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Desafios e oportunidades na economia brasileira em 2024

Como será o cenário econômico do Brasil no próximo ano? Quais são as principais tendências, riscos e perspectivas para o crescimento, a inflação, o câmbio, os juros, o emprego e o consumo?

Crescimento

A economia brasileira deve crescer 2,3% em 2024, segundo a estimativa do governo federal, que se mantém no mesmo patamar de março, quando o governo havia lançado o último boletim macrofiscal. Essa projeção está acima da expectativa do mercado financeiro, que vê um crescimento menor para a economia, de 1,30%, de acordo com o relatório Focus do Banco Central.

A diferença entre as projeções se deve, em parte, à incerteza sobre o ritmo de recuperação da atividade econômica após a pandemia de Covid-19, que afetou severamente o país em 2022 e 2023. Além disso, há fatores políticos e fiscais que podem comprometer a confiança dos agentes econômicos e atração de investimentos.

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Entre os desafios para o crescimento em 2024, estão:

  • A necessidade de ajuste fiscal, com a contenção dos gastos públicos e o cumprimento do teto de gastos, que limita o aumento das despesas à inflação do ano anterior;
  • A reforma tributária, que ainda não foi aprovada pelo Congresso e que pode trazer mudanças significativas na carga e na distribuição dos impostos no país;
  • A inflação elevada, que reduz o poder de compra da população e afeta o consumo, um dos principais motores da economia;
  • A taxa de câmbio volátil, que aumenta os custos de produção e de importação, além de gerar incerteza para os exportadores e investidores estrangeiros;
  • A taxa de juros alta, que encarece o crédito e desestimula o investimento produtivo;
  • A taxa de desemprego elevada, que afeta a renda e a qualidade de vida de milhões de brasileiros;
  • A baixa produtividade, que limita o potencial de crescimento da economia no longo prazo.

Entre as oportunidades para o crescimento em 2024, estão:

  • A vacinação em massa contra a Covid-19, que pode permitir a retomada das atividades econômicas e sociais com mais segurança e normalidade;
  • A recuperação da economia mundial, que pode favorecer as exportações brasileiras, especialmente de commodities, como soja, minério de ferro e petróleo;
  • A agenda de reformas estruturais, que pode melhorar o ambiente de negócios, a competitividade e a eficiência da economia brasileira;
  • A agenda de privatizações e concessões, que pode atrair investimentos privados para setores estratégicos, como infraestrutura, energia e saneamento;
  • A agenda de inovação e digitalização, que pode impulsionar a transformação e a modernização de diversos segmentos da economia, como indústria, comércio, serviços e agronegócio;
  • A agenda de sustentabilidade e desenvolvimento social, que pode gerar oportunidades de negócios e de inclusão produtiva, além de preservar o meio ambiente e os recursos naturais do país.

Inflação

A inflação deve ficar em 3,3% em 2024, segundo a estimativa do governo federal, que está dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Já o mercado financeiro prevê uma inflação de 3,88% em 2024, um pouco acima do centro da meta, de acordo com o relatório Focus do Banco Central.

A inflação é um dos principais problemas da economia brasileira nos últimos anos, tendo superado o teto da meta em 2022 e 2023, com 5,79% e 4,86%, respectivamente.

A alta dos preços foi causada por diversos fatores, como:

  • A desvalorização do real frente ao dólar, que encareceu os produtos importados e os insumos para a produção;
  • A alta dos preços internacionais das commodities, que afetou os custos de alimentos, combustíveis e energia elétrica;
  • A demanda reprimida por bens e serviços após o relaxamento das medidas de isolamento social;
  • A oferta restrita de alguns produtos e serviços, devido aos efeitos da pandemia na cadeia produtiva;
  • A política monetária expansionista, que reduziu a taxa básica de juros para estimular a economia.

Para conter a inflação e ancorar as expectativas do mercado, o Banco Central vem elevando a taxa básica de juros, a Selic, desde março de 2023. A Selic está atualmente em 13,25% ao ano, após duas reduções seguidas promovidas pelo Banco Central. A expectativa do mercado é que a Selic termine 2024 em 11,75% ao ano.

