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Heliomar Franco: Nem tanto ao céu, nem tanto à terra

por Heliomar Franco

Hoje estamos reclusos, torcendo para que algo sombrio se esgueire pelas ruas e vá em direção ao infinito, sem nos encontrar.
Como consequência, afastamo-nos do trabalho e das relações sociais, para preservar aqueles que amamos.
O resultado, porém, da paralisação das fábricas, do comércio, das escolas, do transporte e das mais diversas atividades humanas nos trouxe reflexos imediatos. Alguns já se fazem perceber.
Outros, bem mais nefastos, nos aguardam ali na esquina.

Em que pese a gravidade e facilidade do contágio do coronavírus e o risco letal que oferece a grande parte da população, convido o leitor ao raciocínio.
Refiro-me ao fato real de que a imensa maioria da população não pode se dar ao luxo de se recolher atrás de grossas portas de madeiras de lei por muito tempo. O próprio sustento, e o dos seus, alguns buscam no dia de trabalho; o que ganham , rapidamente consomem em artigos de primeira necessidade, como alimentos e remédios. Mas, e o amanhã?

Sem comida, sem medicação, sem esperança? Por quanto tempo um pai de família suportará o choro das crianças e o olhar angustiado da esposa diante de uma despensa vazia?
E se houver colapso energético, saques em supermercados e outros comércios em geral?
Essas perguntas nos fazem pensar em alternativas para resolver, ou amenizar, a escassez de alimentos e remédios que se avizinha. Que medidas o governo pode adotar para manter a dignidade de a segurança da família brasileira?

Um contingente humano,sem renda, poderá se encontrar diante de um cruel dilema, que normalmente só não se manifesta nas pessoas que habitualmente vivem do crime.
Não quero aqui me alongar em sinistras previsões, eis que a ética profissional me impede de fazê-lo, mas entendo como imperioso e urgente revermos, paulatinamente, as medidas restritivas extremas, ora em curso, sob pena de nos vermos diante de problemas bem maiores para nossa existência, e muito além da capacidade resolutiva de nossas forças públicas.

Limitação de circulação da população em risco, regramento de atendimento em comércios, regras rígidas no transporte público, direcionamento de recursos para atendimento hospitalar, proteção para os que nos protegem, entre outras coisas, poderiam aos poucos afastar o perigo do caos econômico e, principalmente, de segurança pública que se avizinha.


SOBRE O AUTOR
*Heliomar Franco é Delegado de Polícia com 20 anos de carreira; tendo atuado como diretor da DINARC\DENARC – Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico; ex-Delegado Titular da Delegacia de Roubo a Bancos e Sequestros do DEIC – Departamento Estadual de Investigações Criminais; e ex-Delegado Titular da Delegacia de Roubo e Furto de Veículos do DEIC.
Ingressou na Polícia Civil gaúcha no ano 2000, sendo há 13 anos professor de Técnicas de Investigação Criminal na Academia de Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul – ACADEPOL. Ex-militar da Aeronáutica, onde atuou por 12 anos, sendo graduado Sargento. Em 1997 formou-se em Direito pela UFRGS, posteriormente Pós graduando MBA em Gestão Pública e Administração de Cidades Inteligentes.
Atualmente Heliomar Franco é titular da 2ª DPR – Delegacia Regional da Região das Hortênsias, localizada em Gramado e com abrangência em nove municípios da Serra Gaúcha.

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