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Macron pede salário mínimo igual para toda União Europeia

Mudanças fundamentais no mundo do trabalho, incluindo um mesmo salário mínimo para toda a União Europeia, são necessárias para responder à crescente lacuna entre ricos e pobres, afirmou na terça-feira (11) o presidente da França, Emmanuel Macron.

Em discurso de 45 minutos na conferência de centenário da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, Macron insistiu que o acúmulo de riqueza nas mãos de poucos com a globalização criou uma “lei da selva”, que abriu as portas para o nacionalismo perigoso, a xenofobia e a desilusão com a democracia. “Esta economia de mercado na qual estamos vivendo é muito menos social do que gostaríamos no final da Segunda Guerra Mundial. Isto está levando a muito mais acúmulo de renda e corporativismo”, afirmou.

“Esta é uma crise que pode parecer menos grave porque as vítimas não têm tanta voz – elas estão espalhadas, não unidas – e ainda não vimos uma guerra saindo disto, mas a crise está lá.”

Insistindo que o mundo enfrenta “uma crise profunda” em pé de igualdade com a incerteza pós-conflito de 1919 e 1944, o presidente francês alertou que em tais situações o autoritarismo parece oferecer soluções fáceis, como a construção de muros para proteger pessoas do capitalismo crescente e o fim de cooperação entre países.

Em defesa da solidariedade internacional e da luta contra desigualdades, Macron pediu um mesmo salário mínimo para toda a União Europeia. Segundo ele, não fazê-lo gerará risco de que mais trabalhadores de Estados da UE deixem seus países para trabalhar em outros membros do bloco, onde há um salário mínimo garantido, como na França e na Alemanha.

“Não criamos a Europa para isso”, disse Macron, destacando que o acordo econômico funcionou bem para a França, mas não para os países de onde trabalhadores vieram. Antes do discurso do presidente francês, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, elogiou o princípio da OIT segundo o qual a função de uma economia é “servir o povo, e não o contrário”.

Elogiando a OIT por seus esforços para transformar o mundo do trabalho em um lugar mais justo desde sua fundação, após a Primeira Guerra Mundial, Merkel enfatizou que esse mandato é mais necessário do que nunca.

A questão do trabalho infantil é um caso de destaque, afirmou, lembrando que das 152 milhões de crianças forçadas a trabalhar globalmente, em torno de 73 milhões estão envolvidas em atividades perigosas. “Isso é certamente inaceitável e temos que responder juntos”, disse a delegados, pedindo apoio à iniciativa da OIT para acabar com trabalho infantil globalmente até 2025.

“Neste mundo intimamente integrado e interconectado, precisamos fazer mais de esforços para transformar crescimento econômico em progresso social, no qual todos – e também crianças – participam”.

A globalização também criou injustiças, que fizeram com que 232 milhões de migrantes fossem explorados em setores como construção e serviços domésticos, afirmou a chanceler alemã. Junto a isso, há 700 milhões de pessoas que vivem na pobreza apesar de estarem trabalhando.

“Trabalho não é uma commodity”, disse Merkel, lendo uma declaração da OIT escrita em 1944. “A pobreza em algum lugar constitui um perigo à prosperidade em todos os lugares”.

Ecoando a importância de continuar cooperação entre Estados, o primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, relembrou o “fim sombrio” da Liga das Nações por conta da Segunda Guerra Mundial, antes de insistir que a arquitetura internacional é “muito frágil”.

É necessário um entendimento comum sobre os desafios no ambiente de trabalho contemporâneo, sugeriu Medvedev, destacando a tecnologia de carros autônomos atualmente em desenvolvimento, que gera o risco de deixar milhões de motoristas sem empregos.

Relembrando a própria experiência russa com revolução há mais de 100 anos, Medvedev destacou que responder às necessidades de trabalhadores e às demandas da sociedade é crucial e que ignorá-las “leva a ramificações lamentáveis”. O mesmo serve para Estados, acrescentou, assim como para a economia global e o sistema global de relações em geral.

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