Porto AlegreRio Grande do SulSão Leopoldo

Sugestões e medidas para melhorar o convívio e o desenvolvimento urbano marcam o FALP

Publicidade

Sugestões e medidas para melhorar o convívio e o desenvolvimento urbano marcam o FALP
Mediado pelo secretário de Habitação de São Leopoldo, Nelson Spolaor, a mesa temática “Direito à cidade: Habitat III e a Nova Agenda Urbana”, levantou uma série de questões sobre o tema, na sexta-feira, 24 de novembro, no segundo dia do Seminário Internacional do Fórum de Autoridades Locais de Periferia (FALP) 2017, em São Leopoldo, no Centro de Eventos. A atividade reuniu o membro da Plataforma Internacional do Direito à Cidade, Rodrigo Iacovini; o ex-prefeito de Porto Alegre, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro das Cidades, Olívio Dutra; o prefeito de San Antonio de Areco, na Argentina, Francisco Durañona e o membro do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Beto Aguiar. Spolaor começou a mediação comentando sobre o panorama das periferias, que hoje em dia comportam 837 Milhões de pessoas no mundo, e que esse quadro pode chegar a 1 Bilhão em 2020, todos sem os principais direitos que outros cidadãos, como os dos grandes centros, tem acesso.

O documento proposto na Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável, realizada em Quito, no Equador, em 2016, foi o norteador do assunto da mesa. Explanando sobre esse assunto, o membro da Plataforma Internacional do Direito à Cidade, Rodrigo Iacovini, explicou que durante a Conferência foram propostos 17 objetivos, divididos em 169 metas, para a agenda global até 2030. De acordo com o site das Nações Unidas (ONU), entre as principais disposições do documento, está a igualdade de oportunidades para todos; o fim da discriminação; a importância das cidades mais limpas; a redução das emissões de carbono; o respeito pleno aos direitos dos refugiados e migrantes; a implementação de melhores iniciativas verdes e de conectividade, entre outras. “A soma da resolução de todos esses problemas mudará a nossa sociedade? Qual é a melhor forma de alcançá-las? Todas essas perguntas são importantes, mas não podemos esquecer que a forma de conquistar todos esses avanços também é de vital importância”, sintetizou Iacovini. A Plataforma Internacional do Direito à Cidade tem a proposta de capacitar governos locais para que conheçam maneiras de desenvolvimentos sustentáveis, hoje, atendendo mais de 200 municípios no Brasil.

Em seguida, foi a vez do prefeito de San Antonio de Areco, na Argentina, Francisco Durañona. O chefe do executivo destacou o potencial que a cidade argentina teria para se desenvolver de maneira que a área rural fosse melhor explorada. Atualmente, 90% dos habitantes do interior migram para as cidades, se transformando em um problema estratégico, pois, segundo Durañona, o recursos naturais estão todos na parte rural da localidade. “Devemos industrializar as áreas rurais, oferecendo emprego, educação e habitação, para que os jovens fiquem por ali e não tenham que se mudar para os centros urbanos” . E também comemorou os 60 novos alunos que a Universidade de San Antonio de Areco irá receber. “Eles são a primeira geração de suas famílias que estará adentrando em uma formação superior. Temos que valorizar isso”. Por fim, citou uma frase do primeiro papa da América Latína, Jorge Mario Bergoglio, conhecido como Papa Francisco. “Como diz o nosso querido Papa, quem fala de paz e não a exerce, está em contradição. Preciso estar condizentes em nossos discursos e ações”, encerrou.

Logo após, o membro do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Beto Aguiar, trouxe números que deixaram os expectadores reflexivos. Ao explicar que a população urbana global se constrói de 20 em 20 anos, alertou que a concentração nas grandes cidades passará de 38% para 55% em 40 anos. Para se ter uma ideia, em 1950, tínhamos 86 cidades no mundo com mais de 1 Milhão de habitantes. Hoje já são 550. “Essa densidade urbana altera diversos aspectos, que influenciam no desenvolvimentos de quem reside nelas”. Apontou. Outro fator foi o da distribuição de renda a nível mundial. “Hoje, oito homens no mundo possuem a mesma riqueza que toda a metade pobre da humanidade. Se levarmos esse número para o Brasil, são seis indivíduos. Atualmente, 1% da população mundial concentra metade de toda a riqueza do planeta”, observou.

Fechando o quadro de membros da mesa,o ex-prefeito de Porto Alegre, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro das Cidades, Olívio Dutra contou sobre a sua experiência no Governo Federal em 2002. Como ministro das Cidades, Dutra comentou que pôde utilizar toda a sua trajetória em movimentos sociais, prefeitura e governo do Estado, para exercer o seu trabalho, promovendo o protagonismo da população, que foi diminuindo nos últimos anos. “Encontros como esses servem para retomarmos esse protagonismo e denunciar que as nossas cidades ainda são reflexos dos primórdios do Brasil, no qual a escravatura demorou tanto para se extinguir e que há resquícios até hoje”, destacou.

O FALP , que vai até o dia 25 de novembro, é uma atividade encabeçada pela Prefeitura Municipal de São Leopoldo e a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em parceria com a Rede FALP.

Foto: Divulgação

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
Fechar

Seu navegador está bloqueando os anúncios deste site.

Todo o conteúdo deste portal é 100% gratuito. Os anúncios que exibimos é a forma de manter este veículo de informação independente e comprometido somente com você leitor.