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CDL POA estima que R$ 655,28 milhões, decorrentes das medidas do Governo Federal, deverão ser destinados ao pagamento de dívidas no RS

O valor representa 9,5% do montante de R$ 6,864 bilhões, calculado pela CDL POA, que devem circular no Estado até o fim do ano

Entre as políticas anunciadas pelo Programa Renda e Oportunidade (PRO), lançado pelo Governo Federal, está a liberação para que cerca de 40 milhões de trabalhadores da iniciativa privada retirem até R$ 1.000 do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço/FGTS (MP 1.105).

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Além disso, foi autorizada a antecipação do 13º de aposentados e pensionistas do INSS para as folhas de abril e maio — benefício que seria depositado apenas no segundo semestre, entre agosto e novembro.

De acordo com os cálculos da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre, as ações têm o potencial de injetar R$ 6,864 bilhões para o Rio Grande do Sul, conforme estudo já divulgado. E, a partir deste valor, a CDL POA estima que 9,5% deste montante, ou seja R$ 655,28 milhões deverão ser direcionados para a quitação de obrigações financeiras contraídas no passado, no Rio Grande do Sul.

Este movimento do Governo Federal, o PRO, merece atenção dos empresários, aponta o economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank. “A quitação das dívidas tem o objetivo de liberar espaço dentro do orçamento das famílias ao longo do tempo. Ou seja, na medida em que os desembolsos com o pagamento de juros são menores, surgem novas oportunidades para a aquisição de bens e serviços e/ou tomada de crédito. Embora muitos consumidores estejam passando por um cenário adverso e se sintam receosos sobre o que esperar para o futuro, entendo que os empresários precisam estar atentos a esse movimento”, recomenda o economista.

Metodologia:

A Assessoria Econômica da CDL POA, no caso do adiantamento do 13º, recorreu aos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). As estatísticas mostram a fração gasta pelos consumidores gaúchos com a redução de passivo.

Conforme o último levantamento, conduzido em 2018, 2,0% dos rendimentos são reservados para “empréstimos e carnês”. Como, de acordo com estudo prévio da CDL POA, o Rio Grande do Sul deverá contar com volume de R$ 4,792 bilhões oriundos da antecipação do 13º, R$ 95,84 milhões deverão ser destinados ao pagamento de dívidas.

Já para o saque de até R$ 1.000 do FGTS, a Assessoria Econômica concluiu que a estratégia não poderia ser a mesma, pois os recursos não fazem parte do fluxo de recebimentos periódicos dos colaboradores celetistas. Portanto, a natureza do capital é extraordinária.

Consequentemente, foi investigada a Sondagem Especial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizada após a eclosão da pandemia em setembro de 2020, para entender como receitas excepcionais, incluindo o auxílio emergencial, o acesso ao equivalente a um salário mínimo das contas do FGTS e o seguro-desemprego foram alocadas pela população no território nacional.

Os resultados mostram que 27% dos ingressos foram voltados para o abatimento de débitos. Dado que o RS deverá ter R$ 2,072 bilhões resultantes dos saques das contas do FGTS, de acordo com estudo prévio da Entidade, R$ 559,44 milhões devem ser destinados para a quitação de dívidas.

Por fim, ao somarem-se as duas cifras, R$ 95,84 milhões, do adiantamento do 13º e os R$ 559,44 milhões dos saques do FGTS, chega-se ao total de R$ 655,28 milhões. O estudo completo pode ser conferido clicando aqui.

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