Memorial do Rio Grande do Sul apresenta Africanidades 2017

Inauguração da obra pública Pegada Africana, de Vinícius Vieira, durante a Feira do Livro de 2016, o segundo marco do Percurso Negro em Porto alegre, que busca dar visibilidade à comunidade afro-brasileira – Foto: Rosane Scherer

O projeto Africanidades 2017 será inaugurado na sexta-feira (27), às 18h, no Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre. O projeto apresenta exposição e ciclo de atividades pedagógicas e integra a programação paralela da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, seguindo também como temática na 11ª Bienal do Mercosul. As atividades acontecem na Sala Múltiplos Usos e seguem até 1º de dezembro, com entrada franca.

A mostra pedagógica ‘Africanidades na Escola: o trabalho dos profissionais em educação na aplicação da Lei 10.639/03’ exibe trabalhos de profissionais da Educação Básica, orientados por educadores cujas trajetórias revelam compromisso com o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira. A exposição busca socializar práticas e inspirar outros docentes, além de contribuir para a troca de experiências sobre os processos de ensino/aprendizagem.

A programação do ciclo de atividades pedagógicas ‘Pedagogias Afro-rio-grandenses e Lei 10.639/03: temas, abordagens e metodologias’ oferece ao público a sabedoria Griot – guardiães, intérpretes e cantores da história oral de muitos povos africanos -, além de um conjunto de proposições metodológicas e abordagens didáticas que expressam a cultura e os valores civilizatórios africanos e afro-brasileiros.

O projeto foi concebido por comissão curadora de profissionais da educação, de forma voluntário. O conceito coletivo trouxe para o museu histórico o processo de construção pedagógica do universo escolar. E, com base na Lei 10.639/03, o grupo quer contribuir no enfretamento do racismo estrutural, reconhecendo os fundamentos civilizatórios africanos da sociedade brasileira e estabelecendo as relações étnico-raciais baseadas no respeito da diversidade. Os educadores seguem prática de 2003, quando o professor Arilson dos Santos Gomes iniciou esse trabalho educativo, hoje chamado Africanidades.

Sobre a Lei 10.639/03

A lei propõe novas diretrizes curriculares para o estudo da história e da cultura africana e afro-brasileira. Os educadores devem ressaltar a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade, considerando os negros como sujeitos históricos. Assim, valorizando o pensamento e as ideias de intelectuais negros brasileiros, a cultura (música, culinária, dança, cinema, entre outras) e as religiões de matrizes africanas.

Após a aprovação da lei, o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira garante um novo significado e valorização cultural das matrizes africanas que formam a diversidade cultural brasileira. Nesse sentido, os professores exercem importante papel no processo da luta contra o preconceito e a discriminação racial no Brasil. A norma também instituiu o Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro), em homenagem à morte do líder quilombola negro Zumbi dos Palmares. A data marca a luta contra o preconceito racial no Brasil.

Confira a programação completa em www.feiradolivro-poa.com.br.