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Eduardo Terra: “Faremos cinco anos em cinco meses”

Em palestra na reunião-almoço da CIC Caxias, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo salientou que crise da pandemia acelerou processos de transformação digital nas empresas

Um dos legados mais importantes que a pandemia vai deixar é a aceleração dos processos de transformação digital nas empresas. “Faremos cinco anos em cinco meses”, afirmou o presidente da presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, na reunião-almoço on-line desta segunda-feira (10), promovida pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). Ele analisou as transformações do varejo em tempos de Covid-19.

De acordo com Eduardo Terra, o varejo tem puxado muitas das transformações vistas no mundo, e agora não tem sido diferente. Com a crise do coronavírus e o consequente fechamento de lojas físicas do comércio considerado não essencial, houve um avanço exponencial do e-commerce. Nos últimos meses de 2019, revelou o palestrante, as compras pela internet representavam 4,8% das vendas totais do varejo brasileiro. Hoje, já representam 6%, e a previsão é atingir entre 9% e 10% no fim deste ano. O aumento das vendas on-line, somado ao fato de que mais de 80% dos domicílios têm acesso à internet, faz do e-commerce uma tendência consolidada. “Alguns hábitos, como comprar mais pela internet e trabalho remoto, devem ficar”, acrescentou.

Três cenários diferentes

Terra ponderou que o varejo brasileiro vive hoje três cenários diferentes, à medida em que o impacto das medidas de controle da pandemia foi diferente para cada setor. Hoje, 37% do varejo está no chamado comércio essencial, como é o caso de supermercados, farmácias e pet shops. Estes segmentos mantiveram suas operações normais e experimentaram vendas acima do normal a partir de mudanças no comportamento dos consumidores. “A pandemia trouxe a necessidade e gerou uma explosão de compras on-line”.

Na outra ponta, está o varejo não essencial, que precisou fechar as lojas físicas. Setores ligados à moda, como vestuário e calçados, realizaram entre 40% e 50% do volume normal de vendas nos últimos cinco meses. E o terceiro cenário do varejo é o próprio e-commerce.

Perspectivas otimistas

Para o presidente da SBVC, as perspectivas para o segundo semestre deste ano e 2021 são otimistas, de consumo aquecido, com a retomada do varejo não essencial. O grande desafio, acrescentou, será a transição de uma economia financiada por subsídios, como o auxílio emergencial, para a economia real. O auxílio emergencial, aliás, segundo Eduardo Terra, criou uma sustentação à renda que se traduziu em aumento do consumo. Ele trouxe dados do IBGE que revelam que 47% dos lares brasileiros foram beneficiados com a transferência de recursos do governo federal, configurando importante instrumento de distribuição de renda neste período.

O palestrante enfatizou esta crise ficará marcada na história, primeiro pela grande tragédia que custou 100 mil vidas, mas também pela grande janela de oportunidade que se abre para as empresas que entenderem a transformação no comportamento do consumidor, abraçarem a digitalização dos negócios e usarem a tecnologia para recuperar empregos e renda e fazer o País retomar o rumo do crescimento.

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