Você sabe o que é caseína?

Caseína nada mais é do que leite de vaca. Por que não usar, então, uma linguagem coloquial, de fácil entendimento para qualquer cidadão? Essa falta de objetividade tem levado perigo às pessoas que desenvolveram alergia alimentar, o que corresponde entre 8% e 10% da população brasileira. Os rótulos das embalagens de alimentos deixam muito a desejar em relação às informações claras e compreensíveis por boa parte dos consumidores. Por exemplo, maltodextrina, carboidrato complexo, proveniente da conversão enzimática do amido do milho ou, simplesmente, milho. Nos pacotes de bolachas, a descrição da composição do alimento, na maioria das vezes, está em letras pretas, fundo vermelho, brilhante. Não há contraste, o que dificulta a leitura dos ingredientes utilizados no produto. Dessa forma, a pessoa alérgica ao leite não sabe se pode ou não consumir esse ou aquele alimento. “Além disso, são raros os fabricantes que alertam para o risco da contaminação no caso de indústrias que manipulam insumos alimentícios diversos, podendo expor o paciente alérgico a pequenas frações do ingrediente que ele não pode consumir”, explica o Dr. Fábio Morato Castro, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Estudos conduzidos em 2009 pela Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do HC-FMUSP mostraram que 39,5% das reações alérgicas foram relacionadas aos erros na leitura de rótulos. “A ASBAI tem procurado intervir e trabalhar juntamente com o governo para a padronização de condutas diagnósticas e terapêuticas em casos de alergia alimentar”, afirma o presidente da Associação.

Dessensibilização
Mais de 100 pacientes responderam de forma positiva ao tratamento de Dessensibilização Alimentar, realizado pelo Hospital das Clínicas de São Paulo (HCSP). Anteriormente a este tratamento, essas pessoas não podiam ter o mínimo contato com os alimentos aos quais eram sensíveis, nem mesmo inalar ou encostar, devido a fortes e graves reações alérgicas. Os resultados são promissores, com uma taxa de sucesso em torno dos 90%. A técnica, também conhecida como Imunoterapia Oral, é realizada com a ingestão do alimento alergênico causador, com o objetivo de tornar o organismo mais tolerante à substância. O tratamento é realizado entre 12 e 15 sessões. No início, o alimento é diluído e começa a administração oral do extrato alimentar, em pequenas quantidades, que vão aumentando, progressivamente, até uma porção habitual, ou seja, uma refeição comum.

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