Daer preocupado com atropelamento de animais silvestres na ERS-118

Iniciativa é resultado de parceria com o Laboratório de Primatologia da PUCRS

A morte de animais que cruzam a ERS-118, nas proximidades do Parque Estadual de Itapuã, no Extremo Sul de Porto Alegre, motivou uma ação em conjunto entre o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e o Laboratório de Primatologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O objetivo da parceria é reforçar a sinalização do trecho para orientar os motoristas a trafegarem com atenção.

Projeto de sinalização especial na Rodovia Frei Pacífico busca preservar espécies nativas, como o bugio ruivo — Foto Divulgação/Sema

O contato entre as duas instituições partiu de uma petição pública disponibilizada na internet pelos estudantes do curso de graduação. O abaixo-assinado solicita que o Daer promova medidas que evitem o atropelamento de animais nativos na ERS-118, no segmento conhecido como Rodovia Frei Pacífico.

“É uma forma de engajá-los numa campanha de cidadania e fazê-los perceber que esse espírito empreendedor pode transformar a sociedade”, explica o professor Júlio César Bicca-Marques, que ministra a disciplina de Biologia da Conservação. “Observamos ali uma grande incidência de animais mortos, como bugios, gambás e gatos-do-mato, e decidimos alertar para o problema.”

A petição reuniu mais de 27 mil assinaturas e chamou a atenção do diretor-geral do Daer, Rogério Uberti, que procurou o professor. Para auxiliar a autarquia a implantar as soluções no trecho, o Laboratório de Primatologia fornecerá um levantamento dos locais onde foi registrado o maior número de atropelamentos de fauna nativa.

“Já temos uma empresa projetista contratada para avaliar o tipo de sinalização mais adequado a cada local”, salienta Uberti. “Contaremos, ainda, com o apoio da nossa Coordenação Técnica de Meio Ambiente, que também participa de um trabalho semelhante na conservação da Rota do Sol.”

Entre os dispositivos que podem ser implantados na Rodovia Frei Pacífico, estão redutores de velocidade, placas indicativas da travessia de animais silvestres e, até mesmo, pontes de cordas para que as espécies se desloquem entre as árvores e evitem cruzar a pista. “Essa proposição da PUCRS é mais um exemplo de que o Daer está atento aos anseios da sociedade e focado em apresentar soluções que resolvam com agilidade essas demandas”, complementa Uberti.