Exportações de calçados ultrapassam US$ 440 milhões no ano

As exportações de calçados do mês de maio surpreenderam positivamente, chegando a mais de 9,5 milhões de pares e US$ 103 milhões, números superiores tanto em volume (13,6%) quanto em receita (44%) na relação com igual mês do ano passado. Entre janeiro a maio os calçadistas já somam 49 milhões de pares embarcados e US$ 441,4 milhões em receitas geradas, 1,1% mais em volume e 20% mais em cifras do que o registro de mesmo período de 2016.

Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, os dados ainda refletem as vendas realizadas no final do ano passado, quando a cotação US$/R$ estava mais favorável para a formação de preço.  “Chamamos atenção, no entanto, que a discrepância entre o aumento em dólares e em volume exportado aponta para um incremento importante no preço médio do nosso calçado, ocasionado pela desvalorização do dólar, o que, evidentemente, não é salutar para os negócios internacionais”, aponta. Segundo o executivo, o preço médio do produto brasileiro no exterior, graças a valorização da moeda brasileira, aumentou mais de US$ 2 no comparativo entre maio do ano passado e o mês cinco de 2017 (de US$ 8,57 para US$ 10,86). “Para o restante do ano, a não ser que tenhamos resultados extraordinários na Francal, feira que lançará as coleções de primavera-verão em julho, seguimos prevendo um arrefecimento das exportações, especialmente ocasionado pela defasagem cambial – e a constante flutuação causada pela crise política”, conclui Klein.

Estados
Os principais estados exportadores, em valores gerados, seguem sendo Rio Grande do Sul, Ceará e São Paulo. Entre janeiro e maio, os gaúchos embarcaram 11,3 milhões de pares que geraram US$ 183,44 milhões, números superiores tanto em volume (6,6%) quanto em dólares (17,4%) na comparação com igual ínterim de 2016.  Já os cearenses embarcaram 18,23 milhões de pares que geraram US$ 106 milhões, resultado menor em pares (-1,2%) e maior em receita (8,4%) no comparativo com o mesmo período do ano passado. O terceiro exportador do ano foi São Paulo, de onde partiram 3,58 milhões de pares que geraram US$ 52,58 milhões, queda de 15,5% em volume e incremento de 15,6% em receita no comparativo com o ano passado.

Destinos
O principal destino do calçado brasileiro segue sendo os Estados Unidos. Entre janeiro e maio partiram para lá 4,7 milhões de pares que geraram US$ 79,27 milhões, queda tanto em volume (-10,8%) quanto em dólares (-1,3%) no comparativo com igual período de 2016.

A Argentina foi o segundo destino do período, totalizando 3,57 milhões de pares importados por US$ 56,17 milhões, incrementos tanto em volume (28%) quanto em receita (62,8%) em relação ao ano passado.

O terceiro destino dos cinco primeiros meses foi o Paraguai, para onde foram embarcados 5,75 milhões de pares por US$ 39 milhões, queda de 9% em volume e incremento de 120% em receita no comparativo com 2016.

Importações seguem em alta
A desvalorização da moeda norte-americana sobre o Real segue influenciando na curva das importações. Somente em maio entraram no Brasil 1,8 milhão de pares pelos quais foram pagos US$ 23 milhões, altas de 57,4% em volume e 17,7% em dólares na relação com o mesmo mês de 2016. Com isso, no acumulado dos cinco meses, já foram importados 11,3 milhões de pares de calçados pelos quais foram pagos US$ 146,18 milhões, altas de 5,9% e 4,5%, respectivamente, na relação com igual ínterim do ano passado.

As principais origens das importações seguem sendo os países asiáticos. Nos cinco primeiros meses do ano, o Vietnã exportou para o Brasil 4,34 milhões de pares de calçados por US$ 79 milhões, altas tanto em volume (3,3%) quanto em dólares (5,8%) em relação a igual período do ano passado. A segundo origem foi a Indonésia, de onde partiram 1,6 milhão de pares por US$ 27,82 milhões, quedas de 2,1% e 5,7%, respectivamente, em relação a 2016. O terceiro destino segue sendo a China, que exportou ao Brasil 4 milhões de pares por US$ 15,5 milhões, alta de 2,3% em volume e queda de 11,7% em receita no comparativo com 2016.

Em partes, as importações seguem em baixa. Entre janeiro e maio o Brasil importou o equivalente a US$ 18 milhões em palmilhas, cabedais, solados, saltos etc, 17% menos do que no mesmo período do ano passado. As principais origens foram China, Vietnã e Paraguai.
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