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Surto de difteria: OPAS recomenda vacina extra para quem viajar ao Haiti e Venezuela

Por causa dos surtos de difteria no Haiti e na Venezuela, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recomenda que pessoas que viajarão para esses países estejam com a vacinação em dia e, se necessário, recebam uma dose extra.

Para o organismo internacional, é importante que três doses da vacina contra a doença sejam dadas no primeiro ano de vida. Posteriormente, durante a infância e/ou adolescência, devem ser aplicadas outras três doses de reforço – de preferência com um espaço de quatro anos entre elas. Esse esquema vacinal protegerá a pessoa até pelo menos os 39 anos (possivelmente mais).

No caso de indivíduos que estão há mais de cinco anos sem serem vacinados contra difteria e que viajarão para zonas onde há surtos em andamento, a OPAS recomenda administrar uma dose extra de reforço – ou seja, mesmo que já tenham tomado todas as seis. No caso dos profissionais de saúde, é recomendada uma dose extra após cinco anos da última vacinação mesmo que não visitem áreas de risco.

Pessoas de qualquer idade que não estiverem vacinadas ou estejam com a vacinação incompleta devem receber as doses necessárias para completar o esquema. A imunização é fundamental para prevenir surtos e a gestão clínica adequada reduz as chances de complicações e morte.

Desde 2018, três países das Américas notificaram casos de difteria. A Colômbia confirmou oito entre janeiro e dezembro do ano passado, incluindo três mortes. O Haiti enfrenta um surto da doença desde 2014, com 264 casos confirmados até a última semana de 2018. Já a Venezuela vive um surto desde 2016, com 1.559 casos confirmados até janeiro deste ano, incluindo 270 óbitos.

A OPAS recorda que os grupos populacionais de maior risco são crianças menores de 5 anos não vacinadas e as que estão na escola; profissionais de saúde; militares; pessoas privadas de liberdade e aquelas que, por natureza de suas profissões, estão em contato permanente e diário com um grande número de indivíduos.

O organismo internacional recomenda também aos países manter um suprimento de antitoxina diftérica e o fortalecimento dos sistemas de vigilância para a detecção precoce de casos suspeitos, a fim de iniciar o tratamento oportuno dos infectados e o acompanhamento de seus contatos. A atualização epidemiológica sobre difteria nas Américas, com dados fechados em 22 de janeiro de 2019, pode ser acessada no site da sede da OPAS, em inglês ou espanhol.

Doença infecciosa

A difteria é uma infecção causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae. Os sinais e sintomas geralmente começam entre dois e cinco dias após a exposição e variam de leves a graves. Com frequência, os sintomas surgem gradualmente, começando com uma dor de garganta e febre. Em casos graves, a bactéria produz uma toxina que causa uma mancha grossa cinza ou branca na parte de trás da garganta. Isso pode bloquear as vias aéreas, tornando difícil que a pessoa respire ou engula e também pode provocar uma tosse seca. A hipertrofia dos gânglios linfáticos pode causar inchaço de uma parte do pescoço.

Às vezes, a toxina entra na corrente sanguínea, causando complicações como inflamação e lesão do miocárdio (músculo cardíaco), inflamação dos nervos e problemas nos rins e ou de sangramento causados pela queda do nível de plaquetas. As lesões no miocárdio podem resultar em alterações no ritmo cardíaco e a inflamação dos nervos pode resultar em paralisia. A difteria é transmitida facilmente entre pessoas pelo contato direto e pelo ar (por meio de tosse ou espirro). Também pode ser espalhada por roupas e objetos contaminados.

Brasil

No Brasil, conforme o Calendário Nacional de Vacinação, são aplicadas contra essa doença as vacinas pentavalente (imuniza contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite), tríplice bacteriana – DTP (difteria, coqueluche e tétano), dupla adulto (difteria e tétano) e tríplice bacteriana acelular do adulto – dTpa (difteria, coqueluche e tétano).

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