Dicas para amenizar ruídos dos apartamentos vizinhos

A verticalização do espaço urbano traz diversas praticidades, porém também tem suas mazelas, do ponto de vista dos moradores. Entre elas, o vazamento de sons internos e propagação de sons externos, sejam da rua ou de apartamentos vizinhos, para dentro de seu próprio lar. O arquiteto Maurício Ruoppoli, que integra o trio Oficina 11.11, escritório localizado em São Paulo, relaciona algumas técnicas que podem ser empregadas para minimizar esses incômodos:

Como diminuir os sons de piso do apartamento acima?

Para amenizá-los, caso sejam de impacto, como saltos ou elementos que caiam no chão, não há nada que seja realmente efetivo que se possa fazer no andar de baixo. O próprio vizinho do andar de cima, no entanto, pode utilizar, sob o contrapiso, uma manta para isolamento acústico bem como optar por pisos de materiais resilientes e mais macios como o piso vinílico, por exemplo.

Há algo que possa ser feito no teto para atenuar os sons do apartamento de cima, além dos ruídos de piso?

O profissional explica que, para amenizar sons produzidos pelo vizinho de cima, o morador pode utilizar um forro com manta acústica (lã de rocha ou lã de vidro) no entreforro (entre o teto e o forro criado). Deve-se ter cuidado com as pontes acústicas, tais como as luminárias, estarão inseridas. Tabicas perfuradas (e não vedadas) também podem ser prejudiciais para o isolamento.

Vale lembrar que este tipo de isolamento não será eficaz contra impactos como saltos que “batem” no chão ou objetos que caiam nele. Quando existe uma batida, o som caminha pela estrutura do prédio, percorrem da laje para as vigas e paredes e, neste caso, driblam este novo forro.

O que fazer para minimizar sons de batidas nas paredes?

O ideal é criar camadas separadas da parede que recebe o impacto. Desta forma, o som tem que mudar de meio e acaba sendo atenuado. Isso pode ser feito, por exemplo, com uma parede de drywall em que os montantes não sejam parafusados diretamente na parede de divisa com o vizinho. Estes montantes devem ficar separados dela, constituindo um vão e evitando a criação de pontes acústicas.

Outro atenuante seria a utilização de materiais isolantes, como lã de rocha ou lã de vidro, entre estas duas paredes e até o uso de chapas duplas de drywall na confecção deste complemento da parede existente. Caixas de tomadas e interruptores também podem ser pontes acústicas e devem ser isoladas com poliuretano expandido, por exemplo.

 

Quais revestimentos podem ser usados para blindar portas e paredes?

Uma massa muito densa, tal qual uma parede muito espessa e de material rígido, como o concreto, seria um bom isolante para sons, mas já não funcionaria bem para impactos e batidas diretamente na parede.

Desta forma, o tratamento com a criação de novas camadas separadas seria a melhor solução para os dois tipos de ruído (por impacto e de sons que venham pelo ar). Quanto mais camadas e maior a espessura delas, melhor o desempenho do isolamento. É necessário que as camadas intercalem materiais distintos para que o som seja atenuado na transferência de uma camada para a outra.

No caso das portas, pode-se começar vedando as frestas com jogos de borrachas, que são vendidas no mercado, para serem aplicados entre os batentes e a folha. Existem também dispositivos que vedam o vão entre a folha da porta e o chão.

Se a folha da porta for sólida, e não oca por dentro como as convencionais, a eficiência no isolamento acústico melhora. Porém, uma boa solução seria o uso de folhas duplas com uma câmara intermediária. “Seria um batente com uma folha de porta abrindo para cada lado. Desta forma, cria-se uma câmara de ar entre as duas”, explica Maurício.

 

Qual a espessura ideal do vidro da janela para se evitar ruídos externos?

O arquiteto da Oficina 11.11 explica que para vedar a entrada de som em janelas, é interessante optar caixilhos com tratamento acústico. Os melhores são os de PVC ou de alumínio, com materiais isolantes dentro dos perfis e com as frestas vedadas com borrachas. Os vidros utilizados neste tipo de esquadria, para melhor isolamento, seriam os vidros insulados duplos ou triplos. Nestes, cria-se uma camada entre as lâminas de vidro com um gás especial que evita que umidade se acumule entre as placas.

A principal preocupação não é a espessura dos vidros, mas sim a diferença entre as espessuras de cada camada. Por exemplo, pode-se usar uma das placas de 6mm e a outra de 8mm. Já o vidro temperado simples seria o pior isolante, pois é mais rígido que os outros e transmite melhor o som. Uma solução intermediária seria o uso dos vidros laminados.

O PVB (polivinilbutiral), material usado entre as placas, é um material resiliente que ajuda a isolar o som. Novamente, podem-se adotar diferentes espessuras de placas na composição deste vidro laminado visando a melhoria da eficiência acústica.

 

Qual a diferença entre isolamento acústico e tratamento acústico?

Tratamento acústico refere-se ao aumento da qualidade do som dentro do próprio ambiente. Para tratar o ambiente acusticamente, tenta-se minimizar a reverberação do som, que causa ruído e diminui a capacidade de compreensão do que se está falando, por exemplo. Para isto, podem ser usados nos revestimentos, nos móveis e elementos decorativos, materiais mais macios como tecidos, tapetes, cortinas, ou até materiais com superfície irregular, como tijolos aparentes.