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Fintech brasileira lança stablecoin lastreada em títulos públicos para atrair investimento estrangeiro

A startup Crown, com sede em São Paulo, arrecadou mais de 8 milhões de dólares para lançar uma nova stablecoin atrelada ao real brasileiro e lastreada em dívida soberana, com o objetivo de facilitar o acesso de investidores globais ao mercado de renda fixa do Brasil.

A fintech brasileira Crown deu um passo ousado na interseção entre as finanças tradicionais e a tecnologia blockchain.

A empresa anunciou a criação da BRLV, uma stablecoin que será totalmente lastreada em títulos do governo brasileiro.

Esse novo ativo digital busca abrir as portas do atrativo mercado de renda fixa do país sul-americano para investidores institucionais estrangeiros, superando os obstáculos regulatórios e operacionais que historicamente dificultam esse tipo de investimento.

Uma alternativa digital para aproveitar as altas taxas de juros

O Brasil tem se tornado um ponto de interesse para investidores globais devido aos altos rendimentos oferecidos por seus títulos públicos.

Atualmente, os títulos de 10 anos oferecem retornos próximos a 14%, superando com folga os de economias desenvolvidas.

Esses números estão diretamente ligados à taxa básica de juros definida pelo Banco Central do Brasil, conhecida como Selic, que atualmente está em 15%, após sucessivas altas destinadas a conter a inflação.

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No entanto, o acesso direto a esses instrumentos é limitado por barreiras como controles de capital, complexidade tributária e dificuldades na conversão cambial. Diante desse cenário, a BRLV surge como uma solução digital que simplifica o ingresso ao mercado brasileiro de renda fixa, ao tokenizar ativos lastreados em dívida pública nacional.

Brasil lidera o uso de stablecoins na América Latina

O momento para esse lançamento não poderia ser mais propício. De acordo com um relatório recente da Chainalysis, o Brasil liderou as transações com criptomoedas na América Latina entre julho de 2024 e junho de 2025, movimentando mais de US$ 318,8 bilhões.

Desse volume, mais de 90% correspondem a operações com stablecoins, refletindo o papel cada vez mais relevante desses ativos digitais em pagamentos, remessas e transferências internacionais.

O ecossistema cripto brasileiro também tem ganhado força institucional. Grandes bancos, fintechs e empresas de pagamento estão integrando a infraestrutura blockchain aos seus serviços, o que tem contribuído para uma adoção mais ampla e sofisticada da tecnologia no país.

Preocupações regulatórias e o futuro da BRLV

Apesar do dinamismo do mercado, as autoridades brasileiras adotam uma postura cautelosa. O Banco Central do Brasil, em particular, já manifestou preocupação com o uso de stablecoins lastreadas em dólares, alertando que elas podem aumentar a volatilidade dos fluxos de capital e dificultar a condução da política monetária.

“Os fluxos de capital se tornam mais voláteis […] essencialmente porque quase qualquer pessoa pode usar stablecoins para enviar dinheiro para dentro e fora do país”, afirmou Renato Gomes, vice-presidente do banco central, em declarações à Reuters.

Nesse contexto, a proposta da Crown — baseada no real brasileiro e lastreada em dívida soberana local — pode representar uma alternativa mais alinhada com os objetivos regulatórios nacionais, reduzindo a dependência de moedas estrangeiras e fortalecendo o ecossistema financeiro digital do Brasil.

Advogado em São Leopoldo André de Alexandri
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