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Pelotas entra em situação de emergência devido a estiagem

A confirmação de perdas de, atualmente, R$ 115,2 milhões na produção agropecuária, a necessidade de abastecer 3,2 mil famílias com caminhões-pipa e os prognósticos de manutenção do quadro de estiagem levaram a prefeita Paula Mascarenhas decretar situação de emergência em Pelotas.

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No final da manhã desta quinta-feira (19), Paula assinou o decreto nº 6.696/2023, que autoriza os órgãos da Prefeitura a desenvolverem medidas de resposta ao desastre capazes de amenizar os danos causados pela falta de chuvas. As ações serão coordenadas pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil.

Conforme o coordenador municipal da Defesa Civil, Paulo dos Santos a partir de agora os laudos de situação apresentados pela Emater e outras entidades serão juntados ao processo de formalização da situação de emergência e encaminhados para os governos estadual e federal. A expectativa é de que a situação de emergência seja reconhecida nos dois níveis de governo em até 25 dias. Isso, no entanto, não impede o início das ações pelo Município, pois o decreto entra em vigor imediatamente.

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A assinatura aconteceu em reunião da qual participaram representantes da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Emater/Ascar, Irga, Embrapa, UFPel, Associação Rural, Sindicato Rural e Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Prejuízos com a seca podem triplicar nas próximas semanas

Os relatórios elaborados por técnicos da Emater/Ascar, Irga, Embrapa e Universidade Federal de Pelotas apontam para um déficit de chuvas de 200 milímetros nos últimos três meses e apresentam uma previsão de manutenção da situação e, consequentemente, de aumento das perdas no campo, que podem triplicar em questão de semanas.

Atualmente as maiores quebras são registradas nas lavouras de milho e do milho para silagem (para suplementação da alimentação do gado) que chega a 60%, o que representa 57,7 toneladas perdidas e R$ 43,3 milhões em prejuízos. A redução da produção de milho tem impacto direto sobre a produção leiteira, que já apresenta uma redução de 15% das entregas diárias.

“A situação é grave. O que isso vai acrescentar na produção do leite futura, ainda é impossível de mensurar”, avaliou Nilson Loecke, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pelotas.

As condições das lavouras de arroz e soja, no entanto, geram apreensão e podem inflar os números das perdas nas próximas semanas. Isso porque as duas culturas entraram em suas fases mais críticas, nas quais precisam de quantidades significativas de água para se desenvolver.

O panorama fica mais complicado pelo fato de que 4,02 mil hectares semeados com arroz, que representam 65% da área plantada no município, são irrigados com água da Lagoa dos Patos e seus afluentes (arroio Pelotas, Contagem e Corrientes), que apresentam índices de salinidade muito acima do tolerado pelo arroz. “Se não chover para reduzir a salinidade as perdas podem chegar a 30% já na próxima semana e evoluir mais ainda”, disse o agrônomo Igor Khols, coordenador regional do Irga Zona Sul.

Diante do risco de um aumento significativo das perdas na soja e no arroz, os técnicos das entidades de ensino, pesquisa e extensão rural elaboram um prognóstico preocupante com relação a extensão dos prejuízos registrados.

Sanep reforça atendimento às populações

A diretora-presidente do Sanep, Michele Alsina confirmou que o nível registrado na Santa Bárbara é o pior do que em 2019 – quando a cidade enfrentou uma de suas piores estiagens – e já alcançou a marca de 1,80 metros abaixo do vertedouro, o que naquela época só aconteceu no final de fevereiro. Aliado a isso salinidade do arroio Pelotas tem reduzido ainda mais a disponibilidade de água para tratamento e distribuição.

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