Ospa e Coro Sinfônico dedicam concerto à obra de compositor russo

O maestro Manfredo Schmiedt conduz concerto dedicado ao legado de Alexandr Scriabin – Foto: Ricardo Jaeger/Divulgação

Obras de Alexandr Scriabin (1872-1915), criador musical revolucionário, entrarão pela primeira vez no repertório da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) nesta terça-feira (27), no Salão de Atos da UFRGS. A partir das 20h30, o maestro Manfredo Schmiedt conduz concerto dedicado ao legado do compositor russo, com dois de seus trabalhos: o Concerto para Piano e Orquestra e a Sinfonia nº 1. O Coro Sinfônico da Ospa participa da apresentação, que terá a presença do pianista georgiano Guigla Katsarava, solista da noite, e dos cantores gaúchos Natália Pereira (mezzosoprano) e João Ferreira Filho (tenor).

Scriabin começou a vida musical como pianista. Entre suas influências estavam Schumann, Liszt e Chopin. Seu trabalho é inovador, principalmente pela forma única de desafiar a tonalidade sem perder a conexão com seus predecessores. A excentricidade marcante da personalidade e seu misticismo, às vezes, eclipsam sua obra – ele se aproximou da Teosofia e desenvolveu sinestesia (associava cores e sons), entre outras peculiaridades.

O maestro Manfredo comenta a seleção de músicas para a apresentação: “Neste concerto, executamos obras escritas durante a primeira fase artística de Scriabin, quando ainda estava estudando no Conservatório de Moscou. Elas apresentam forte influência do romantismo russo consagrado por tantos geniais compositores como Tchaikovsky, Rimsky-Korsakov, Borodin e Mussorgsky”.

Embora seja uma peça alinhada aos padrões do romantismo tardio e ligada à estética chopiniana, o Concerto para Piano e Orquestra, de 1896, revela a linguagem musical visionária que Scriabin viria a desenvolver. “O solista Guigla Katsarava é um fantástico pianista oriundo da Geórgia, país da Europa Oriental. Além de sua incrível musicalidade, ele possui uma técnica impressionante”, afirma Manfredo. Guigla é professor na Escola Normal de Música Alfred Cortot de Paris.

A Sinfonia nº 1 foi escrita apenas três anos mais tarde, no verão de 1899. Ela apresenta dois solistas e um coro em seu final, que consiste em uma ode ao poder da arte. “Toda a maestria e genialidade de Scriabin aparecem nesse final. Os dois solistas convidados – Natália e João – são de Pelotas e tiveram destacada participação no último Festival Internacional SESC de Música”, completa o maestro.