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Programa de Melhoramento Genético Uvas do Brasil faz 40 anos

Alta produtividade, resistência a pragas e doenças e adaptação a diferentes condições climáticas no Brasil. Esse é o resultado das cultivares de uvas desenvolvidas pelo Programa de Melhoramento Genético “Uvas do Brasil”, da Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves, RS), cujos 40 anos foram celebrados na terça-feira (6).

Na abertura do evento estiveram presentes autoridades municipais, estaduais e de Institutos de ensino e pesquisa. O pesquisador aposentado Umberto Almeida Camargo, um dos criadores do programa, foi homenageado e agradeceu a homenagem: “Conseguimos formar uma equipe de excelente qualidade, muito bem preparada e, acima de tudo, muito dedicada. Graças a tudo isso, conseguimos depois de 40 anos ter um grande número de variedades lançadas de uva, uma cultura perene que demanda tempo para avaliar e validar os genótipos. Não se tem dúvida de que muita coisa foi feita. Isso é mérito de toda uma equipe, não só de pesquisa, como técnicos, pessoal administrativo, funcionários de campo que nos deram todo apoio e chefias que nos garantiram uma retaguarda e de recursos que permitiram fazer todo esse trabalho”.

Um dos destaques da cerimônia foi a presença da produtora Lorena Carissimi Tomasin, que deu nome à cultivar de uva branca BRS Lorena. Os ensaios de validação foram feitos em sua propriedade. “Fui uma das primeiras produtoras que cultivou essa uva em Pinto Bandeira, em 1999. É uma uva bonita, doce, gostosa. A gente entregava para a Cooperativa Aurora”, lembrou. A pesquisadora e coordenadora do programa, Patricia Ritschel, falou sobre a iniciativa e também sobre o Banco Ativo de Germoplasma de Uva agora disponibilizado na internet com informações sobre as características da uva, flor, cacho, produção, baga, características químicas e incidência de doenças. Em seguida, o público constituído de produtores, pesquisadores, instituições de extensão rural e assistência técnica e parceiros se dividiu em cinco estações, onde houve apresentação das mudas de qualidade de videira, das seleções/cultivares de uva de mesa desenvolvidas pela Embrapa cultivadas sob cobertura plástica, dos clones de Moscato Branco para redução de podridão dos cachos, de sucos elaborados com seleções e cultivares originários do programa de melhoramento e do banco de germoplasma.

De acordo com o pesquisador João Dimas Maia, um dos coordenadores do programa, o mercado das uvas pede cada vez mais variedades tolerantes a doenças, para se diminuir o uso de fungicidas; mais graúdas, que dependam menos de reguladores de crescimento, variedades que expressam melhor a cor, diminuindo o uso de hormônios e variedades com manejo mais simples, que tenham cachos mais soltos. “Variedades mais resistentes vão trazer benefícios para os operadores, menos riscos de aplicação para o meio ambiente, onde estão inseridas essas plantações, e menor risco de resíduo para o consumidor brasileiro”.

Jackson Souza Lopes, engenheiro agrônomo e produtor de uvas em Petrolina (PE) trabalha com as variedades BRS Isis e BRS Vitória além de prestar serviços em algumas fazendas que cultivam a BRS Núbia. As cultivares são bastante produtivas, com duas safras por ano, o que significa uvas de mesa o ano todo. Ele conta que a BRS Vitória produz em torno de 40 a 50 toneladas por hectare em dois ciclos – algumas áreas chegam a 60 toneladas. A BRS Isis é um pouco mais produtiva, com uma média de 60 toneladas por ano, com algumas áreas chegando a 80 toneladas, em duas safras. “Já a BRS Núbia, apesar de a baga ser grande e pesar mais, tem um problema de fertilidade de gema. Por isso, sua produtividade não é tão elevada, tem ficado em torno de 45 toneladas por ano”, afirma Lopes.

Para o pequeno produtor Jair Fernando Freiberg, de Alto Feliz (RS), que produz as variedades BRS Isis, BRS Magna, BRS Vitória e BRS Núbia, “o principal benefício das cultivares da Embrapa é a genética melhorada. Consigo ver um resultado bom em termos de açúcar e cor. A presença das variedades da Embrapa virou um atrativo a mais para o público que vem degustar e comprar essas uvas de mesa, pedindo a uva preta sem semente, a Vitória”.

Segundo o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, o programa de melhoramento genético é fundamental para a competitividade e sustentabilidade do segmento de uvas de mesa, sucos de uva e vinhos do Brasil. Os mercados, os produtores e a agroindústria terão novas demandas – por isso, disponibilizar novas variedades de uvas será fundamental. “Além de propiciar variedades mais produtivas, adaptadas aos diferentes climas e solos, mais resistentes a pragas e doenças, será através do melhoramento que poderemos desenvolver as uvas para o futuro. O sucesso da BRS Vitória, que apresentou sabor inédito no mercado europeu, ilustra bem a importância desse trabalho”.

Apresentação de cultivares de uva de mesa – Foto: Francisca Canovas

Exposição

No final do evento foi inaugurada a Exposição Histórica sobre o Programa de Melhoramento, no Espaço Cultural da Biblioteca, resultado da parceria entre a Embrapa Uva e Vinho e a Universidade de Caxias do Sul (UCS), retratando a história da viticultura na região Serra Gaúcha. O Instituto Memória História Cultural da UCS fez o empréstimo da exposição para Embrapa, que registra a história da antiga Estação Experimental de Enologia e Viticultura de Caxias do Sul.

Para o professor Anthony Beux Tessari, diretor do Instituto Memória História Cultural da UCS, “a estação foi fundamental para o desenvolvimento econômico e social da região, não só de Caxias do Sul como da Serra Gaúcha. Hoje a Embrapa continua esse trabalho. É através dessa mostra fotográfica que se conta um pouco dessa história e do desenvolvimento da nossa região, do nosso estado”.

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