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Jair Bolsonaro se elegeu com vantagem de 10,7 milhões de votos

Parte desse público que votou no 2º turno prestigia a posse hoje

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que toma posse hoje (1o) à tarde, conquistou 57,8 milhões de votos no segundo turno das eleições de 2018 e abriu uma vantagem de 10,7 milhões de votos sobre seu adversário, o petista Fernando Haddad. Essa vantagem foi construída em 63 cidades onde se registraram as maiores diferenças de votos a favor de Bolsonaro. O levantamento foi feito pela Agência Brasil, com base nos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entre essas 63 cidades estão São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Goiânia, Manaus, Campinas, Joinville e Campo Grande. Desse grupo, pelo menos seis cidades – São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Goiânia, Campinas e Joinville – já foram governadas pelo PT.

Bolsonaro ganhou em sete das dez maiores cidades brasileiras e, nesse grupo, só perdeu em Salvador, Fortaleza e Recife. Entre as 26 capitais estaduais e Brasília, venceu em 21 delas. Nos 27 maiores municípios do interior, Bolsonaro foi derrotado em dois: Jaboatão dos Guararapes (PE) e Feira de Santana (BA).

Nova Pádua
O presidente eleito teve 55,13% do total de votos válidos no segundo turno, mas foi na pequena Nova Pádua, cidade de colonização italiana na Serra Gaúcha, que conseguiu o melhor desempenho. Quase 93% dos 2.308 eleitores votaram em Bolsonaro, cuja família tem origem italiana.

Estão concentrados em municípios de pequeno porte do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de São Paulo os dez maiores percentuais de votação do presidente. Seis em Santa Catarina: Rio Fortuna, Timbó, Ascurra, Treze de Maio, Benedito Novo e Pedras Grandes. Três ficam no Rio Grande do Sul – além de Nova Pádua, Flores da Cunha e Vespasiano Corrêa – e um em São Paulo (Saltinho). Nessas dez cidades, Bolsonaro teve mais de 87% dos votos válidos em cada uma.

O resultado das eleições presidenciais mostrou que Bolsonaro venceu em 15 estados e no Distrito Federal, mas perdeu no Nordeste, no Tocantins e no Pará. O presidente eleito também teve maioria de votos nos cinco continentes onde havia urnas no segundo turno das eleições. Dos 98 países onde ocorreu votação, Bolsonaro ganhou em 71.

Bolsonaro foi derrotado em todos os municípios do Ceará, do Piauí e de Sergipe, mas ganhou nas 75 cidades de Rondônia. Seus menores percentuais de votos foram em municípios do Piauí, estado que será governado, pela quarta vez, pelo petista Wellington Dias. Em Guaribas – cidade onde foi lançado o programa Fome Zero, no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Bolsonaro ficou com 2% dos votos, em um total de 3.577 eleitores, seu pior desempenho em todo o país.

Mudança e Desafios
A vitória de Jair Bolsonaro, candidato do pequeno PSL, que fez campanha basicamente pelas redes sociais, com pouco dinheiro e alguns segundos de horário eleitoral, interrompeu duas décadas de hegemonia política do PSDB e do PT no Palácio do Planalto. Com sua eleição, perdem o comando do país as forças de centro-esquerda, substituídas pelos setores mais conservadores, à direita no arco político.

Bolsonaro prometeu um Estado mais enxuto e mais eficiente para seus eleitores. Deu destaque também à segurança pública e ao combate à corrupção. A estrela maior de sua equipe é Sérgio Moro, juiz da Lava-Jato que aceitou ser ministro da Justiça e da Segurança Pública.

Há grande expectativa também sobre a atuação do superministério da Economia, sob comando de Paulo Guedes, que promete um amplo programa de privatização e uma provável nova proposta de reforma da Previdência. Outra novidade é a indicação de militares em cargos estratégicos; são sete ministros originários das Forças Armadas na equipe ministerial.

O relacionamento do novo governo com Congresso para aprovação das reformas, a começar pela da Previdência, será testado em breve. Com 27 anos de mandato como deputado federal, o capitão da reforma Bolsonaro conhece bem o Congresso. Durante a campanha, optou por se relacionar com as bancadas temáticas, que indicaram alguns ministros, como o da Saúde e da Agricultura. A equipe de Bolsonaro afirma que não negociará com o Legislativo na base do toma-lá-dá-cá – expressão que significa a troca de favores e de cargos.

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