Finasterida causa mesmo impotência?

Especialista em restauração capilar Dr. Thiago Bianco comenta sobre as possíveis reações adversas, incluindo a Síndrome Pós-Finasterida

Muitos homens, principalmente os de meia-idade, lançam mão da Finasterida, medicamento utilizado para coibir a queda de cabelos. No entanto, o público masculino tem verdadeiro pavor de utilizar esta medicação, já que muitas informações ao pesquisar na internet dão conta de relatos sobre diversos efeitos colaterais.

“A Finasterida é o principal medicamento para tratar a queda capilar. O remédio é capaz de bloquear uma enzima (5α-Redutase) e inibir a produção de DhT (Dihidrotestosterona) hormônio responsável pela calvície. O grande problema desta medicação é que ela pode causar alguns efeitos colaterais como a perda de apetite sexual, além da diminuição do volume ejaculatório”, alerta Dr. Thiago Bianco, médico especialista em transplantes capilares.

Sobre a questão dos efeitos colaterais de ordem sexual, Bianco afirma que estudos concluíram que 3,8% dos pacientes que utilizaram a medicação apresentaram diminuição da libido. “No entanto, neste mesmo estudo, 2,1% dos pacientes que utilizaram placebo (comprimidos de farinha), tiveram os mesmos efeitos colaterais sexuais. Isso demonstra um forte componente psicológico em relação ao uso da substância”, adverte o médico.

Todavia, como a ação do medicamento atua no bloqueio da conversão de testosterona em DhT, esse processo provoca um aumento de 15% na testosterona sérica que pode “aromatizar” e se converter no hormônio feminino estrogênio. “Isso pode causar alguns efeitos colaterais como queda da libido, diminuição do volume ejaculatório, entre outros.”, alerta.

No tocante à persistência dos efeitos colaterais, mesmo depois da interrupção do tratamento, conhecida como Síndrome Pós-Finasterida, o médico aponta que estes efeitos persistentes ainda estão sendo pesquisados. “Alguns profissionais defendem a prevalência deste evento, e até mesmo organizações difundem alertas sobre esta síndrome, porém ainda não existe nenhum estudo clínico controlado demonstrando a sua incidência, porcentagem de pacientes acometidos, faixa etária, entre outras estatísticas’, diz.

Outro pormenor referente à utilização de Finasterida é que o medicamento apenas atenua a queda dos fios enquanto o usuário estiver consumindo a substância, porém não faz com que áreas que apresentam calvície sejam revertidas. “Se parar de ingerir o medicamento, a calvície irá progredir. Para restaurar áreas que já apresentam calvície, apenas um transplante capilar poderá reverter definitivamente o quadro”, assegura.

Além dos efeitos colaterais em homens, o uso de Finasterida pode ser ainda mais perigoso para as mulheres, principalmente às gestantes. “A droga pode causar um mal ainda maior às grávidas, a teratogenicidade, isto é, alterações no feto que podem prejudicar a saúde do bebê”, conclui Bianco.