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Câncer de mama: origem hereditária representa menos de 10% dos casos

Ter casos de câncer de mama na família não é o principal fator de risco para desenvolver a doença. O câncer, de maneira geral, pode ser hereditário ou esporádico, quando sofre influências de hábitos de vida e fatores externos. Mas o que pesquisas têm revelado é que a origem hereditária representa menos de 10% dos casos. Segundo a American Cancer Society, uma em cada 8 mulheres que viverem até os 75 anos terão diagnóstico de câncer de mama. A maioria dos casos de tumor de mama – 90 a 95% – é causada por mutações genéticas não hereditárias, ou seja, associadas a fatores ambientais e reprodutivos, explica Dr. Guilherme Ilha de Mattos, mastologista do corpo clínico do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer – IBCC.

Fatores ambientais se referem ao estilo de vida, como alimentação saudável, prática de atividade física, o não consumo excessivo de bebidas alcóolicas e o não tabagismo. Já fatores reprodutivos estão relacionados ao tempo em que a mulher fica exposta, ao longo da vida, ao estrógeno, hormônio feminino produzido pelo próprio corpo.

O principal sintoma da doença é o nódulo (caroço), geralmente indolor. Foi essa manifestação no seio que alertou diversas mulheres como Ana Furtado, Patrícia Pillar, Elba Ramalho, Costanza Pascolato e que também levou ao diagnóstico de Déborah Aquino. Fazendo um autoexame, Déborah sentiu um caroço na mama esquerda. Mesmo com os exames acusando nódulos de aspecto benigno, todos muito redondinhos, ela sentia que tinha algo errado e conta que, somente após oito meses, obteve o diagnóstico positivo para o tumor de mama após insistir muito para realizar uma biópsia.

De acordo com o Inca – Instituto Nacional de Câncer – o tumor de mama afetará cerca de 59.700 mulheres este ano no Brasil, sendo o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil e respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade a incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Estatísticas indicam aumento da incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento.

O diagnóstico precoce é fundamental no tratamento contra qualquer tipo de câncer. A realização anual da mamografia para mulheres a partir de 40 anos, recomendada pela Sociedade Brasileira de Mastologia, é importante para que o câncer seja diagnosticado precocemente e a mulher tenha melhores opções de tratamento.

Câncer de mama – Causas e Prevenção

Exposição prolongada ao estrógeno é um dos fatores de risco. “Os subtipos mais frequentemente diagnosticado s entre os tumores de mama são hormônio-dependentes. Então, quanto maior o tempo de exposição ao estrogênio, hormônio produzido pelo próprio corpo da mulher, maior será o risco de desenvolver um tumor de mama. Se a menstruação começa cedo e termina tarde, aumenta o tempo de exposição da mulher a este hormônio. O estrogênio estimula a proliferação celular da mama”, explica Mattos.

Depois dos 50 anos – quando a incidência de câncer de mama é maior – esse hormônio continua circulando no organismo. “Muda a origem. Ele não é mais produzido pelos ovários, mas por outros tecidos do corpo em quantidade menor”, afirma.

O tratamento de reposição hormonal adotado por algumas mulheres após a menopausa, pode aumentar o risco da doença se usados de forma indiscriminada,  segundo Mattos. “Desde que as mulheres respeitem o nível de segurança para usar os hormônios, façam exames periódicos acompanhadas por especialistas, sejam pacientes de baixo risco para  desenvolver tumor de mama e realizem o tratamento no período adequado – até 5 anos – a reposição pode ser utilizada”.

Gravidez tem efeito “protetor” contra câncer de mama – a gravidez antes dos 30 anos é um fator “protetor” para o câncer de mama, pois ajuda o tecido mamário a se desenvolver completamente, tornando-se menos suscetível a alterações genéticas. Segundo Mattos, o mesmo não acontece na gestação tardia – após os 40 anos.

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