Poucos médicos pedem para paciente com câncer parar de fumar

Quando uma pessoa sofre um infarto, uma das primeiras recomendações médicas é parar de fumar. Mas isso não acontece na mesma proporção com relação ao câncer. O cigarro é um dos principais fatores de risco para vários tipos de câncer, como câncer de pulmão, laringe, esôfago, boca e faringe, além de bexiga, pâncreas, rins, fígado, estômago, intestino, colo do útero, ovários, seios da face e nariz, bem como alguns tipos de leucemia. Há evidências, também, de que o fumo aumenta o risco para o câncer de mama. Por outro lado, vários estudos mostram que parar de fumar pode reduzir drasticamente o risco para todos esses tipos de câncer. Sendo assim, quanto mais cedo o indivíduo parar de fumar, melhor para sua saúde.

Estudo realizado na Universidade de Birmingham (Reino Unido) e publicado em Annals of Family Medicine pela doutora Amanda Farley revela que, comparados com pacientes com doença coronariana, os pacientes com câncer não costumam ser alertados sobre a importância de parar de fumar. Com isso, depois de um ano do diagnóstico da doença, 61,7% dos indivíduos com câncer ainda fumavam. Segundo estudos atuais do British Doctors, parar de fumar antes dos 30 anos significa uma expectativa de vida muito similar àquela de quem nunca fumou. Mesmo quem abandona o vício depois dos 60 anos de idade ganha alguns anos a mais de vida em relação aos que continuaram fumando. Sendo assim, não se justifica essa falta de incentivo para parar de fumar.

Parar de fumar pode reduzir risco de câncer de próstata

De acordo com Arnaldo Cividanes, médico urologista e diretor técnico do Hospital SAHA, em São Paulo, estudos que relacionam cigarro com risco aumentado para câncer de próstata ainda são pouco consistentes. Ainda assim, não se pode negar essa associação. “Fumantes pesados, que são aqueles que fumam há mais de 40 anos ou ainda quem fuma mais de um maço de cigarros por dia, têm entre 40% e 60%  mais chances de ter câncer de próstata em sua forma mais agressiva. Geralmente é aquela pessoa que acende um cigarro assim que acorda e não vai para a cama antes de dar uma última tragada – ainda que esteja doente. Aqueles que são orientados e conseguem se livrar desse vício podem reduzir os riscos para a doença depois de dez anos livre de nicotina no organismo. Daí a importância da prevenção – que inclui não só orientar o paciente a fazer exame de toque e PSA depois dos 40 anos, mas estabelecer estratégias para quem fuma poder se livrar desse vício”.