Reconhecimento de paternidade online já é realidade no RS
Cartórios gaúchos passam a permitir que pais reconheçam filhos pela internet e mães iniciem investigação de paternidade de forma digital.
Os Cartórios de Registro Civil do Rio Grande do Sul deram um passo relevante na modernização dos serviços públicos ao disponibilizar, de forma online, o reconhecimento de paternidade. A novidade permite que pais realizem o procedimento pela internet e que mães iniciem, também de forma digital, o processo de investigação de paternidade — uma mudança que pode impactar diretamente milhares de famílias em todo o Estado.
O avanço ocorre em um cenário preocupante: todos os anos, mais de 7 mil crianças são registradas no Rio Grande do Sul sem o nome do pai. Desde 2020, esse número ultrapassa 45 mil registros apenas com a filiação materna, evidenciando uma lacuna no acesso a direitos básicos.
Plataforma digital simplifica o processo
Disponível na plataforma oficial dos cartórios (paternidade.registrocivil.org.br), o serviço permite que todo o procedimento seja iniciado e concluído sem a necessidade de deslocamento até uma unidade física. A iniciativa busca reduzir burocracias, agilizar processos e facilitar o acesso da população a um direito essencial.
Além do reconhecimento voluntário por parte do pai, o sistema traz uma inovação importante: agora, a mãe pode indicar digitalmente o suposto pai da criança. A partir dessa informação, o sistema identifica automaticamente os registros de nascimento vinculados a ela que ainda não possuem paternidade reconhecida.
Com isso, o pedido é encaminhado ao cartório responsável, que dará sequência ao processo com respaldo judicial, conforme previsto na legislação brasileira.
Garantias legais mantidas no ambiente digital
Mesmo sendo realizado pela internet, o procedimento mantém todas as exigências legais do formato presencial. O reconhecimento depende do consentimento das partes envolvidas — como a mãe, no caso de filhos menores, ou do próprio filho, quando maior de idade.
Após a solicitação, o cartório analisa a documentação apresentada e conduz o processo até sua conclusão, garantindo segurança jurídica e validade legal ao ato.
De acordo com o presidente da Arpen/RS, Sidnei Hofer Birmann, a digitalização representa um avanço significativo na promoção da cidadania. Segundo ele, a iniciativa contribui para reduzir o número de crianças registradas sem o nome do pai e facilita o acesso a direitos fundamentais.
Impacto direto na vida das crianças
O reconhecimento de paternidade vai muito além de uma formalidade documental. Trata-se de um direito que assegura identidade, acesso a benefícios sociais, inclusão em políticas públicas, herança e pensão alimentícia.
Apesar dos avanços recentes, o Brasil ainda enfrenta um cenário desafiador. Desde 2020, mais de um milhão de recém-nascidos foram registrados apenas com o nome da mãe em todo o país — um dado que evidencia a necessidade de ampliar o acesso a mecanismos que garantam esse direito.
Digitalização pode reduzir desigualdades
A expectativa é que a nova ferramenta digital contribua para diminuir esses números, tornando o processo mais ágil, acessível e menos burocrático. Ao eliminar barreiras físicas e simplificar etapas, o serviço tende a alcançar famílias que antes enfrentavam dificuldades para regularizar a situação.
Com isso, o reconhecimento de paternidade deixa de ser um procedimento complexo e passa a ser um processo mais acessível — reforçando o papel da tecnologia na ampliação de direitos e na construção de uma sociedade mais justa.





