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Música: uma construção de Gênero

Abertura do Mês da Mulher reúne cerca de 100 pessoas no seminário em São Leopoldo

O pátio do Centro Jacobina abrigou em média 100 pessoas na noite de quinta-feira, 01 de março, para a abertura do Mês da Mulher 2018. O evento que deu início a uma série de atividades que se estendem ao longo do mês foi o Seminário Música: Uma construção gênero. Na entrada da atividade, integrantes da ONG Serviço de Paz criaram um ambiente intimista distribuindo abraços para receber a comunidade. Dividido em dois momentos, o evento iniciou com o seminário refletindo sobre músicas de todos os ritmos e todas as idades, desde canções infantis até MPB. No segundo momento, deu-se espaço para um sarau, animado pelas cantoras Luciane Linck (Luarte) e Luisa Gonçalves, que trouxeram músicas com mensagens positivas para as mulheres.

A secretária de Políticas para Mulheres, Danusa Alhandra, comentou a origem da discussão sobre o impacto das músicas no comportamento da sociedade, que culminou no seminário. “Essa atividade nasceu de um momento que algo muito grave aconteceu. Uma música incitando a violência, incitando o estupro, estava por aí, para os jovens escutarem e para sociedade escutar. Nas redes sociais houve uma polêmica com a criminalização dessa música. Nós enquanto Secretaria, condenamos esse tipo de coisa, mas nos causou algum tipo de inquietação a condenação de apenas um tipo de música. Então fomos atrás, enquanto equipe, e pensamos será que é só o funk que incita a violência e discriminação contra a mulher? E a gente descobriu, infelizmente, que é histórico”, ressalta Danusa.

“Realmente as músicas hoje em dia são bem pesadas e não só as músicas atuais, as antigas também”, disse Renata Cruz, modelo da campanha Música: Uma construção de gênero, que provocou debates nas redes sociais e divulgou o seminário. “Todo mundo está acostumado a me ver, arrumada, divando, bonita. Agora uma imagem forte minha, espancada, sangrando, nunca ninguém me viu assim. Causar esse impacto me faz participar da Campanha. Só de me ver daquela maneira, eu fiquei pensando como deve ser horrível tu ter marcas de sofrimento no teu corpo. Então, minha contribuição foi essa, de impactar, se uma mulher olhar para minha foto e denunciar eu já fico feliz”, acrescentou Renata.

O Seminário foi organizado em conjunto com o Serviço de Paz (Serpaz) e o Programa de Gênero e Religião da Faculdades Est (PGR), que trouxeram os palestrantes Deise Van, Daniéle Busanello, Luciane Linck (Luarte) e Vagner Garcia. A coordenadora do Serpaz, Marie Krhan, exaltou a importância da noite. “Essa noite é bem especial para a gente refletir como isso constrói as identidades das jovens, dos jovens e de nós todos”, disse Marie. Márcia Blasi, coordenadora do PGR, ressaltou o momento de reinvindicações que é o Mês da Mulher. “A gente tem que lembrar que se estamos aqui hoje é porque muitas antes de nós lutaram para que a gente tivesse os direitos que a gente tem. E esses direitos nunca foram dados de graça, eles foram conquistados com muita luta, com muita reflexão e muito trabalho”, reflete Márcia.

A estudante de jornalismo, Mirian Centeno, ficou sabendo do seminário pelo Facebook da Sepom e resolveu prestigiar. “Como eu gosto muito da Sepom e do Centro Jacobina eu quis vir para participar. Achei excelente, eu acho que o mês tinha que existir em todas as cidades. Eu acho inadmissível o pensamento de que a mulher é inferior ao homem, tanto em consideração a salário, quanto a ser humilhada. Os direitos tem que ser iguais para todos”, afirma a estudante.

Presente no evento a vice-prefeita, Paulete Souto, destacou a união das mulheres. “Nós temos que entender que nós precisamos estar juntas para nos fortalecemos, o mundo poder nos ouvir e nós podermos avançar, nem que seja para assegurar direitos, e já estamos nessa situação há bastante tempo”, frisou a vice.

O Mês da Mulher segue com sua programação até dia 29 de março, neste final de semana conta com duas atividades. No sábado, 03 de março, acontecerá a 2ª Roda de Conversa das Mulheres Negras, às 9h, no Parque Imperatriz, o evento é organizado pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos. E no domingo, 4 de março, as Promotoras Legais Populares farão uma intervenção de rua na Praça da Amizade, no bairro São José, às 15h.

Informações da Scom/PMSL

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