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Da Ordem ao Caos estreia em São Leopoldo

Primeira exposição individual do artista porto-alegrense Luiz Antônio Gutierrez de Mello reúne dez trabalhos produzidos ao longo de mais de uma década e abre no dia 12 de agosto, na Galeria Liana Brandão.

Uma trajetória artística que durante anos cresceu longe das salas de exposição ganha, em agosto, um novo capítulo. O artista porto-alegrense Luiz Antônio Gutierrez de Mello apresenta sua primeira exposição individual na Galeria Municipal de Arte Liana Brandão, em São Leopoldo. Intitulada Da Ordem ao Caos, a mostra abre ao público no dia 12 de agosto, às 19h, e permanece em cartaz até o final do mês.

Serão apresentadas dez obras selecionadas entre trabalhos desenvolvidos ao longo de mais de uma década. Pintura, fotografia, colagem, ilustração, estampas e desenhos estão entre as linguagens exploradas por Gutierrez, que construiu até aqui um acervo estimado em aproximadamente 800 trabalhos.

Obra do artista Luiz Antonio Gutierrez de Mello Foto por Viviane Viaut
Obra do artista Luiz Antônio Gutierrez de Mello – Foto por: Viviane Viaut

A exposição representa, porém, mais do que a reunião de parte dessa produção. Para o artista, é também um ponto de transição entre uma atividade desenvolvida durante anos de forma paralela e uma etapa em que pretende assumir a produção artística com maior presença no cotidiano profissional.

Da arquitetura para diferentes linguagens da arte

Natural de Porto Alegre, onde também vive atualmente, Luiz Antônio Gutierrez de Mello tem 45 anos e é formado em Arquitetura. Sua relação com a criação, entretanto, começou muito antes da formação acadêmica.

Gibis, tintas, canetas, música e a atmosfera da Rua Osvaldo Aranha, em Porto Alegre, durante a década de 1990, aparecem entre as referências que ajudaram a formar seu repertório visual e cultural.

Ao longo dos últimos dez anos, essa combinação de influências foi se transformando em uma produção diversificada. Gutierrez experimentou diferentes suportes e técnicas, sem estabelecer fronteiras rígidas entre as linguagens.

Ele próprio costuma definir sua relação com o trabalho artístico de maneira bastante particular:

“Me vejo como um alquimista de ideias, um garimpador de referências, um operário a serviço das artes.”

A definição ajuda a compreender uma obra que não procura se enquadrar em apenas uma técnica ou identidade visual. Em vez disso, o artista trabalha a partir da combinação de referências e da experimentação.

Luiz Antonio Gutierrez de Mello artista plastico Exposicao Da Ordem ao Caos Foto por Viviane Viaut
Luiz Antônio Gutierrez de Mello, artista plástico – Exposição Da Ordem ao Caos – Foto por Viviane Viaut

Primeira exposição marca uma nova fase

Embora possua centenas de trabalhos produzidos, Da Ordem ao Caos será a primeira oportunidade de Gutierrez apresentar formalmente uma seleção de suas obras em uma exposição individual.

Até agora, boa parte do contato entre sua produção e o público acontecia principalmente pelas redes sociais.

A abertura da mostra em São Leopoldo ganha, por isso, significado especial. O artista considera o momento uma espécie de “Marco Zero” para uma etapa em que pretende ampliar a presença no circuito cultural, realizar novas exposições e estabelecer uma rotina de produção mais constante.

“Depois de tanto tempo, saio do Instagram, meu primeiro público, e da gaveta para o mundo real. A partir daqui, quero expor mais, produzir com mais regularidade e que a arte deixe de ser só paralela na minha vida”, afirma.

A expectativa é que a estreia seja apenas o começo.

“Que seja o início de um longo e prazeroso caminho para mim e para quem gostar”, resume.

O significado de Da Ordem ao Caos

O próprio título escolhido para a exposição traduz parte do processo criativo de Luiz Antônio Gutierrez de Mello.

Em Da Ordem ao Caos, organização e desorganização não aparecem necessariamente como conceitos opostos. Pelo contrário: podem integrar um mesmo movimento criativo.

Para explicar essa relação, Gutierrez recorre a referências da música brasileira e a artistas que fazem parte de seu repertório cultural. Uma delas vem de Chico Science e da ideia de que, ao se organizar, também é possível desorganizar. Outra está na conhecida provocação poética de Tom Zé sobre explicar para confundir e confundir para esclarecer.

São conceitos que se aproximam da maneira como o artista trabalha.

Para Gutierrez, uma ideia inicialmente organizada na mente pode sofrer transformações quando passa para o papel, para uma tela ou para qualquer outro suporte. Durante esse percurso, elementos são acrescentados, retirados, reorganizados e combinados até que intenção e resultado finalmente se encontrem.

