pelo caráter político, de ganhar prioridade em ações de governo. Esse é um dia histórico”, comemorou.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, afirmou que a integração entre os três estados do Sul, que são os maiores exportadores de valor agregado, faz parte de uma linha de atuação do Mapa, de fortalecer o Brasil em termos de qualidade e de confiança no mercado internacional. “Esse convênio interestadual vai fortalecer na prática o sistema de fiscalização e de sanidade da produção nacional”, finalizou.