OMS diz que 500 pessoas foram feridas em supostos ataques químicos na Síria

sta mãe é uma deslocada interna síria e sua família foi forçada a fugir devido aos bombardeios em Ghouta Oriental - Foto: UNHCR/Bassam Diab

A Síria registrou a morte de mais de 70 pessoas em Duma, que estavam abrigadas em porões. Desses óbitos, 43 foram causados por sintomas associados à contaminação com a armas químicas. A informação consta de um comunicado da Organização Mundial da Saúde, OMS, divulgado nesta quarta-feira (11). A agência da ONU baseia-se em notificações recebidas de parceiros de um grupo de saúde após um ataque, realizado no sábado, em Duma, perto da capital síria Damasco.

Resolução

A OMS informou que 500 pessoas procuraram centros de atendimento exibindo sintomas de exposição a elementos químicos e tóxicos. Os pacientes tinham irritação das membranas mucosas, falhas respiratórias e descontrole do sistema nervoso. Dois postos de saúde também foram afetados pelos ataques químicos.

A OMS lembrou a todos os envolvidos na guerra na Síria que a resolução 2286 do Conselho de Segurança proíbe instalações de saúde de serem atacadas. O vice-diretor-geral da agência para Preparação e Resposta de Emergência, Peter Salama, disse que todos deveriam estar indignados com os terríveis relatos e imagens de Duma.

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Nikki Haley (na tela), embaixadora dos Estados Unidos na ONU, durante reunião do Conselho de Segurança – Foto: ONU/Mark Garten

Conselho de Segurança

A OMS está providenciando medicamentos e material de proteção além de apoio psicológico para os afetados. Outros serviços como vacinas, tratamento pré-natal e de vigilância de saúde estão sendo colocados à disposição dos moradores de Ghouta Oriental. O suposto ataque com armas químicas em Duma foi o tema de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, na tarde de terça-feira, em Nova Iorque.

Após três votações de textos de resolução sobre o tema, o Conselho não conseguiu consenso para aprovar nenhum documento. O Conselho votou primeiro a resolução proposta pelos Estados Unidos, que pretendia criar um novo mecanismo independente para investigar o ataque e apurar responsabilidades. O texto teve 12 votos a favor. A Bolívia votou contra, junto com a Rússia, que tem poder de veto. A China absteve-se.

Investigação

A segunda resolução, proposta pela Rússia, também pedia uma investigação sobre o caso, mas solicitava que o resultado fosse apresentado ao Conselho de Segurança, que deveria decidir sobre o responsável.

Esta proposta teve apenas seis votos favoráveis. Sete Estados-membros votaram contra, incluindo os Estados Unidos. Dois países abstiveram-se. O objetivo das duas resoluções era criar um substituto para o Mecanismo de Investigação Conjunto ONU e Organização para a Proibição de Armas Químicas, Opaq, na Síria. O mandato deste mecanismo expirou em novembro do ano passado e o Conselho de Segurança não aprovou a sua renovação. Um terceiro texto, proposto também pela Rússia, pedia que fosse enviada uma missão da Opaq para o terreno.

O texto também não reuniu apoio suficiente, tendo cinco países votado contra, quatro a favor, e seis abstendo-se. Nesta quarta-feira, o porta-voz do secretário-geral informou no briefing diário a jornalistas em Nova Iorque, que 4 mil pessoas, mais da metade delas eram mulheres e crianças, estavam sob cerco em Duma.

Um comboio transportando 4395 pessoas, a maioria civis e alguns combatentes, chegaram à parte rural dde Apelo na terça-feira, e foram levadas ao acampamento de deslocados internos Al-Bil. Estima-se que mais de 150 mil pessoas saíram de Ghouta Oriental desde 9 de março. Mais de 58 mil moradores, a maioria civis, foram evacuados da região nas últimas semanas.