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Água do Rio dos Sinos tem forte piora na qualidade

Mês de março apresenta queda abrupta na qualidade da água nas nascentes do Sinos. Programa de Monitoramento Espacial do Consórcio Pró-Sinos analisa 24 pontos ao longo do rio e mostra que, no último mês, áreas menos urbanizadas tiveram piora

A água do Rio dos Sinos além de conter grande quantidade de fezes humanas despejadas pelos esgotos cloacais sem tratamento e provenientes das cidades que o margeiam, traz ainda o risco de outros poluentes em forma de metais pesados, substâncias tóxicas ao ser humano e a todas as outras formas de vida. Para algumas destas substâncias não existem “níveis aceitáveis ou seguros de ingestão”, dado ao risco de favorecerem o aparecimento de sérias doenças pelo efeito cumulativo no organismo humano.

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Queda na qualidade da água em pontos mais próximos das nascentes do Sinos

Dados do Programa de Monitoramento Espacial apurados no mês de março mostram queda significativa na qualidade da água na porção 1 do Rio dos Sinos. “Embora permaneçam bons os valores do IQA em pontos mais próximos das nascentes, ao chegar às áreas urbanas, a qualidade da água tem uma queda abrupta, o que não vinha sendo registrado nos pontos da porção 1 até então”, explica o diretor-técnico do Consórcio Pró-Sinos, Hener de Souza Nunes Júnior. A entidade monitora mensalmente nove parâmetros de qualidade da água em 24 pontos representativos da Bacia do Rio dos Sinos.

Em março, na primeira porção, dos pontos mais próximos às nascentes do Rio dos Sinos e seus afluentes, permanecem os melhores resultados, embora com decréscimo no Índice da Qualidade da Água (IQA) em praticamente todos os pontos. Os destaques positivos dessa região são os pontos P1, P6, e P12, situados em locais próximos das nascentes dos rios dos Sinos, Rolante e Paranhana, respectivamente.

De acordo com o diretor-técnico, em P4, P7, P9 e P10 foi registrada uma queda expressiva do IQA para valores inferiores a 50. Os parâmetros que determinaram esses baixos valores são Coliformes Termotolerantes e Fósforo Total. Essa tendência de redução da qualidade já vinha sendo observada nas campanhas anteriores e é resultado do lançamento de esgotos não tratados. Nessas ocasiões, o valor do IQA naqueles pontos mantinha-se na condição “regular” e nesta passou à condição “ruim”. “Isso contraindica a balneabilidade nesses pontos”, observa Hener.

Já na segunda porção, permaneceu a tendência de piora da qualidade indicada no relatório anterior. Na maior parte dos pontos, a qualidade é considerada “ruim” e, mesmo nos pontos com qualidade regular, houve queda no valor do IQA. Novamente, os arroios afluentes do Rio dos Sinos apresentaram valores muito baixos no índice. O destaque negativo é o P17, na foz do arroio João Corrêa, com IQA próximo de 25. Os demais pontos apresentam IQA perto ou inferiores a 50.

Na avaliação do diretor-técnico, o quadro de estiagem deverá diminuir com o fim do verão e a vazão dos cursos de água voltará à regularidade. “Essa campanha de medições ainda registrou dados característicos do verão, mas nas próximas haverá alteração perceptível da situação registrada em março”, finaliza.

SAIBA MAIS

A partir de nove parâmetros – Coliformes Termotolerantes, pH, Nitrogênio, Fósforo, Oxigênio Dissolvido, Demanda Bioquímica de Oxigênio, Temperatura, Turbidez e Sólidos Totais – é calculado o Índice da Qualidade da Água (IQA), um número que permite uma avaliação genérica, mas significativa, das condições da água no local.

O IQA é avaliado em uma escala que varia de zero a cem, sendo os valores mais baixos indicativos de uma qualidade muito ruim e valores mais altos, indicativos de boa qualidade. A equipe técnica do Pró-Sinos acompanha esses dados mensalmente. São informações relevantes, que podem servir de alerta e apoiar tomadas de decisão e ações. Para acessar a plataforma e obter o relatório completo, acesse fortalezatec.com.br/prosinos.

O exame dos valores obtidos para o IQA nos diversos pontos monitorados permite segmentar a bacia em duas porções: áreas com baixo adensamento populacional, mais próximas das nascentes do Rio dos Sinos e de seus afluentes, e áreas com alto adensamento populacional, mais próximas da foz.

Na primeira porção reunimos os pontos de P1 a P12. Na segunda, os pontos de P13 a P24. Conforme temos indicado, na segunda porção, somam-se os despejos de esgoto não tratado, vindos das áreas urbanas da primeira porção, aos esgotos das áreas altamente adensadas para onde o Rio dos Sinos escoa. A qualidade da água nesta segunda porção é muito baixa.

Via
Critério
Fonte
Roberta Schuler

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