São Leopoldo: Região Norte 2 tem plenárias do PPA Participativo

Foto: Charles Dias

A Comunidade Católica São Jorge, no bairro Campina, recebeu a primeira plenária da etapa regional do processo de formulação do Plano Plurianual (PPA) Participativo 2018-2021. O encontro ocorreu na noite de quarta-feira, 14 de junho, e reuniu cerca de cem pessoas para debater e definir propostas que são de prioridade regional. Participaram integrantes de associações de bairro, cooperativas habitacionais, equipes diretivas de escolas e comunidade em geral.

O PPA Participativo é conduzido pela Secretarias Geral de Governo) e Secretaria do Orçamento Participativo e Relações Sociais. Acontecerão plenárias em cada uma das oito regiões do OP de São Leopoldo. Os encaminhamentos e relatos serão sistematizados e as diretrizes serão enviadas para as áreas do governo responsáveis pela matéria a fim de traduzi-las em programas e ações, devidamente orçadas e quantificadas para o período de quatro anos compreendidos entre 2018 e 2021. As propostas vão compor o projeto do PPA a ser enviado pelo prefeito à Câmara de Vereadores. De acordo com a Constituição Federal, o PPA deve ser elaborado no primeiro ano de uma gestão.

O titular da Secretaria Geral de Governo, Marcel Frison, afirmou que a reorganização da cidade começa pela participação popular. Ressaltou, ainda, que o plano de governo do prefeito Ary Vanazzi foi desenvolvido em quatro eixos temáticos (desenvolvimento social, econômico, urbano e institucional). O governo Vanazzi acrescentou, ainda, os eixos Saúde e Educação dada a complexidade das áreas. “Tivemos um o processo de transição de governo, no fim d 2016, muito curto, quase inexistente. Somado a isso pegamos uma prefeitura em grave situação financeira e com a estrutura paralisada. O orçamento anual de São Leopoldo é de cerca de R$ 500 milhões e em janeiro tínhamos R$ 200 milhões de dívidas de curto prazo (restos a pagar) do ano de 2016 referentes a contratos não honrados pelo governo anterior. Estamos fazendo um grande esforço para revisar contratos como forma de reduzir custos e promover ações para aumentar a receita”, explicou Frison.

A secretária do Orçamento Participativo, Janaína Fernandes, agradeceu a presença da população na plenária e lamentou o abandono promovido pela antiga gestão. “O OP ficou sem plano de investimento no orçamento enviado para a Câmara Municipal. Obras que estavam em andamento tiveram a ordem de empenho, que é a garantia de pagamento da prefeitura, canceladas. A participação popular é um elemento muito forte e essas plenárias servem para fortalecer a transversalidade de governo e para escutar a população sobre o que é melhor para a cidade”, disse Janaína.

Ao abrir para as intevenções dos presentes, 10 pessoas se inscreveram para falar. Representante do Jardim Fênix, Rudimar Rodrigues, relatou a descontinuidade da pavimentação da rua Otacílio Bandeira da Silva. “Faltou uma quadra para terminar a obra que parou após as eleições, em outubro do ano passado”, revelou Rodrigues. Ramão Fioravante, da Associação dos Moradores do Bairro Campina, disse que a comunidade se mobilizou no governo passado e não houve retorno. “Na assembleia definimos prioridades e aguardamos que o governo execute. Fizemos nossa parte e acreditamos que o OP melhora a cidade”, disse. Deivid Luis, integrante de uma ocupação localizada no bairro, falou da necessidade de um galpão de reciclagem e regularização dos lotes. “Queremos uma alternativa de moradia digna e o galpão para termos uma renda, pois a maioria sobrevive da reciclagem”, alertou. Robson Camargo, morador do bairro Campina, cobrou mais ações da Guarda Civil Municipal: “Precisamos de patrulhamento comunitário para envolver a comunidade no tema da segurança”. Dilce da Rosa, moradora do loteamento Santa Marta disse se sentir enganada pela antiga gestão. “Fizemos um grande movimento na nossa comunidade para resolver os problemas de saneamento. Nossas demandas foram trocadas. A retomada do diálogo é importante para resolvermos isso”, destacou.

A diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Paulo Couto, relatou que a quadra de esportes aprovada no OP não foi executada. “A infraestrutura atual é precária e não atende as necessidades das crianças. Temos mais de mil estudantes”, apontou. Nelson Guerra, morador da Cooperativa Habitacional Antônio Leite falou que está muito preocupado com a situação dos diques. “As ocupações irregulares e a falta de manutenção prejudicaram demais o sistema de contenção de cheias. Temos que fazer algo brevemente”, alertou. O tema da assistência social foi elencado por Fabiano Silva: “Nossa comunidade precisa do apoio do governo para atender as pessoas mais pobres”.

O vereador Dudu Moraes disse estar indignado com a falta de responsabilidade do governo anterior que abandonou as obras após as eleições. “A má gestão trouxe muito sofrimento para nosso povo. Os alagamentos foram constantes nos últimos anos, mesmo quando chovia pouco. Temos que trabalhar muito para resolver isso”, destacou Dudu. Eliene Amorim, moradora da região, parabenizou a atual gestão pela coragem em dialogar. “Nossa comunidade precisa de um Centro de Referência de Assistência Social para toda região onde há muitas situações de vulnerabilidade”, frisou.