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A taxa de juros é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Aumentar a taxa de juros significa tornar o crédito mais caro e o dinheiro mais escasso, o que reduz o consumo e a demanda por bens e serviços. Por outro lado, reduzir a taxa de juros significa tornar o crédito mais barato e o dinheiro mais abundante, o que estimula o consumo e a demanda por bens e serviços.

Câmbio

Dólares americanos – Foto por: Dual Logic

O que esperar da taxa de câmbio brasileira com relação ao Dólar em 2024?

A taxa de câmbio é uma variável econômica que reflete o valor de uma moeda em relação a outra. Ela é influenciada por diversos fatores, tanto internos quanto externos, que afetam a oferta e a demanda de divisas no mercado. Neste post, vamos analisar alguns desses fatores e tentar projetar o que esperar da taxa de câmbio brasileira com relação ao dólar em 2024.

Um dos principais fatores que influenciam a taxa de câmbio é a inflação. A inflação é o aumento generalizado dos preços dos bens e serviços em uma economia. Ela reduz o poder de compra da moeda e, consequentemente, a sua atratividade no mercado internacional. Isso significa que o Brasil terá uma inflação relativamente alta nos próximos anos, o que pode depreciar o real frente ao dólar.

Outro fator relevante é a taxa de juros. A taxa de juros é o custo do dinheiro no mercado financeiro. Ela afeta a rentabilidade dos investimentos e, portanto, a entrada e a saída de capitais no país. Uma taxa de juros mais alta tende a atrair investidores estrangeiros, que buscam maior retorno, e a valorizar a moeda local. Uma taxa de juros mais baixa, por outro lado, tende a estimular o consumo e o investimento doméstico, mas também a desestimular o fluxo de capitais externos e a desvalorizar a moeda local. Esses valores indicam que o Brasil terá uma taxa de juros elevada nos próximos anos, o que pode apreciar o real frente ao dólar.

Um terceiro fator que impacta a taxa de câmbio é o cenário comercial e o comércio global. O cenário comercial é o conjunto de acordos, tarifas, barreiras e políticas que regulam o fluxo de bens e serviços entre os países. O comércio global é o volume e a composição das trocas comerciais entre os países. O cenário comercial e o comércio global afetam a balança comercial, que é a diferença entre as exportações e as importações de um país.

Uma balança comercial superavitária, ou seja, com mais exportações do que importações, gera um aumento da oferta de divisas estrangeiras no país, o que pode valorizar a moeda local. Uma balança comercial deficitária, ou seja, com mais importações do que exportações, gera uma diminuição da oferta de divisas estrangeiras no país, o que pode desvalorizar a moeda local. Segundo o Banco Central, a projeção para a balança comercial brasileira é de um superávit de US$ 68 bilhões em 2022, US$ 60 bilhões em 2023 e US$ 55 bilhões em 2024. Esses valores indicam que o Brasil terá uma balança comercial positiva nos próximos anos, o que pode valorizar o real frente ao dólar.

Além desses fatores, há outros que também influenciam a taxa de câmbio, como o cenário político, a confiança dos agentes econômicos, o endividamento público, a situação fiscal, a produtividade, a competitividade, a inovação, entre outros. Todos esses fatores interagem entre si e formam as expectativas do mercado sobre o comportamento futuro da taxa de câmbio.

Diante disso, é difícil fazer uma previsão precisa e única sobre a taxa de câmbio brasileira com relação ao dólar em 2024. Segundo a estimativa do governo, o câmbio deve ficar em R$ 5,20 por dólar em 2024, mas não se pode confiar nisso. No entanto, com base nas informações disponíveis e nas tendências observadas, podemos estimar que a taxa de câmbio ficará em torno de R$ 5,00 por dólar em 2024. Essa estimativa leva em conta que o Brasil terá uma inflação mais alta do que os Estados Unidos, mas também uma taxa de juros mais alta, uma balança comercial superavitária e uma recuperação econômica gradual. Essa estimativa também considera que não haverá choques externos ou internos que possam alterar significativamente o cenário cambial.

É importante ressaltar que essa é apenas uma estimativa baseada em dados atuais e que está sujeita a mudanças conforme novas informações sejam divulgadas e novos eventos ocorram. Portanto, é recomendável acompanhar as notícias e os indicadores econômicos para se manter atualizado sobre a taxa de câmbio e suas perspectivas.

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