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Centenário do Cordão da Bola Preta emociona multidão no Rio

“O Bola Preta é o meu bloco desde criança, é especial. Acho que vou chorar muito”, disse a atriz Leandra Leal, antes de subir no carro alegórico – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O centro do Rio de Janeiro foi tomado hoje (10) pela multidão. O Cordão da Bola Preta, o maior e mais antigo bloco da cidade, completa, em 201, os seus 100 anos de história. Desde bem cedo, os foliões já vinham chegando para acompanhar o momento marcante. Mas foi pouco após as 10h da manhã que o presidente do bloco, Pedro Ernesto, anunciou o início do desfile, e os cinco carros de som entraram em movimento na Rua Primeiro de Março. Os organizadores esperavam 1,5 milhões de pessoas.O cortejo teve início com um Parabéns pra você!, seguido de Cidade Maravilhosa, samba que é conhecido como um hino popular do Rio de Janeiro. Já bastante animados, foliões fiéis ao bloco ficaram ainda mais agitados ao início da terceira canção: a Marcha do Cordão da Bola Preta, composta Nelson Barbosa e Vicente Paiva e considerada o hino do bloco. “Quem não chora não mama, segura meu bem a chupeta. Lugar quente é na cama ou então no Bola Preta”, diz o refrão.

Em cima do carro de som, iam distribuindo acenos os famosos que acompanham o Cordão da Bola Preta. A rainha do centésimo desfile é a atriz Cris Vianna. Junto a ela, estavam a cantora Maria Rita, madrinha, e a também atriz Leandra Leal, porta-estandarte há 10 anos. O padrinho é o Neguinho da Beija-Flor.

O Cordão da Bola Preta foi fundado em 1918 e é o último representante remanescente dos antigos cordões carnavalescos que existiam no Rio de Janeiro, no início do século 20. O bloco atravessou os seus 100 anos trazendo uma história de resistência. Já na sua estreia, em uma época de repressão ao carnaval, autoridades policiais chegaram a tentar impedir o desfile.

Rio de Janeiro – O Cordão da Bola Preta, mais antigo bloco em atividade no Rio de Janeiro, faz desfile comemorativo de seu centenário no centro da cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

“A arte muitas vezes é incompreendida. Tudo o que envolve cultura enfrenta, em algum momento, dificuldades, limitações, falta de boa vontade daqueles que podem ajudar. E o Bola Preta nasceu quando o chefe de polícia do Rio de Janeiro não queria permitir a criação de novos cordões. Felizmente, os fundadores peitaram essa decisão absurda”, diz o presidente Pedro Ernesto.

Rio de Janeiro – O Cordão da Bola Preta, mais antigo bloco em atividade no Rio de Janeiro, faz desfile comemorativo de seu centenário no centro da cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Cordão da Bola Preta também sobreviveu a uma época de escassez de blocos de rua. “Na década de 90, havia pouquíssimos blocos e o Bola Preta era praticamente o único que desfilava no centro do Rio de Janeiro. É difícil chegar a 100 anos. Nós chegamos. Passamos alguns momentos de muita dificuldade, mas em nenhum momento nos curvamos”, lembra o presidente.

Segundo ele, a decisão de aquirir um imóvel para instalar a sede própria foi fundamental, já que muitos cordões acabaram por não dar conta de arcar com os aluguéis. O Bola Preta, porém, passou por dificuldades financeiras e sua histórica sede, na Avenida 13 de Maio, foi a leilão em 2007. Mas, há alguns anos, o bloco já tem novo endereço: Rua da Relação, na Lapa.

Outro segredo da longevidade foi o apego à tradição e o compromisso com um dos principais objetivos dos fundadores: preservar a música do carnaval. “Valorizamos as marchinhas, o samba-enredo, e isso faz a nossa potência. O Bola Preta nunca se enveredou por outros ritmos, o que poderia decretar o seu final porque perderia sua identidade”, acrescentou o presidente do bloco.

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