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Dia Mundial da Vida Selvagem (3/3) tem exposição no Parque Nacional do Iguaçu

Os grandes felinos são os homenageados no Dia Mundial da Vida Selvagem deste sábado, 3 de março. A data é celebrada desde 2013 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e chama a atenção dos governos e da sociedade civil para a conservação de espécies ameaçadas. Neste ano, em especial, o tema da campanha será Grandes Felinos – predadores sob ameaça. O Parque Nacional do Iguaçu, através do Projeto Carnívoros do Iguaçu, participará da campanha mundial neste sábado, com uma exposição voltada ao público que visita a unidade de conservação.

Nessa exposição serão apresentadas informações sobre a ecologia dos grandes felinos do parque (onça-pintada e onça-parda), ameaças que estas espécies sofrem, e que medidas o ICMBio tem adotado para proteger a biodiversidade. Como a campanha mundial busca sensibilizar principalmente os jovens, atividades lúdicas serão realizadas com crianças e adolescentes que passarem pelo estande.

Segundo Carlos R. Brocardo, biólogo do projeto, o Parque Nacional do Iguaçu tem papel de destaque na conservação da onça-pintada na Mata Atlântica, onde a espécie está criticamente ameaçada de extinção. “O Parque Nacional do Iguaçu, juntamente com áreas protegidas vizinhas na Argentina, possui uma das poucas populações que tem mais de 50 onças-pintadas na Mata Atlântica”, ressalta Carlos. Para Thiago Reginato, que atua junto à comunidade lindeira ao Parque, ações que despertem e sensibilizem a comunidade local podem favorecer a convivência com as onças, e auxiliar na conservação desse felino.
Ações para conservação
Desde 2009, o ICMBio desenvolve ações no Plano de Ação Nacional (PAN) para diminuir as ameaças enfrentadas pelo terceiro maior felino do mundo. Em 2016, também houve o PAN dos Grandes Felinos, que inclui a onça-parda. Também destacam-se a identificação de áreas prioritárias e corredores ecológicos com foco na conservação de grandes predadores, a criação de novas unidades de conservação, o Programa de Monitoramento da Biodiversidade.
O PAN objetiva a redução do impacto da ocupação humana dentro das áreas prioritárias de conservação; redução dos impactos ambientais por grandes empreendimentos;
fiscalização para coibir a caça esportiva e por retaliação; programas para mitigar conflitos; educação ambiental e redução dos espécimes retirados da natureza. Cientistas do ICMBio, Universidades, Centros de Pesquisa e ONGs, estão unindo esforços para entender melhor o comportamento e a ecologia da espécie, de maneira a ter maiores subsídios para o planejamento e implantação de políticas públicas visando a conservação da onça-pintada.

As áreas protegidas são de enorme importância para a conservação da onça pintada, pois são cruciais para o desenvolvimento da espécie enquanto santuários protegidos da caça e da perda do habitat. A proximidade das UCs forma caminhos seguros para a movimentação dos animais, sem que eles precisem atravessar fazendas e povoados humanos, onde serão hostilizados. Transitar entre áreas seguras também propicia a variabilidade genética da espécie.
Sobre as espécies

Também chamada de jaguar, a onça-pintada caminha pelas florestas tropicais do México à Argentina. No Brasil, é possível encontrar esse grande felino na maioria dos nossos biomas (Amazônia, Caatinga, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica). É em terras tupiniquins que incide a maior população da espécie.
As onças-pintadas chegam a pesar 135kg e medir até 2,7 metros sendo o terceiro maior felino do mundo (perdendo apenas para tigres e leões). Sua dieta, essencialmente carnívora, é baseada em veados, capivaras, cotias e antas, mas ela pode capturar outros predadores concorrentes, como o jacaré e a sucuri.
A onça-pintada é reverenciada pelos povos indígenas desde tempos imemoriais. Os índios caiapós, por exemplo, contam que antigamente ela era dona do arco, da flecha e do fogo até o homem roubar-lhe tais armas. Por isso, ela caça com os dentes e come carne crua. Do fogo, só lhe restou o brilho dos olhos. Já astecas utilizavam sua imagem como símbolo de força de um animal guerreiro.
Embora sejam muito parecidas com os leopardos, as onças-pintadas são maiores e suas manchas em formato de rosetas contém uma parte mais escura ao centro. Ambos também apresentam animais negros, as chamadas panteras negras, que é a presença de uma mutação genética que torna esses animais escuros, o mesmo que acomete outras espécies de felinos, como o gato doméstico e o jaguarundi.

Extinção
Mas o maior predador das Américas se encontra ameaçado de extinção. De acordo com a Lista de Espécies Ameaçadas do ICMBio, a onça-pintada apresenta diferentes graus de vulnerabilidade em cada bioma. Na Amazônia e no Pantanal, ela foi classificada como vulnerável; ameaçada no Cerrado e criticamente ameaçada na Caatinga e Mata Atlântica, que está prestes a se tornar o primeiro bioma tropical a perder o seu maior predador.
Com as fazendas de gado cada vez mais próximas do habitat das onças, e com o ritmo de destruição por queimadas do cerrado a diminuir suas presas selvagens, os felinos veem no rebanho uma alternativa de alimentação. Isso faz com que despertem a ira dos fazendeiros que contratam caçadoras para mata-las por vingança. Se, no século anterior, a caça esportiva e em busca de peles era o principal tipo de caça, agora o que preocupa especialistas é o animal ser vítima do tráfico para medicina chinesa como substituto dos insumos outrora fornecidos pelo tigre. Recentemente, cerca de 50 onças-pintadas foram apreendidas com um grupo de caçadores bolivianos que buscavam “exportar” os animais para o país asiático.

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