Na sua visão, ordem e caos dependem um do outro.

Esse processo também ajuda a explicar por que sua produção não segue necessariamente uma estética única.

Dez obras mostram diferentes momentos da produção

As dez obras escolhidas para a exposição na Galeria Liana Brandão formam uma espécie de recorte da produção desenvolvida por Gutierrez durante os últimos anos.

Não se trata, portanto, de uma série criada exclusivamente para a mostra, mas de uma seleção capaz de apresentar ao público diferentes momentos de sua trajetória.

Essa variedade é proposital.

O artista não considera necessário que sua identidade seja reconhecida pela repetição de uma determinada técnica, paleta de cores ou solução estética. Para ele, a unidade está principalmente na maneira de observar, selecionar referências e conduzir o processo criativo.

“Meu estilo não está fechado numa técnica ou num visual só. Está no olhar, no processo, no jeito que eu misturo as referências”, explica.

Gutierrez acredita que, mesmo diante da diversidade das dez obras, os visitantes conseguirão perceber elementos comuns entre elas.

“Tenho certeza que as pessoas vão ver uma unidade, filhos de um mesmo pai”, compara.

Música também influencia o processo criativo

As referências musicais aparecem com frequência na maneira como o artista fala sobre seu trabalho.

Ao explicar sua preferência por soluções mais diretas, Gutierrez usa uma comparação que fãs de rock provavelmente compreenderão rapidamente: considera-se mais próximo dos Ramones do que do virtuosismo instrumental de Joe Satriani.

Em outras palavras, prefere a força de uma ideia executada de maneira direta aos excessos técnicos usados apenas para demonstrar habilidade.

É uma filosofia que também dialoga com a diversidade de influências acumuladas desde sua juventude em Porto Alegre. Música, cultura urbana, ilustração, arquitetura, histórias em quadrinhos, fotografia e design passam a ocupar um mesmo território quando o processo criativo começa.

Esse repertório explica, em parte, por que Da Ordem ao Caos reúne trabalhos que podem parecer diferentes à primeira observação, mas compartilham uma origem conceitual semelhante.

Arte também exige disciplina e gestão

A estreia em uma galeria também provocou uma reflexão sobre o futuro profissional.

Gutierrez reconhece que transformar a produção artística em uma atividade mais presente em sua vida exige mais do que inspiração. Organização, disciplina e planejamento passam a fazer parte do processo.

Para ele, a realidade contemporânea exige que o artista saiba não apenas criar, mas também apresentar o próprio trabalho ao público, compreender comunicação, divulgação, finanças e aspectos administrativos da carreira.

“Daqui para a frente, disciplina antes de tudo, sem romantizar o trabalho”, afirma.

Na avaliação do artista, o ambiente digital ampliou as possibilidades de divulgação e contato com o público, mas também trouxe novas responsabilidades para quem pretende desenvolver uma carreira nas artes.

Depois de anos produzindo e compartilhando trabalhos principalmente pelo Instagram, a exposição em São Leopoldo representa justamente a passagem do universo digital para a experiência presencial.

Galeria Liana Brandão recebe a mostra em agosto

A exposição ficará instalada na Galeria Municipal de Arte Liana Brandão, localizada no Centro Cultural José Pedro Boéssio, na região central de São Leopoldo.

O espaço recebe regularmente exposições de artes visuais e integra a programação cultural do município. Nos últimos anos, a galeria vem abrigando trabalhos de artistas com diferentes técnicas e trajetórias, da pintura e ilustração à fotografia.

Em Da Ordem ao Caos, será a vez de o público conhecer parte de uma produção que permaneceu por mais de uma década em constante desenvolvimento, mas ainda sem uma exposição individual.

Ao escolher apenas dez peças entre cerca de 800 trabalhos, Gutierrez apresenta mais um ponto de partida do que uma retrospectiva.

A proposta parece coerente com o momento vivido pelo próprio artista: depois de anos acumulando referências, experimentações e obras, a primeira exposição não pretende encerrar um ciclo. A intenção é justamente abrir outro.

Serviço – Exposição Da Ordem ao Caos

O quê: Exposição individual Da Ordem ao Caos
Artista: Luiz Antônio Gutierrez de Mello
Abertura: 12 de agosto de 2026, às 19h
Período: de 12 a 31 de agosto de 2026
Local: Galeria Municipal de Arte Liana Brandão – Centro Cultural José Pedro Boéssio
Endereço: Rua Osvaldo Aranha, 934, Centro, São Leopoldo/RS
Visitação: de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h30
Instagram do artista: @lagmpoa

Com informações de Viviane Viaut Moreira

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