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ARTHUR, o piloto kamikaze? — Opinião

Da série especial: O QUE DERRUBOU OS AVIÕES DA OPOSIÇÃO LEOPOLDENSE NAS ELEIÇÕES 2020?

Por João Darzone
19.11.2020

Kamikase
1. na Segunda Guerra Mundial, aviador japonês treinado para se lanças em ataque suicida às posições inimigas
2. figurado indivíduo que pratica ações em que põe em risco a própria vida; indivíduo imprudente e autodestrutivo.
fonte: meudicionario.org

 

A similaridade entre a pilotagem de avião e eleições está no controle ou descontrole dos múltiplos fatores que atuam para seu resultado final: vitória ou derrota quando se refere a eleições, morte e destruição quando se avalia a aviação.

Por essa razão, numa derrota política, assim como em uma queda de avião é preciso que se adotem os mesmos critérios de investigação que a aeronáutica adota em acidentes aéreos.

O processo aeronáutico tem metodologia concebida com o propósito de prevenir novos acidentes e que compreende a reunião e a análise de informações e a obtenção de conclusões, incluindo a identificação dos fatores contribuintes para a ocorrência, e que visam a formulação de recomendações sobre a segurança. Tais conclusões são voltadas unicamente para a prevenção de novas ocorrências e melhoria da segurança de voo.

No outro caso, o estudo do desenrolar eleitoral irá ser utilizado para definição de estratégias para as futuras eleições.

Para se analisar os vários fatores da “queda dos aviões da oposição” serão abordadas ponderações divididas em partes:

(a) Arthur, o piloto kamikaze?
(b) Qual brevê o eleitor entendeu que Nado possui? PP ou PC?
(c) PP, o avião em que o piloto sumiu?
(d) Heliomar, o piloto sem avião?

Iniciamos, com “Arthur, o piloto kamikaze?”.

Se existe uma verdade não dita e que é admitida de forma velada nestes tempos chatos em que impera o politicamente correto, é que não há espaço na política para indivíduos, vacilantes, doentes, fracos, cansados ou com dúvidas.

O eleitor não reconhece no indivíduo que se apresenta nestas condições, a capacidade de liderar.

O eleitor inconscientemente, como ideário de liderança possui uma concepção parecida como o da tribo dos Kothari, da série Game of Thrones, e vê o político como um khal, que é um individuo com capacidades físicas e mentais extraordinárias, mas que ao demonstrar fraqueza, perde a importância por mais que tenha sido grandioso em seus feitos do passado, pois, “um khal que não pode cavalgar, não pode liderar”e nesta condição de fraqueza é motivo de vergonha para aldeia Kothari e, automaticamente, abandonado e largado a própria sorte tal como khal Drogo na primeira temporada, logo após cair de seu cavalo, por envenenamento de uma bruxa, e convalescer.

Se a referência nerd, não for suficiente para a compreensão da lógica da psiquê-coletiva-não-admitida pelo politicamente correto acadêmico, o dito popular “se não aguenta o calor, saia da cozinha.” é bastante esclarecedor. O poder é dado a quem é disposto a lutar por ele, o valoriza, para quem é capaz de suportar o peso da coroa e tiver forças para carregá-la.

Os eleitores de “medianas luzes” ainda no século XXI, inconscientemente possui resistência em abandonar, a mítica ideia do político-salvador. Ele vê como imprescindíveis algumas atitudes de força nas lideranças políticas tais: como disposição, recursos, inteligência, força de vontade de tomar as rédeas, e a convicção de usar o poder para agir sem dúvidas em qualquer situação. Isto se adapta a poucos indivíduos extraordinários, mas podem ser descartados ao menor sinal de dúvida ou fraqueza.

Wladimir Putin, por exemplo, demonstra essas atitudes de força em todas as selfies e fotos que tira.

Outra verdade não dita é que na política “se acerta junto ou se erra junto”, não se admitem erros unilaterais, pois, as escolhas unilaterais erradas resultam também em rompimentos políticos internos daqueles que não são ouvidos e que, geralmente, não perdoam os “líderes-surdos” aos seus argumentos.

Errar unilateralmente implica em ser visto como fraco, pois pedir reconciliação após derrota, resulta em ter que assumir erros, o que também é visto como fraqueza, pois a deficiência surdez na política é inaceitável.

Time vencedor entra na disputa coeso, mesmo diante de viscerais discordâncias internas, que na geralmente são “podadas”, por acertos políticos internos, coisa que o PT de Vanazzi faz com maestria exemplar.

Errar individualmente na política é diferente de errar coletivamente e perder a batalha, pois muitas derrotas eleitorais resultam em fortalecimento de determinado indivíduo ou grupo que reconhecidamente usou todos os recursos disponíveis para vencer o adversário, e perdeu lutando a guerra.

Perder dignamente para um oponente reconhecidamente mais forte, assim como na vida é conquista respeitada entre seus pares.

Essas são as condições para um vencedor. E foi o oposto da imagem apresentada pelo candidato Arthur na luta pela Prefeitura. Em agosto de 2020 apresentou-se completamente diferente do verdadeiro leão na oposição ao PT até então.

Em entrevista na Rádio + Independência, chegou a anunciar a sua saída da vida política, mostrando-se completamente exaurido pelo pesado embate com a gestão Vanazzi dos últimos anos alegando inclusive perdas financeiras pela troca de opção de carreira na CEF pela de vereador, expressando com muita veemência sua falta de desejo de disputar a eleição.

Até o último momento enchia de esperanças setores políticos de oposição a cadeira de Ary Vanazzi com uma chapa de direita, acenando, sem compromisso, uma parceria com Delegado Heliomar (DEM) e com a direita bolsonarista recém desembarcada no PP representada pelo desconhecido Delegado Luciano Ledur.

