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Fiocruz inicia parceria para pesquisas na Antártica

Segundo o coordenador do projeto e pesquisador da Fiocruz, Wim Degrave, as interligações e os impactos dos ricos e variados ecossistemas da Antártica sobre a saúde dos animais, dos visitantes ou sobre o próprio continente e a América do Sul ainda são pouco estudados. “O projeto da Fiocruz vai buscar identificar novos patógenos e patógenos conhecidos com potencial impacto sobre os ecossistemas locais ou nos outros continentes próximos, entre vírus, bactérias, fungos e helmintos, bem como avaliar a diversidade genética, virulência e capacidade metabólica e genômica dos microorganismos e vírus isolados”, explica Degrave.

O resultado do edital representa o início de uma longa história da instituição no continente gelado. Além de ter o projeto aprovado, a Fiocruz foi convidada a ocupar um dos 17 laboratórios da nova Base Comandante Ferraz, que deverá ser reinaugurada pelo governo brasileiro na Antártica em março de 2019. O convite aconteceu em reunião realizada com a presença da presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima, o secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm), da Marinha do Brasil, Contra-Almirante Sergio Gago Guida, o Coordenador Geral de Oceanos, Antártica e Geociências, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Andrei Polejack, além de pesquisadores de diversas áreas da Fiocruz.

O convite inaugura uma inédita e importante frente de trabalho para a Fiocruz na Antártica, uma parceria que se inicia entre a Fundação e a Secretaria da CIRM e a Coordenação Geral de Oceanos, Antártica e Geociências, do MCTIC.

A presidente da Fiocruz afirmou estar emocionada em fazer parte de um projeto tão estratégico para o país. “A parceria com a Marinha para pesquisas na Antártica tem muitas potencialidades, como a ampliação de uma visão integrada de saúde e ambiente, além da possibilidade de fazer um mapeamento de risco de saúde. Mas talvez a maior delas seja o potencial biotecnológico que as pesquisas realizadas no continente têm. Estamos iniciando uma parceria para a defesa de um projeto estratégico de país para as futuras gerações”, destacou Nísia Trindade Lima.

Segundo Polejack, o motivo principal de buscar uma parceria com a Fiocruz é poder compreender o ambiente extremo e o que ele vem gerando na evolução biológica, bem como avançar na discussão sobre bioprospecção marinha. Durante o encontro, foram abertas possibilidades de pesquisa em diversas frentes, como novos usos da biodiversidade marinha, biotecnologia, saúde humana e animal, biorremediação, saúde ambiental, microbiodiversidade e potenciais impactos dos ecossistemas na saúde humana e animal.

Segundo o Almirante Guida, o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) tem um viés geoestratégico para o Brasil, considerando que o território brasileiro é o sexto mais próximo da Antártica, uma região de extrema relevância para o futuro do planeta. A nova base, com 4,5 mil metros quadrados, possui modernas instalações e uma vista privilegiada para a geleira azulada Wanda. É composta por 226 contêineres e ultrafreezers para armazenamento de amostras coletadas pelos pesquisadores do Proantar, que desde 1982 desenvolvem pesquisas em áreas como oceanografia e biologia. A nova estação poderá abrigar até 65 pessoas.

A Fiocruz foi convidada ainda a participar de dois comitês instituídos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações: o Comitê de Ciências do Mar, que assessora o ministro na execução de medidas que culminem na aprovação de uma Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Mar e em seus desdobramentos; e o Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas, que trata das atividades e interesses científicos e tecnológicos na Antártica e propõe normas e diretrizes no âmbito do Programa Antártico Brasileiro.

A convite do Proantar, a presidente Nísia Trindade Lima esteve este mês na Antártica pela primeira vez para visitar as futuras instalações da nova Base Comandante Ferraz.

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