DestaqueSaúde

Atletas amputados podem sofrer com dor fantasma

Um membro fantasma é uma percepção viva de que um membro removido ou amputado ainda está presente no corpo e desempenha suas funções normais. O amputado geralmente experimenta sensações, incluindo dor no membro que não está mais ali.

Estudos sugerem que 90 a 98% dos pacientes sofrem de “membro fantasma” logo após a amputação ou a perda do membro, sejam os inferiores ou superiores. Por exemplo, a remoção de um olho ou um peito ou uma extração de dente pode causar percepções fantasmas. As pessoas nascidas sem um membro também podem experimentar essas sensações.

Publicidade

Este fenômeno é causado pelas alterações que ocorrem no córtex do cérebro após a amputação de um membro. Verificou-se que o cérebro continua a receber sinais a partir das terminações nervosas que originalmente são fornecidas por sinais deixados pelo membro amputado. Também pode ser uma tentativa do cérebro fazer uma religação e se reorganizar através da informação sensorial para se adaptarem às mudanças no corpo.

Em muitos pacientes a parte do corpo fantasma é percebida por alguns dias ou semanas após a perda ou a remoção do membro, enquanto em outros pode persistir durante anos após a amputação.

Os sintomas da síndrome do membro fantasma
Os pacientes que sofrem desta síndrome percebem que o membro amputado ainda está presente e funcionando como de costume. Em muitos casos, os pacientes experimentaram uma gama de sensações no membro fantasma. Estas sensações incluem: Cócegas, Cólicas/ contrações, Formigamento, fisgadas ou dor aguda, Dormência e até mesmo anestesia, e alguns pacientes também podem sentir outras sensações, como frio, calor, sensação de aperto e coceira.

Publicidade

Enquanto estes sintomas podem ser leves em alguns pacientes, em outros, podem ser debilitantes e interferirem nas atividades do dia-a-dia.

Os pacientes muitas vezes sentem que o membro fantasma é distorcido/deformado ou menor do que o membro inicial. Em alguns casos envolvendo mãos fantasmas, os pacientes sentiram que o braço fantasma torna-se mais curto ao longo do tempo e depois de um momento, apenas a mão fantasma é deixado pendurado. Isto é chamado de telescopagem e acredita-se ser causada por os sinais sensoriais conflitantes recebidos pelo cérebro destes pacientes. Eventualmente, o cérebro aprende a inibir todos esses sinais conflitantes e, consequentemente, o fantasma desaparece.

Fatores de risco
Alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento desta síndrome em amputados incluem: Dor ou infecção antes da amputação, Presença de coágulos de sangue no membro amputado, Amputação traumática, Tipo de anestesia utilizada durante a remoção do membro.

O fenômeno do membro fantasma é visto mais comumente em adultos do que em crianças, provavelmente porque o cérebro, no caso das crianças, não tinha terminado de consolidar imagens de órgãos externos no corpo.

Tratamento
Técnicas de enfrentamento, como relaxamento muscular, meditação, biofeedback, massagem e hipnose têm mostrado ajudar na recuperação de alguns pacientes a lidarem com a dor fantasma ou sintomas relacionados. Drogas tais como analgésicos, relaxantes musculares, sedativos-hipnóticos, antidepressivos, antipsicóticos e anticonvulsivos são utilizados no tratamento da dor fantasma sob prescrição e avaliação médica.

Em alguns casos, a terapia de choque no local e de acupuntura têm sido usados para aliviar os sintomas. Quando os tratamentos não-invasivos deixam de funcionar, as abordagens invasivas, tais como a estimulação da medula espinhal, administração intratecal de fármaco e a estimulação cerebral profunda têm sido utilizados para tratar a dor fantasma.

Técnicas de estimulação elétrica nervosa como a transcutânea e estimulação magnética transcraniana foram benéficos em alguns pacientes. Acredita-se também que administrar medicamentos para aliviar a dor antes da amputação diminui a chance de desenvolver dor fantasma após a cirurgia.

Esporte
Após a amputação e protetização, o amputado pode ter uma vida saudável e praticar esportes, isso ajuda muito na saúde mental e corporal pois por meio do fortalecimento muscular e ressocialização terá uma vida cheia de novas possibilidades!

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte

Etiquetas
Publicidade
Botão Voltar ao topo
Fechar