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Como driblar as dores musculares no frio

Está frio lá fora e não são apenas o nariz e os dedos congelados que reclamam da queda de temperatura durante os treinos externos. Nossos corpos podem estar aquecidos por fora com os casacos, mas do lado de dentro nossas articulações e os músculos podem estar doloridos devido à queda de temperatura. Muitos pacientes me procuram no frio argumentando que seus sintomas pioraram com o resfriamento do tempo e me perguntam por que as dores se agravaram e o que podemos fazer para melhorar os sintomas nos meses de inverno.

Quando os músculos estão frios, eles não são tão flexíveis e energéticos, o que significa que eles estão mais propensos às lesões e aos processos inflamatórios, por isso a dor ao ser “acionado” no frio. No entanto, na maioria das pessoas, isso vai diminuindo quando a musculatura é aquecida e praticamente desaparece durante o esporte. Mas, em algumas pessoas o clima frio provoca fadiga, problemas de equilíbrio, fraqueza muscular ou dores de cabeça. Quando esses sintomas são agravados pelo frio, pode ser por causa das mudanças na pressão do ar que precedem alteração no clima.

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Algumas causas ainda não são totalmente esclarecidas, mas o processo no corpo ocorre de forma muito parecida com a sensação de congelamento cerebral que algumas pessoas sentem quando comem sorvete – o ar frio pode estimular o nervo trigêmeo que é responsável pelas sensações da pele no rosto, pescoço e boca. O frio faz com que os vasos sanguíneos se contraiam, causando a dor de cabeça.

Além disso, as pessoas que têm essa alteração de sensibilidade têm também alterações com outras mudanças sensoriais: quente/frio, claro/escuro, ruído/silêncio, etc. Levando isso para o mundo esportivo, selecionei seis maneiras de “driblar” suas dores durante o frio:

Roupa certa: tente colocar camadas de roupas tipo segunda pele em vez de muitas roupas grossas. Assim, durante o treino, você não fica com muito peso, nem volume, e pode remover uma camada se estiver com muito calor. Para aqueles que sofrem de dores de cabeça, enrole o pescoço em um lenço e use gorros principalmente nos treinos noturnos.

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Aqueça: faça um esforço extra para aquecer o corpo antes de sair de casa para obter algum ganho energético, pois as pessoas que têm sensibilidade sensorial aumentada costumam sentir os efeitos das mudanças na temperatura ainda mais. Pode ser alguns polichinelos, exercícios funcionais, vale até tomar um pré-treino aquecido como um café com canela.

Não fique no frio por muito tempo: aproveite ao máximo o tempo fora para aquecer e já executar sua planilha. Evite ficar com a roupa de treino suada no frio, e, ao chegar em casa, aqueça o mais rápido possível.
Tente manter seu corpo ativo e aquecido: no trabalho ou estudo dê preferência a cada hora para levantar da cadeira e não pare por muitas horas sentado. O corpo ativo e a mobilidade articular ampla, ajuda a articulação e a musculatura a se manterem irrigadas e ativas, diminuindo as dores.

Mexa-se: em casa, tente manter-se em movimento e aquecido com chás e banho quente. Evite ficar horas no sofá, pois da mesma forma que o item anterior, o movimento gera calor e melhora a flexibilidade e a amplitude do movimento e das articulações.

Reconheça o impacto do clima no seu corpo: ao fazer concessões e planejar com antecedência, você pode até escolher viajar para lugares mais quentes neste período que no Brasil costuma ser férias.
Se você está descobrindo que o clima mais frio está perturbando seus músculos e articulações, tente usar a terapia de calor para relaxar e acalmar as dores: um banho morno, uma almofada de calor ou uma garrafa de água quente. Você também pode tentar esfregar arnica gel ou outro medicamento natural que libere calor em suas articulações doloridas e músculos de duas a quatro vezes ao dia para proporcionar alívio da dor e aquecimento. Você pode aplicá-lo antes de sair para os treinos e também para aliviar a dor enquanto estiver no frio.

Lembre-se que se se nenhuma dessas dicas ajudar, pode ser que precise de ajuda médica. Existem doenças que cursam com esses sintomas, e a melhor forma de tratá-las é usar especificamente o medicamento e tratamento adequado para cada caso.

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte

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