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Bicentenário Sem Salsicha: São Leopoldo Perde o Mapa da Festa dos 200 anos!

Por JOÃO DARZONE – ADVOGADO E ESCRITOR

No embate pelo título da “Cidade Mais Alemã do Brasil”, São Leopoldo, conhecida como o berço da colonização germânica no país, parece ter deixado o sabor do sauerkraut se dissipar ao vento. Com uma população que hoje tem mais ritmo de samba do que batida de marcha, a cidade enfrenta uma crise de identidade digna de uma novela das oito.

A gestão de duas décadas, capitaneada pelo Prefeito Ary Vanazzi, poderia ter sido o maestro de uma sinfonia de preservação cultural, mas acabou desafinando a ponto de confundir Beethoven com Tchaikovsky, transformando o cenário arquitetônico num quadro que mais parece saído da Sibéria do que de Stuttgart.

As obras públicas? Vamos ser francos, se estivessem em uma exposição de arte, seriam aquelas peças que todo mundo passa direto – como a nova sede da prefeitura que, com seu visual soviético, até hoje espera por uma inauguração que parece tão distante quanto a Reunificação Alemã.

E a cultura gastronômica, então? Onde outrora reinavam bratwurst e pretzels, hoje se busca em vão pelo aroma de uma boa e velha cerveja artesanal local.

Segundo fontes não confirmadas, o prefeito tem um paladar mais afinado com os vinhedos de Capela de Santana – talvez isso explique a ausência de incentivos para a cervejaria local.

O resultado? Os restaurantes de São Leopoldo, que poderiam ser o palco de uma culinária com sabor de história, agora servem pratos que mais confundem do que confortam o estômago à procura de comida com alma alemã.

Nas eleições, a falta de personalidade segue como prato principal. Os candidatos, Nelson Spolaor e Heliomar Franco, importados de terras distantes de Mata e Inhacorá, respectivamente, parecem tão conectados com a cultura alemã quanto um vegetariano com uma feijoada.

Blumenau, SC – Enquanto isso, no norte catarinense, Blumenau se ergue como um bastião de tradição, com sua Oktoberfest que mais parece um pedaço de Munique que desceu pelo Atlântico. Lá, a identidade alemã não é apenas preservada; é celebrada com todas as forças de um soprador de trompa alpina. A cerveja artesanal flui como a fonte da juventude, e o folclore alemão é tão vibrante quanto o lederhosen em dia de festa.

À medida que nos aproximamos dos 200 anos de imigração alemã em 2024, São Leopoldo parece ter esquecido o convite para a própria festa.

A cidade que poderia ter sido a anfitriã do baile agora talvez precise de uma aula de recuperação com Blumenau sobre como manter viva a cultura de seus antepassados.

Nelson Rodrigues, com sua pena afiada, talvez descrevesse o cenário como uma tragicomédia anti-sexy: onde a germanidade em São Leopoldo foi substituída por um “não sei o quê” que não sabe a nada.

Enquanto isso, Blumenau dança a polka da vitória com a graça de quem sabe que, pelo menos por ora, leva o título de “Cidade Mais Alemã do Brasil” na lapela – uma lapela feita de um autêntico traje bávaro, é claro.

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