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Soluções lúdicas para ensino de Química nas escolas

* Por Rafael Silva

Leciono a disciplina de Química há quase 10 anos e, durante minhas aulas para o Ensino Médio, percebi a necessidade da realização de atividades lúdicas com o objetivo de propiciar um meio para que o aluno melhore o seu raciocínio, a reflexão e a construção do conhecimento cognitivo, físico, social e psicomotor que o levasse a memorizar mais facilmente. Vários estudos e pesquisas mostram que o ensino dessa disciplina é, em geral, focado na simples memorização e repetição de nomes, fórmulas e cálculos, totalmente desvinculado da realidade na qual os estudantes se encontram.

Nessa situação, a Química torna-se uma matéria maçante e monótona, fazendo com que os próprios alunos questionem o motivo pelo qual lhes é ensinada. Para a realização de um bom plano de ensino, existem cinco passos que devem ser tomados para contextualizar o estudo científico dentro do ambiente escolar, os quais seguimos na realização de um projeto intitulado “Tabela Periódica Especial“:

1. Gamificação

Os jogos lúdicos podem ser utilizados como uma estratégia de ensino para a aquisição de conceitos químicos por meio de metodologia inovadora, atraente e prazerosa, já que a falta de motivação é a principal causa do desinteresse dos alunos, devido à maneira que o professor repassa os conteúdos. Nossa “Tabela Periódica Especial” tomou um formato de exposição devido a sua proporção. Meus alunos brilharam ao entender a proposta de se trabalhar de maneira inovadora a matéria, por meio da utilização dos jogos como uma das ferramentas que facilitam o aprendizado. Enfocamos a prática de jogos didáticos ou atividades lúdicas dentro da sala de aula, auxiliando os docentes e os estudantes a conquistar os seus objetivos, de forma dinâmica.

2. Ferramentas de inclusão

Uma aluna da 1ª Série do Ensino Médio envolvida no projeto destacou a importância de ter trabalhado em equipe e do seu melhor entendimento dos conteúdos propostos, inclusive pela atividade inclusiva, contemplando quem apresenta algum tipo de dificuldade. Por outro lado, quando o estudo da Química faculta aos estudantes o desenvolvimento paulatino de uma visão crítica do mundo que os cerca, seu interesse pelo assunto aumenta, pois lhes são dadas condições de perceber e discutir situações relacionadas a problemas sociais e ambientais do meio em que estão inseridos, contribuindo para a possível intervenção e resolução dos mesmos.

3. Mais interatividade

Por meio desse trabalho foi possível entender a importância da utilização dos jogos no processo educativo, como instrumento facilitador da integração, da sociabilidade, do despertar lúdico, da brincadeira e, principalmente, do aprendizado. Isso enfoca a necessidade de tomar alguns tipos de cuidados ao levarmos um jogo em sala de aula, ressaltando a importância da colocação de regras. Todos os games foram confeccionados com materiais simples, o que torna ainda mais viável a sua aplicação na construção de um aprendizado de forma divertida, dinâmica e atraente.

4. Ouça seus alunos

A atividade apresenta um diferencial frente a outras difundidas na comunidade de profissionais voltada ao Ensino de Química no Brasil, pois os jogos são elementos valiosos no processo de apropriação do conhecimento. Isso permite o desenvolvimento de competências da comunicação, das relações interpessoais, da liderança e do trabalho em equipe por meio da relação cooperação/competição, pois o estudante coopera com os colegas de equipe e compete com os outros grupos que são formados pelos demais. Em geral, o feedback dos alunos foi o melhor entendimento do funcionamento da tabela periódica, até para os que têm mais dificuldades.

5. Lado lúdico do ensino

O lúdico é muito antigo como presença social e cultural, mas no contexto escolar, precisa ser bem vivenciado e estudado por parte de professores e pesquisadores da área de Educação Química. Algumas inquietações e questões que podem nos conduzir a pesquisas posteriores: Por que se joga nas aulas de Química? Como se constrói um jogo realmente didático? Quais fatores pedagógicos e sociais devem ser considerados quando se pretende utilizar atividades lúdicas em sala de aula? Como se joga na classe? Finalmente, a partir dos resultados obtidos, posso afirmar que a introdução de jogos e atividades lúdicas no cotidiano escolar mostrou-se muito relevante, devido à influência que exercem frente aos alunos, pois quando eles estão envolvidos emocionalmente na ação, torna-se mais fácil o processo de ensino e aprendizagem.

Rafael Silva é o professor responsável pelo ensino de Química na primeira série do Ensino Médio do Colégio Salesiano Santa Teresinha, referência de ensino na Zona Norte de São Paulo

 

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