Saúde

Quando lúpus atinge os rins, diálise pode ser opção

A cantora norte-americana Selena Gomez surpreendeu o mundo este mês com a notícia de que realizou transplante de rim. O procedimento aconteceu como forma de tratar a doença renal provocada pelo lúpus, doença inflamatória autoimune que ela descobriu em 2015 e pode também afetar pele, articulações, cérebro e demais órgãos. No caso de Selena, o lúpus atingiu gravemente seus rins. Cerca de 50% dos acometidos pela forma sistêmica da doença podem apresentar problemas nos rins em diversos graus de gravidade.

A nefrologista Ana Beatriz Barra, gerente médica da Fresenius Medical Care, explica que o lúpus é raro e em termos de doença renal crônica responsável por menos de 1% dos casos, junto com outras patologias que causam falência renal. Nestes casos, o transplante não costuma ser uma abordagem inicial comum, pois nem sempre é possível, disponível ou mesmo desejável. Nestes casos a diálise é a opção de terapia substitutiva da função renal.

“Nem sempre o transplante é possível, quer seja pela disponibilidade de um doador, quer seja pelas condições clínicas do paciente. E também pode acontecer de não ser desejado pelo paciente; especialmente pelos muito idosos ou por aqueles que por algum motivo temem o procedimento. Hoje o paciente em diálise pode ter uma boa qualidade de de vida, ser produtivo, manter suas atividades e concretizar sonhos. É importante esclarecer isso. O transplante é maravilhoso. Tem a grande vantagem de oferecer maior liberdade, uma vida o mais próxima possível da normal. Mas o paciente que não tem esta oportunidade também pode viver bem, mesmo que não seja transplantado. Uma boa avaliação médica deve observar as características clínicas, psicológicas e de estilo de vida de cada paciente para decidir o melhor tratamento”, explica a médica Ana Beatriz Barra.

Para quem não sabe o rim é o único órgão que pode ter sua função substituída por um equipamento, que faz a filtração do sangue, em procedimentos que duram até quatro horas, com a periodicidade de três a seis vezes por semana. A dra. Ana Beatriz Barra destaca que com a evolução das terapias existentes, o paciente renal tem conseguido obter uma boa qualidade de vida.

“Acaba de chegar ao Brasil uma nova terapia que renova a esperança dos doentes renais: a hemodiafiltração de alto volume, também conhecida como High Volume HDF. Esta terapia se diferencia da hemodiálise porque permite uma melhor remoção de toxinas, que são nocivas para o organismo e não eram removidas de forma adequada pela hemodiálise. Estudos científicos demonstram que com este tratamento, o paciente é menos hospitalizado, tem uma melhor qualidade de vida e menor mortalidade”, explica a nefrologista.

Na Europa, cerca de 20% dos pacientes em diálise realizam HDF de alto volume, que é reconhecida como a modalidade de tratamento de diálise mais eficaz e que mais se aproxima da função do rim natural. Em Portugal, por exemplo, 60% de todos os pacientes em diálise realizam a terapia High Volume HDF que está agora chegando ao Brasil, trazida pela Fresenius Medical Care. Lá são 32 hospital públicos e 92 clínicas privadas oferecendo a terapia – em 93% dos casos os equipamentos são da Fresenius.

Os benefícios da HDF de alto volume são:

– Redução do risco de queda da pressão arterial durante a diálise

– Mais disposição para as atividades diárias e melhor qualidade de vida

– Redução de episódios de internação

– Melhor sobrevida

Estudos que comprovam a eficiência do tratamento – O maior estudo sobre esta terapia foi realizado na Espanha, encomendado pelo governo da Catalunha (Estudo ESHOL), com 906 pacientes, sendo destes 450 em hemodiálise e 456 em hemodiafiltração de alto volume, e acompanhados por 36 meses. Os resultados demonstraram 30 % de redução da mortalidade por todas as causas, 22% de redução de risco de todas as causas de hospitalização e 28% de redução do risco de incidência de episódios de hipotensão (pressão baixa) durante o tratamento.

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