A dúvida até aquele momento era qual delegado seria o vice-prefeito na chapa do exaurido Arthur, e o trabalho político em torno deste era convencê-lo a disputar o pleito como homem que representaria os valores defendidos por uma direita que ainda não existia em São Leopoldo, uma força que canalizasse um sentimento que elegeu Bolsonaro em 2018, que representasse as posições firmes que outrora foram por ele defendidas na Tribuna da Câmara.

A abrupta mudança de posição de Arthur do “dia para noite” (para compor com Nado) foi tão violenta que em termos aeronáuticos, suas ações como “comandante do avião MDB” foram equivalentes a ignorar todas as normas de segurança, fazer tudo o contrário do que engenheiros de segurança recomendam, e ainda expulsar da nave parte da tripulação que insistia em usar o radar para voar, e no fim ainda a largar o manche para outro piloto assumindo a condição de copiloto. Uma verdadeira ação kamikaze, uma ação desesperada tal qual executada pelo Japão na Segunda Guerra.

Mas, faltou combinar com os russos. O resultado destas ações kamikazes no “avião MDB” é que nem todos os tripulantes e passageiros se conformaram com a nova rota traçada pelo comandante nestes casos. E o que se teve na “aeronave MDB” foi motim. O motim ficou gravado em vários vídeos e manifestações nas redes sociais, por eleitores, filiados e aliados políticos que ficaram inconformados com a posição de aliar-se a um projeto politico com ideário marxista até fins de outubro de 2019 (data da alteração do estatuto do CIDADANIA).

Ainda, como líder da “esquadra de oposição”, influenciou o voo, mas em altitude mais baixa e que assumisse a defesa da sua retaguarda, outro jovem piloto David dos Santos/PP e seu copiloto Rafael Padilha (presidente PP/SL). A orientação era para que seguisse “cegamente” o mesmo trajeto de voo (aliança com Nado), o que resultou também em motim, que fez com que a “aeronave PP”, caísse no mar não deixando sobreviventes.

Este “acidente” será analisado detalhadamente no segundo texto, mas pode-se dizer que tais “mortes” políticas prematuras podem em tese também serem debitadas na conta do comandante Arthur, pois, jovens em combate muitas vezes não possuem capacidade de perceber a crueldade das guerras. Um ditado do xadrez traduz com precisão o afoitamento PPista “No xadrez, peões vão na frente!”

O motim MDBista, combinado com o quase padrão “bi-polar político” de Arthur, que 24 horas antes de declarar sua adesão à candidatura de Nado tinha decidido e declarado na Rádio + Independência que iria sair da vida pública, culminou na criação de um ambiente, no mínimo confuso para o eleitor e terrível para uma militância, lembrando inclusive a postura do MDB Nacional.

A imagem do MDB Nacional perante o eleitor não é das melhores. É preciso lembrar que MDB Nacional foi, e é a pior expressão da “prostituição ideológica” do século XXI, corrupto, fisiológico, e notório cúmplice do PT em todas as roubalheiras da Era Lula-Dilma como se viu nos depoimentos de Palocci e Marcelo Odebrecht nos inquéritos da lava-jato que relatou a venda de forma nua e crua apoios políticos em troca de propina.

E a imagem do vacilo de Arthur – em que pese nada ter relação com o MDB Nacional, pois, é homem honesto na condução da sua política -, lembrou o discurso rançoso e sem forma das lideranças corruptas do MDB Nacional na tentativa de justificar suas ações, um discurso que não fazia o menor sentido, considerando o histórico de suas posições defendidas até então.

Esta lembrança e a súbita mudança de comportamento de Arthur em compor com Nado (ex-PT), em que pese não ter fundamento, reavivou a lembrança recente ao eleitor menos informado e atento à “podridão ideológica” que é o MDB Nacional cuja imagem ainda é vinculada seus caciques corruptos (Michel Temer, Eduardo Cunha, Geddel e outros) e explica que, para parte do eleitorado justificava-se a mudança de voto, anulação ou simplesmente sua abstenção.

Isto foi percebido antecipadamente por muitos dos passageiros do avião MDB/SL, que alertaram o comandante Arthur que sua manobra na composição com Nado era kamikaze. Mas foram ignorados.

E, com o resultado posto, o que resultou da manobra kamikaze? A extensa literatura da aviação, mostra que raramente há sobreviventes em acidentes aéreos, porém, sempre existe uma caixa-preta que contém os registros das falhas mecânicas ou os registros as decisões do piloto e cabine de comando para que se criem novos procedimentos e protocolos evitando-se que erros e falhas se repitam.

A ausência de uma “caixa-preta” na política, é que o tempo torna fatos e decisões ridículas tomadas no passado lendas, pois, como a vida do eleitor segue em frente, os contextos são esquecidos ou contadas de forma diferente da realidade, o que pode de certa forma, trazer novamente para o comando do “avião” um inábil piloto. Geralmente, o tempo é de dois anos.

Não tenha dúvidas, já em 2022 restarão nos bastidores políticos apenas o registro da queda do avião e não as razões da “falha dos motores”. A história que será contada será a do piloto-sobrevivente de um grande acidente aéreo em voo meio a um furação.

Apesar do título do tópico, expressar opinião de parte do eleitorado de Arthur Schmidt, não se crê que seja o vereador um kamikaze. Mesmo se encontrado elementos, indicativos, as movimentações políticas do vereador apontam sentido contrário ser kamikaze.

Isso é facilmente explicado, pois, o bom Kamikaze nunca volta para casa depois do expediente.

João Darzone é advogado

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