Brasileiro se preocupa com colesterol alto, mas não toma atitude

Pesquisa do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, realizada pelo Instituto Ipsos, com apoio da Sanofi, aponta que 67% da população não sabe sua atual taxa de colesterol

Embora esteja intimamente ligado à principal causa de mortes em todo o mundo – as doenças cardiovasculares –, o colesterol ainda é motivo de dúvidas para os brasileiros. Eles detêm certo conhecimento sobre o tema, mas a maioria da população ainda não sabe quais seriam as melhores atitudes a se tomar para o controle do colesterol. É o que mostra a pesquisa inédita “O que o Brasileiro Sabe sobre o Colesterol”, do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), feita pelo Instituto Ipsos a pedido da Sanofi.

O levantamento mostra que o brasileiro até sabe que é necessário medir suas taxas de colesterol – 89% dos entrevistados acreditam que todas as pessoas, inclusive as crianças, precisam realizar. No entanto, contraditoriamente, apenas 15% declara saber sua taxa de LDL (colesterol ruim). Além disso, apenas 32% da população reconhece as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte no Brasil.

Mas, do conhecimento a uma atitude, há um longo percurso. A pesquisa mostra que 41% dos entrevistados não se preocupam com seu colesterol – 65% só realizou exames depois de adultos, e outros 11% nunca mediu o colesterol na vida.

Entre os avaliados, apenas 11% tomam medicamento para colesterol. Em relação ao controle do colesterol, 49% desconhece que se trata de um tratamento contínuo.

Para o cardiologista Henrique Tria Bianco, do Departamento de Aterosclerose da SBC e um dos responsáveis pela pesquisa, os dados encontrados refletem resultados preocupantes de uma tendência mundial, que já havia sido retratada na pesquisa TAAC – Think Again About Cholesterol, realizada em 2015 em 12 países.

“É possível perceber que o colesterol e a importância de seu controle ainda são assuntos que precisam ser reforçados no mundo”, comenta Bianco. “Na TAAC, por exemplo, foi revelado que apenas 8% das pessoas sabiam os valores de seu LDL, bem como que se preocupavam muito mais com a possibilidade de desenvolver um câncer do que sofrer uma complicação cardíaca. Na pesquisa brasileira, vimos que a maioria – embora saiba que medir o colesterol é importante – não conhece suas próprias taxas. É preciso que o assunto seja cada vez mais divulgado para que as pessoas aprendam a cuidar da própria saúde, atinjam suas metas de colesterol e, como consequência, mais vidas sejam salvas”, reforça o especialista.

A pesquisa “O que o Brasileiro Sabe sobre o Colesterol” foi realizada de forma online nas cinco regiões brasileiras, com participação de 850 entrevistados acima dos 25 anos, sendo 53% deles mulheres e 47% homens. A pesquisa aconteceu entre 31 de janeiro a 6 de fevereiro de 2017, e contemplou as classes A (8%), B (41%) e C (51%).