Chineses desenvolvem arroz que combate envelhecimento celular

Já pensou em comer diariamente algumas colheres de um alimento que reduz o risco de certos tipos de câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e outras enfermidades crônicas? É exatamente isso que um grupo de cientistas da Universidade Agrícola do Sul da China propõe, com o desenvolvimento de uma variedade de arroz geneticamente modificada (GM) para conter altos níveis de antioxidantes.

Para chegar a esse resultado, a equipe do professor Yao-Guang Liu desenvolveu uma técnica de engenharia genética capaz de transferir diversos genes de uma só vez para duas variedades de arroz, o japônico, cultivado no Japão e na Coreia, e o índico, plantado na Índia, Paquistão, Indonésia e outros países. Com oito novos genes (dois do milho e seis do cóleus – uma espécie de planta), o arroz ganhou uma coloração roxa e passou a produzir altos níveis de antocianina, substância que dá pigmentação roxa ou avermelhada a muitas flores e frutas (como açaí, jabuticaba e cereja) e que é capaz de proteger o organismo contra a ação oxidante dos radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento das células.

Embora as antocianinas sejam naturalmente abundantes em algumas variedades de arroz negro e vermelho, elas estão ausentes em grãos de arroz polido porque a casca, o farelo e o embrião são removidos para o consumo. Nesse caso, fica apenas o endosperma (parte da semente cuja função é nutrir o embrião), que não possui essa substância.

Além do potencial de desenvolver um alimento mais nutritivo, a pesquisa é importante porque tentativas anteriores de expressar a antocianina no arroz falharam. Isso por conta da complexidade da biossíntese desse nutriente e da dificuldade da transferência de diversos genes para plantas. Finalmente, porém, os cientistas chineses acreditam que encontraram uma solução para esse desafio e devem, agora, fazer os testes de biossegurança do arroz transgênico.

Fonte: Cell Press e ScienceDaily, Julho 2017.