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Pesquisas científicas sobre catástrofes representam apenas 0,22% da produção acadêmica

Apesar da perda de vidas e da devastação econômica em todo o mundo causadas pelas catástrofes naturais e provocadas pelo homem serem cada vez mais frequentes, as pesquisas científicas a respeito de catástrofes ainda representam uma pequena porcentagem da produção acadêmica total do mundo, conforme mostra um estudo realizado pela Elsevier, empresa global de análise de informações especializada em ciência e saúde.

Além disso, os países com as taxas mais elevadas de mortalidade em decorrência de catástrofes tendem a ser países de baixa renda, com baixos níveis de produção acadêmica em âmbito geral e na área de ciências de catástrofes. Já os países com maior produção de pesquisa geral, bem como na área de ciências de catástrofes, tendem a ser países com alta renda, e sustentam as maiores perdas econômicas em decorrência de catástrofes. Estas são algumas das descobertas apresentadas no novo estudo, Uma Perspectiva Global sobre as Ciências de Catástrofes, lançado pela Elsevier.

A Dra. Takako Izumi, professora associada da Universidade de Tohoku, Instituto Internacional de Pesquisas de Ciências de Catástrofes (IRIDeS) e Diretora do Programa de Múltiplos Riscos APRU (APRU Multi-Hazards Program), disse: “O impacto das catástrofes está aumentando, como é possível observar pelas recentes devastações causadas por tempestades, furacões, inundações e terremotos nos EUA, no México e na região do Caribe. A ciência desempenha uma função crucial no gerenciamento de catástrofes. No entanto, as descobertas nem sempre são convertidas com sucesso em ações práticas satisfatórias. É essencial que fortaleçamos a colaboração entre pesquisadores, profissionais da área e formuladores de políticas, de modo a entender melhor as necessidades locais e realizar pesquisas em colaboração com países particularmente vulneráveis a riscos de catástrofes”.

A Dra. Izumi é um dos 10 especialistas que estão oferecendo sua experiência para contextualização da metodologia e dos dados apresentados no relatório. Com base nos dados do Scopus, o estudo analisa mais de 27.000 artigos técnicos sobre ciências de catástrofes publicados entre 2012 e 2016. Ele fornece uma visão geral baseada em evidências sobre a área de ciências de catástrofes, e oferece insights que podem ajudar a informar os formadores de políticas e tomadores de decisões, de modo a possibilitar a melhora da resiliência à catástrofe, tanto em âmbito local quanto global.

Os resultados são enquadrados em torno de medidas de atividade de pesquisa (produção, impacto e especialização) na área de Ciências de Catástrofes, bem como em cada uma das quatro etapas do gerenciamento de risco de catástrofes: prevenção, preparação, resposta e recuperação; e nos dez tipos de catástrofe definidos pelo Global Sendai Framework for Disaster Risk Reduction aprovado por 187 Estados membros das Nações Unidas em 2015₁.

Dentre os países que fizeram parte da comparação realizada pelo relatório, estão: Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, México, Reino Unido e Estados Unidos.

Conclusões fundamentais gerais (de 2012 a 2016):

Havia 27.273 publicações acadêmicas abrangendo a área de ciências de catástrofes, o que representa 0,22% de toda a produção acadêmica global
Há mais produções acadêmicas nas etapas de gerenciamento de catástrofes de prevenção (17.598) e prontidão (15.125), do que de resposta (11.623) e recuperação (3.671)
Dentre todos os 10 tipos de catástrofe classificados, a produção acadêmica sobre catástrofes geofísicas é a maior, com 9.571 publicações
Os tipos de catástrofes geofísicas (9.571), meteorológicas (6.767), químicas e radiológicas (6.445) e hidrológicas (6.237) possuem, juntas, mais de 5.000 publicações
Entre os 10 países que fizeram parte da comparação realizada pelo relatório (de 2012 a 2016):

  • A China é o país que publica a maior parte dos artigos na área de ciências de catástrofes em geral (6.301), bem como na seguinte etapa do gerenciamento de riscos de catástrofes: prevenção (4.416).
  • Os Estados Unidos são o país que publica a maior parte dos artigos sobre as seguintes etapas do gerenciamento de riscos de catástrofes: preparação (3.677), resposta (3.312) e recuperação (1.056)
  • O Japão sofre a maior perda econômica resultante de catástrofes em relação ao seu PIB, e tem o maior índice relativo de atividade de pesquisa na área de ciências de catástrofes (isto é, 0,66% da produção de pesquisas do Japão são enquadradas na área de ciências de catástrofes, o que representa um índice três vezes maior do que a produção mundial nesta área, que é de 0,22%)
  • O México e o Brasil têm o maior impacto nas pesquisas da área de ciências de catástrofes devido a suas colaborações internacionais em larga escala (8,93 e 2,94, respectivamente), seguidos por França (2,53), Alemanha (1,96), Itália (2,44) e Reino Unido (2,11)

Este relatório faz parte dos esforços contínuos da Elsevier para apoiar os SDGs da ONU, tendo sido lançado em sequência aos relatórios Sustentabilidade no cenário mundial de pesquisas (Sustainability in the Global Research Landscape) e O gênero no cenário mundial de pesquisas (Gender in the Global Research Landscape), bem como suas contribuições para a Central de Recursos de SDG do RELX Group (RELX Group SDG Resource Center).

O relatório é baseado nos dados do Scopus da Elsevier, complementados com dados do Relatório de Avaliação Global da Redução dos Riscos de Catástrofes de 2015 (The Global Assessment Report on Disaster Risk Reduction Cycle 2015), do Relatório de Catástrofes do IFRC de 2015 (The IFRC 2015 Disaster Report) e de outras fontes, como o Banco Mundial e o Livro de Dados Estatísticos de Taiwan.

₁ A ONU facilitou a adoção do Sendai Framework for Disaster Risk Reduction 2015-2030 por 187 Estados membros. A estrutura exige um papel mais forte para a ciência e a tecnologia na redução prática dos riscos e no apoio à resposta e à recuperação após catástrofes. A Estrutura Sendai vincula a pesquisa às principais prioridades, incluindo a compreensão das causas das catástrofes, o investimento em resiliência e o fortalecimento da governança. Os dez tipos de catástrofes, conforme definido pela Estrutura Sendai, são: Geofísica, Meteorológica, Química e Radiológica, Hidrológica, Biológica, Climatológica, Tecnológica, Ambiental, de Transporte e Extra Terrestres.