Epilepsia rolândica é o tipo mais comum na infância

A epilepsia é um dos transtornos neurológicos de maior prevalência no mundo. Só no Brasil, aproximadamente 3 milhões de pessoas sofrem com crises convulsivas. Ao redor do globo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são mais de 50 milhões de afetados. Ela vem em “diferentes tamanhos e formas”, quer dizer, há diversos tipos de epilepsia, com gravidade e sintomas que vão desde uma breve ausência – é como se a pessoa “desligasse” por alguns segundos – à perda total de consciência.

Essa grande variedade de sintomas tem a ver com a extensão do cérebro que é comprometida – de um pequeno grupo de neurônios de determinadas áreas (a chamada epilepsia focal) a um grande grupo deles, em ambos os hemisférios cerebrais, daí essas epilepsias serem conhecidas como generalizadas.

A mais comum na infância
De todos os tipos de epilepsia focal, a mais estudada e frequente é a rolândica. Segundo a neuropediatra, Dra. Andrea Weinmann, do Centro Neurológico Weinmann, esse é o tipo mais comum de desordem epiléptica da infância, afetando entre 15% e 25% das crianças com o distúrbio.

“As causas ainda não são conhecidas, mas sabe-se que há um forte componente genético, isto é, crianças com um irmão, irmã ou membro da família com o problema têm maior chance de vir a tê-lo. Também não se sabe porque, mas a epilepsia rolândica acomete duas vezes mais meninos do que meninas”, conta.

Confira, a seguir, algumas questões que toda família deveria saber acerca da epilepsia rolândica (ER), respondidas com a ajuda da Dra. Andrea, especialista em Epilepsia.

 1. O que é?
A epilepsia rolândica também é chamada de epilepsia rolândica benigna ou – num termo mais moderno, porém complicado – de epilepsia FOCAL benigna da infância com descargas centrotemporais. Rolândica porque afeta uma área do cérebro chamada de fissura de Rolando, responsável pelo controle motor e sensitivo da face e da faringe. Benigna porque, na maioria dos casos, ela entra em remissão na adolescência. Algumas teorias apontam que o desaparecimento das convulsões na adolescência estaria ligado ao amadurecimento do cérebro.

2. Quando os primeiros sintomas aparecem?
Geralmente, a primeira convulsão aparece entre os 4 e os 10 anos de idade e some totalmente em torno dos 16 anos. Entretanto, as crises típicas não são tão frequentes como em outros tipos de epilepsia. “A maioria das crianças com ER não tem do que cinco a seis episódios de convulsão durante a vida. Uma pequeníssima fração pode ter centenas de episódios”, esclarece Dra. Andrea.

3. Como é a convulsão?
A convulsão em uma criança com epilepsia rolândica difere bastante da crise epiléptica mais conhecida (e estigmatizada), aquela que leva o paciente a sofrer com tremores no corpo, salivar bastante, chegar a cair e até a perder a consciência. “A crise é bastante curta, geralmente dura menos de dois minutos. Ela normalmente acontece à noite, durante o sono – no início do adormecer ou pouco antes de a criança despertar. Os pequenos acordam, mas não chegam a perder a consciência. Às vezes podem lembrar-se de trechos do que aconteceu.

Como a área do cérebro afetada responde pelo controle sensitivo-motor da face, da boca e da faringe, os sintomas mais evidentes se manifestam nessas regiões. A criança sente um formigamento ou entorpecimento da língua, dos lábios e da bochecha, apresenta tremores e contrações num dos lados do rosto e fica incapaz de engolir e de falar, porque os músculos do trato vocal ficam momentaneamente paralisados. Ela também pode salivar e emitir sons incompreensíveis, por causa da incapacidade temporária de articular palavras.

Secundariamente ocorrer ainda uma convulsão generalizada, em que a criança fica rígida e depois passa a ter movimentos bruscos de braços e pernas. Em outros casos, quando a família percebe, já encontra a criança em crise generalizada, principalmente aquelas que acontecem durante o sono.

Quando a crise é generalizada é preciso manter a calma. Dra. Andrea explique é preciso colocar a criança em superfície macia e esperar a crise passar. Porém, quando a crise passa de cinco minutos é preciso de assistência médica.

4. Como é feito o diagnóstico?
Dra. Andrea afirma que o diagnóstico costuma ser feito depois que a criança tem a primeira crise, mas que, geralmente, outros sintomas, por vezes menos evidentes, podem aparecer bem antes disso. É justamente esse um dos grandes desafios da epilepsia infantil: estar bastante atento aos pequenos e a qualquer distúrbio de comportamento que eles possam ter. “Uma das condições associadas à epilepsia rolândica mais comuns é a dificuldade para aprender a ler. Em alguns casos, a criança também pode apresentar alguns problemas de coordenação, sendo muitas vezes tida como desajeitada”.

5. Como tratar?
Quando as crises são raras ou não causam inconvenientes, o tratamento pode não ser necessário. Mas, o médico irá avaliar a caso a caso e discutir a terapêutica com a família. A especialista chama a atenção sobre ficar de olho na qualidade do sono da criança. “Quando a criança não dorme o suficiente ou o sono é inadequado, a chance de ter crises aumenta muito”.
Se o pequeno apresentar complicações cognitivas, poderá ser necessário fazer um acompanhamento com profissionais especializados. A boa notícia é que nem sempre essas complicações aparecem.