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Meditação pode ser aliada para pacientes com doenças pulmonares graves

As doenças crônicas são aquelas que se manifestam de forma gradual, com duração longa e indefinida na vida do paciente. Embora essas doenças não tenham cura, muitas vezes elas demandam acompanhamento médico e tratamento contínuo, que pode incluir uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida. Além disso, os indivíduos acometidos podem se beneficiar ao mudarem sua rotina, acrescentando atividades que os ajudem a lidar com os sintomas da doença e melhorar a qualidade de vida. Um exemplo de atividade que propicia esses benefícios é a meditação, atividade que auxilia pacientes com doenças crônicas e graves, dentre elas aquelas que afetam o sistema respiratório. É o caso da Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), doença que provoca perda progressiva da capacidade pulmonar e dificuldade em realizar tarefas diárias, causando importante impacto na qualidade de vida dos pacientes.

A Fibrose Pulmonar Idiopática apresenta sobrevida pior do que muitos tipos de cânceres, atingindo cerca de 14 a 43 pessoas a cada 100 mil. Grave e de causa desconhecida, a FPI é caracterizada pela formação de cicatrizes, processo chamado de fibrose, nos pulmões. Os principais sintomas da doença são falta de ar e tosse seca. Para reduzir a velocidade de progressão da FPI, o paciente deve fazer tratamento medicamentoso específico, mas outras medidas podem contribuir para melhora na qualidade de vida, como a fisioterapia, suplementação de oxigênio e manutenção de uma vida ativa. A atividade física pode ajudar esses pacientes a manterem sua autonomia e melhorarem o condicionamento físico. Contudo, é imprescindível a orientação médica em todos os casos.

As técnicas de respiração podem trazer vários benefícios. Os exercícios de respiração diários, por exemplo, têm efeitos significativos na mente, podendo auxiliar no tratamento de ansiedade, depressão e insônia, além de ajudar as pessoas a lidar melhor com o estresse e vícios. Já no aspecto fisiológico, a meditação é benéfica, principalmente, para os sistemas neurológico e imunológico. Entre os diversos tipos de meditação, há o mindfulness, também chamado de meditação de atenção total, que consiste em práticas de relaxamento e respiração, que trazem o foco apenas no presente e no seu próprio corpo. O mindfulness apresenta efeitos significativos sobre as condições de pacientes que vivem com dores crônicas, por exemplo. Ao se reunirem para praticar o mindfulness, os pacientes com doenças pulmonares intersticiais, como a FPI, podem apresentar melhora significativa no humor. A prática regular da meditação pode ajudá-los a melhorar a relação com a doença e seus sintomas, permitindo aceitação melhor da condição. Além disso, a técnica promove o relaxamento dos músculos dos pulmões, facilitando uma respiração mais calma e profunda.

A Sudarshan Krya é uma técnica de respiração recomendada para os pacientes com doenças crônicas. A Dra. Nisha Manikantan, médica responsável pela ala de oncologia do hospital Sri Sri Ayurveda de Bangalore, na Índia, aponta que essa técnica consiste em um profundo processo de respiração que acalma e harmoniza o corpo, a mente e as emoções. Essa ferramenta poderosa elimina o estresse, a fadiga e as emoções negativas. A instrutora recomenda a prática da Sudarshan Kryae uma outra técnica específica de respiração, chamada de Respiração Yóguica Completa. “As duas ajudam o paciente a aproveitar ao máximo sua capacidade pulmonar, controlando a respiração e aumentando a oxigenação do sangue. Além disso, as práticas não exigem esforço, sendo ideais para os pacientes com Fibrose Pulmonar Idiopática. Com a prática da meditação, eles podem aprender a conviver bem com a doença”, ressalta Dra. Nisha. Os exercícios respiratórios podem auxiliar a fortalecer e relaxar os músculos do pulmão e aliviar o estresse e a tensão dos pacientes.

A condição atinge principalmente pessoas com idade igual ou superior a 50 anos e, por isso, os sintomas são facilmente atribuídos ao envelhecimento e outras doenças cardíacas e respiratórias frequentemente associadas ao envelhecimento, como pneumonia e hipertensão. Todos esses aspectos tornam o diagnóstico muito complexo, podendo levar cerca de 2 anos após os primeiros sintomas. Dr. Adalberto Rubin, pneumologista da Santa Casa de Porto Alegre, explica que “à medida que a doença evolui, a capacidade pulmonar do paciente diminui e ele pode passar a sentir dores durante a respiração”.

O tratamento da FPI com medicamentos específicos é extremamente importante para manter o controle da doença. Desde 2016, existem medicamentos que podem tratar a Fibrose Pulmonar Idiopática, uma doença grave e sem cura. “Além do tratamento medicamentoso, é importante que o paciente faça mudanças na rotina para ter uma vida mais saudável”. Algumas medidas para auxiliar esse processo são treinar técnicas de respiração, ter uma boa alimentação, meditar regularmente e fazer alguma atividade física de baixo impacto, como ioga, visando melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças pulmonares graves como a Fibrose Pulmonar idiopática. É comum que o paciente fique desanimado logo após o diagnóstico e, nesse sentido, a prática da meditação pode ter um impacto positivo na autoestima do paciente e colaborar para um bom tratamento. Adriana Ambrósio, instrutora da Organização Internacional Arte de Viver, ensina o passo a passo da Respiração Yóguica, técnica recomendada para esses pacientes:

  • Inspire enchendo a parte baixa dos pulmões, aumentando o abdômen;
  • Infle o peito, enchendo a parte média dos pulmões;
  • Complete a respiração enchendo completamente os pulmões de ar;
  • Para expirar, empurre o umbigo para dentro suavemente e relaxe o peito;
  • A respiração deve ser longa, rítmica e suave;
  • Repita o exercício de 5 a 10 vezes.