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O corpo e as temporalidades em movimento

O interesse em debater corpo, tempo e espaço uniu o trabalho de quatro artistas. Trata-se de um processo de criação e composição em dança compartilhado e aberto, produtor de entendimentos sobre o corpo situado em espaços do cotidiano das cidades. Não há pretensão por parte das artistas de, em um ponto, encerrar a pesquisa. A continuidade dos atos revela corporeidades que se firmam como existência e resistência em arte.

Esse é o território coletivo partilhado por Diana Gilardenghi, Milene Duenha, Sandra Meyer e Paloma Bianchi no projeto “Corpo, Tempo e Movimento”. Uma investigação acerca da relação entre corpo, memória e cidade que teve estreia em 2016, em Florianópolis, viabilizada pelo Edital Elisabete Anderle/2014. E que este ano ganha novos capítulos/lugares por meio do mesmo edital, em sua edição de 2017. Só que agora com a proposta de levar as práticas para cinco cidades catarinenses: Chapecó (05 a 08 de abril), Garopaba (04 a 06 de maio), Itajaí (24 e 25 de maio), Blumenau (julho) e Criciúma (outubro).

“Com a intenção de pensar a dança em outros parâmetros, o projeto reuniu as quatro artistas que passaram a questionar o que poderia surgir entre essas diferentes experiências de vida na arte. Inicialmente se desenvolveu a proposta de um espetáculo-conferência no qual Diana e Sandra pudessem colocar em jogo histórias pessoais e camadas de história da dança presentes em seus corpos. A proposta se expandiu geograficamente e politicamente no desenvolvimento de seis ações em dança que se apresentam de modos distintos: como espetáculo, como composição urbana, como infiltração na cidade, como proposição, como ocupação de espaços de arte e casarões abandonados”, explica a pesquisadora em dança Milene Duenha.

Do encontro entre as artistas, outras questões emergiram. Como as relações do corpo na cidade, partindo do exercício de capturar o que sobressai neste espaço/contexto. Essa correlação, na opinião do grupo, só evidencia de modo poético e ético o que já pertence aos espaços públicos. Da mesma forma que potencializa a dança como expressão artística e política do seu tempo.

Circulação e construção

A Circulação Estadual do Projeto “Corpo, Tempo e Movimento” está estruturada para contemplar cinco cidades do Estado de Santa Catarina: Chapecó, Garopaba, Itajaí, Blumenau e Criciúma. A escolha dos locais não foi à toa. O projeto tem intenção de se conectar com as histórias das cidades e dos grupos de dança dessas regiões, especialmente, os que se apropriam do espaço urbano.  “A maior parte das ações do projeto acontece em espaços públicos, com o intuito que  a dança fale com outro público e fale sobre o lugar em que vivemos”, pontua Paloma Bianchi.

Na programação são oferecidas residências artísticas, apresentações, exibição de videoarte, discussão sobre dança e composição em arte no/com o espaço público. O objetivo é que cada cidade se aproprie de uma ação do projeto com autonomia de composição e performance. Todas as atividades são gratuitas e as inscrições podem ser feitas por e-mail corpotempoemovimento@gmail.com

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