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Realidade virtual tem potencial para crescer no Brasil

Interagir com um ambiente virtual ou criar um holograma para estar presente em uma reunião do outro lado do mundo podem parecer coisa de ficção científica ou sonhos para um futuro distante. No entanto, já tem muita gente no mundo pensando em como aplicar no dia a dia as realidades virtuais (quando há imersão, como em vídeos 360° ou com o uso de óculos específicos) e aumentada (quando se insere um objeto virtual em um cenário real, com uso de celulares e tablets, por exemplo). Inclusive no Brasil.
Camila Santo, engenheira em gestão de inovação pela COPPE/UFRJ, explica que os produtos que vêm de fora ainda são muito caros por aqui, e as companhias encontram dificuldades para entrar no nosso mercado. “Eu vejo isso como uma grande oportunidade”, diz Camila. “Enquanto essas empresas globais estão com dificuldade de acesso, o mercado daqui ganha alguns anos para se desenvolver e produzir novas tecnologias.”
A engenheira mediou o painel “Nichos de mercado em novos conteúdos imersivos”, com quatro empreendedores dos Estados Unidos que compartilharam suas experiências com o uso da tecnologia em diversas áreas – de games até saúde e inclusão social – durante no Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR) nesta sexta (9).
Uma das participantes, Lisa Mae Brunson contou como a realidade virtual pode ser usada para promover inclusão social. Visionária criativa e fundadora da Wonder Women Tech Foundation, conferência internacional que educa mulheres e minorias no campo das artes e tecnologia, ela destacou o uso de óculos de realidade virtual para se colocar no lugar do outro. Homens podem vivenciar uma situação previamente gravada por uma mulher, mulheres podem experimentar uma entrevista de emprego e treinar virtualmente uma reunião para pedir aumento de salário, entre outras possibilidades. Lisa Mae explica que se preocupa em entender “como as realidades virtual, artificial e aumentada, toda essa tecnologia imersiva legal, pode nos ajudar a melhorar como seres humanos.”
Emily Olman, CEO da Hopscotch Interactive e cofundadora da Spatial First, explicou como usa as realidades virtual e aumentada no mercado imobiliário e defendeu que a tecnologia tem, sim, um lado emocional. “As pessoas sempre pensam em visualizar locais fantasiosos com a realidade virtual, sem ter realmente uma sensação de estar presente. Eu acredito que a presença não é algo físico, mas sim mental”, disse ela, que aposta em ‘transportar’ as pessoas para casas à venda.
Outro grande defensor do uso da tecnologia para se ‘transportar’ é Ahmed Banafa,  engenheiro elétrico pela Universidade de Harvard e pesquisador com foco em tecnologia de inovação. No painel, Banafa citou a presença virtual como um dos motivos mais interessantes para aplicar essas novas realidades. “Será o fim da solidão e do isolamento”, afirmou, otimista.
O engenheiro aposta ainda que o setor de recursos humanos das empresas é um dos que mais tem a ganhar com a tecnologia. Além dos benefícios citados por Lisa Mae, ele acredita que o treinamento de funcionários será muito mais interessante e proveitoso com o uso da realidade virtual. Permitir que os funcionários vejam com os próprios olhos como funciona o trabalho poderá ajudar muito quem “aprende fazendo”.
Com tantas possibilidades de uso para as novas tecnologias, os games parecem até ficar em segundo plano. Mas Dulce Baerga, CEO interina do River Studios, empresa de realidade virtual e aumentada, mostrou que eles ainda são um grande atrativo. Ela trabalha para facilitar o acesso às novas realidades, principalmente por meio de dispositivos como celulares e tablets. “Eu acho que a internet será o lugar onde todos que têm um óculos ou apenas um celular vão conseguir experimentar essas realidades”, disse. Segundo ela, grandes empresas como Mozilla e Google já estão envolvidas em projetos para tornar a web 3D. E você? Está pronto para pular de um universo ao outro com um clique?
MicBR
O MicBR é promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) em parceria com a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI).
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