Os riscos da endocardite bacteriana

Hoje, 25 de outubro, é comemorado o Dia Nacional de Saúde Bucal. O objetivo da data é conscientizar a população de que escovar bem os dentes ao acordar e logo após as refeições é extremamente importante, pois, além de ajudar a prevenir mau hálito, gengivite, placas bacterianas e cáries, evita também complicações cardíacas. Mas, afinal, qual é a relação entre a saúde bucal e as doenças do coração?

Na boca vivem milhões de bactérias. Para se ter uma ideia, em apenas 1ml de saliva há mais de 150 milhões delas, que podem cair na corrente sanguínea. Se no percurso elas encontrarem tecidos do revestimento interno do coração (miocárdio) danificados ou válvulas cardíacas anormais, podem se multiplicar livremente, causando uma infecção chamada endocardite. Anualmente, são diagnosticados cerca de 150 mil novos casos da doença, acometendo duas vezes mais homens do que mulheres. Destes, cerca de um quarto dos casos acontece entre pessoas com mais de 60 anos. E o principal grupo de risco são pacientes com cardiopatia congênita e os portadores de lesões valvares.

Ao apresentar os primeiros sinais, e considerando a gravidade da doença, o paciente precisa ser internado para iniciar o tratamento, feito à base de antibióticos. “Dor torácica, perda de peso repentina, sangue na urina, febre persistente, fraqueza, frequência cardíaca oscilando entre moderada e acelerada, suor noturno e tosse constante são sintomas clássicos da endocardite que, em 40% dos casos têm origem bucal”, elenca a cirurgiã-dentista Valéria Souza, especialista em cirurgia buco-maxilo-facial do HCor – Hospital do Coração. “Em situações mais graves, há o risco da perda das válvulas cardíacas e infecção generalizada, além de outras consequências como insuficiência cardíaca, AVC e infarto.”

Para ficar longe de qualquer risco, é fundamental manter uma rotina rigorosa de higienização bucal, com o uso frequente de fio dental, limpadores de língua e, ainda, antisséptico bucal. “Gengivas vermelhas, inchadas, que sangram com frequência, dentes sensíveis e mau hálito, consequências da má escovação, são os gatilhos para a infecção”, alerta Dra. Valéria. Se um ou mais sintomas forem frequentes, é hora de procurar um profissional para realizar o tratamento adequado e os exames preventivos. “É importante sempre lembrar que a saúde começa pela boca”, enfatiza.

Medidas preventivas
· Escove os dentes de três a quatro vezes ao dia;
· Troque a escova de dente a cada dois meses;
· Utilize fio dental e antissépticos bucais pelo menos uma vez ao dia;
· Diminua o consumo de alimentos doces;
· Evite o consumo excessivo de frutas ácidas, como laranja e limão;
· Vá ao dentista a cada seis meses;
· Em caso de alguma doença cardíaca pré-existente, procure um especialista.